quinta-feira, 14 de maio de 2015

Armas de fogo matam?

Nesta manhã li um relatório sobre o número de vítimas de homicídio por armas de fogo no Brasil. Realmente o número é alarmante, uma média de 116 mortes por dia no país, segundo dados levantados do ano de 2012, onde 42.416 pessoas foram vítimas de disparos em todo o território brasileiro, um número alto, típico de uma zona de conflito de baixa-média intensidade.

Conforme o levantamento, que é realizado desde 1980, a taxa de mortalidade por armas de fogo foi a segunda mais alta do país na série histórica: 21,9 óbitos para cada 100 mil habitantes. Estão incluídos os casos de homicídio, suicídio, mortes por acidente e em circunstâncias indeterminadas. A maior taxa já registrada foi em 2003, de 22,2 mortes para cada 100 mil habitantes.
Já a taxa de homicídios com armas de fogo, que em 2012 atingiu 20,7 para cada 100 mil habitantes, foi a mais alta já registrada.

Segundo o estudo, que separa os dados dos homicídios por faixa etária, os jovens de 19 anos são as principais vítimas, com 62,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Em seguida vêm os de 20 anos, com 62,5 mortes para cada 100 mil habitantes.

Com base nos dados revelados, vale ressaltarmos que em sua grande maioria, as mortes estão relacionadas ao envolvimento com narcotráfico ou outros tipos de crime, um dado que a pesquisa não nos revela, levando a sociedade a uma falsa sensação de que as armas de fogo são os vilões da história. Cabendo a nós racionalizar que uma arma de fogo não mata por si própria, alguém tem de manusear esta arma para cometer tal homicídio. Diante deste fato há outro dado importante não revelado em tal pesquisa, a origem de tal arma de fogo, em sua grande maioria armas ilegais, não registradas e em posse de pessoas sem condições psicológicas e técnicas para possuir o porte de tal arma.

Se houver uma pesquisa mais aprofundada que nos dê dados sobre as circunstâncias de tais mortes, como por exemplo dados sobre o número de mortes em alto de resistência e de policiais militares em serviço ou fora dele, além de dados sobre a procedência de tais armamentos, veremos que não é uma questão de se proibir ou não o porte de armas no país, mas sim de coibir a venda ilegal de armas e reprimir de forma pesada o narcotráfico no país, que é o maior responsável por mortes no país, sendo a arma de fogo um meio comum em posse de tais meliantes.

Outro dado importante de uma pesquisa seria informar a sociedade do número anual de apreensão de armas de fogo e a sua procedência. Pois como já é de conhecimento geral, grande parte das armas envolvidas em algum tipo de crime tem origem no contrabando por nossas fronteiras que estão quase que plenamente desguarnecidas de um controle eficiente, onde entram diariamente armas e drogas livremente.

Então eu pergunto ao caro leitor, armas de fogo matam? Ou criminosos matam? Cabe a nós uma reflexão e cobrar do poder público mais ações de combate, ao invés de tentar criar o mito de que a culpa dos homicídios são das armas de fogo e privar o cidadão de bem consciente e capaz de portar sua arma de fogo afim de lhe garantir a capacidade de defesa frente as ameaças que hoje temos em nossas cidades devido a obsolescência do estado e da justiça em fazer cumprir as leis e nos proporcionar a segurança.

Angelo. D. Nicolaci
Editor do GBN-GeoPolítica Brasil

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