sábado, 27 de janeiro de 2018

Embraer & Boeing - Representantes da SAAB se reúnem com Jungmann e Bombardier obtém vitória nos EUA

Em mais um capítulo das negociações entre a norte americana Boeing e a brasileira Embraer, representantes da sueca SAAB se reuniram com governo brasileiro, ao que tudo indica, a reunião tratou dos interesses suecos na parceria que envolve a transferência de tecnologias sensíveis da SAAB para Embraer, algo que pode levar á um revés no acordo bilionário dos caças Gripen BR, vencedor do programa FX-2.

O temor sueco teria como foco a possibilidade da sua concorrente no mercado de defesa, Boeing, ter acesso aos segredos industriais de seus caças Gripen E/F, aeronaves que disputam vários contratos ao redor do mundo com o F/A-18 E/F produzido pela Boeing.

Apesar da SAAB e a Boeing  estar desenvolvendo em conjunto uma aeronave para disputar o bilionário programa T-X da USAF, a sinergia entre as duas gigantes da defesa é limitada a esse programa. Alguns leigos no campo de defesa ainda dizem que o caça sueco possui muitos sistemas norte americanos, porém, ignoram o fato mais importante no que tange o Gripen E/F, a aeronave possui todo sistema de integração e gerenciamento de sistemas desenvolvido pela SAAB, o ponto chave da aeronave.

Hakan Buskhe, presidente da SAAB, deixou claro ao governo brasileiro que qualquer risco aos segredos industriais da SAAB, teria como resultado uma revisão no acordo relativo a participação da Embraer no programa Gripen BR. Segundo Buskhe,“ A discussão criou uma preocupação muito grande na Suécia, pois a SAAB é tão estratégica para a Suécia, quanto a Embraer é para o Brasil”, continuou: “ Queremos continuar essa parceria de qualquer forma. Nunca fizemos uma transferência de tecnologias tão abrangente quanto a oferecida ao Brasil”, concluiu.

Apesar da tensão criada, os representantes da sueca se mostraram satisfeitos com a posição apresentada pelo ministro de defesa brasileiro, Raul Jungmann,  na qual garantiu que a Embraer não será vendida, e que qualquer acordo que venha a ser estabelecido com a gigante norte americana, este respeitará as cláusulas contratuais com a SAAB e os interesses estratégicos do governo brasileiro com relação aos programas de defesa em andamento.

Recentemente a Bombardier logrou uma importante vitória comercial sobre a Boeing, com a suspensão da taxa de 292% sobre a venda de aeronaves C-Series no mercado norte americano. Tal notícia não repercute apenas na Boeing, mas também na Embraer, que pode ter ameaçada sua liderança no mercado de aeronaves na faixa de 70 á 140 assentos nos EUA, um dos seus mais importantes mercados.

A Bombardier se torna um forte concorrente da Embraer, principalmente pelo fato da canadense ter uma importante parceria com a gigante européia, Airbus, a qual lhe garante uma enorme estrutura de vendas e suporte técnico ao redor do mundo.


Para Boeing um acordo com a Embraer seria uma ótima saída para que a mesma mantenha sua posição no mercado, uma vez que diversos de seus clientes tem optado por operar com aeronaves na faixa de 70 á 140 assento ao invés das aeronaves de entrada da Boeing, o 737. A norte americana possui uma lacuna em seu portfólio, não possuindo nenhuma aeronave que atenda a esse nicho. No caso brasileiro, é preciso muita cautela ao se pensar em uma parceria que envolva os papéis da empresa e a participação de executivos de outra indústria no controle de suas decisões. Lembrando que várias indústrias que passaram por esse processo ao redor do mundo tiveram grandes prejuízos.


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