sexta-feira, 5 de maio de 2017

Força de Paz brasileira na Síria?

Ontem (4) a notícia do interesse divulgado pela Rússia da participação de forças brasileiras no processo de paz sírio foi tema de muito debate e discussão nas redes sociais brasileiras, onde muitos apoiam tal ação, enquanto outros condenam a participação do Brasil em uma missão de paz no país árabe.

Segundo um acordo assinado entre a Rússia, Irã e Turquia,  seriam criadas zonas de exclusão na Síria, assim isolando os focos terroristas no país. Para compor a força de paz responsável pela manutenção destas zonas de exclusão, Moscou propôs a participação de países que estão fora do conflito sírio, dentre as nações cogitadas um dos primeiros nomes desta lista foi o Brasil, tendo sido apontado como alternativa de grande relevância, sendo ponto á favor do Brasil sua experiência na participação de forças de paz em diversos pontos do mundo, outra questão que leva á indicação brasileira, é a sua bem sucedida atuação a frente da MINUSTAH, missão de paz da ONU no Haiti, missão esta que esta chegando ao seu fim.

Outras nações cogitadas a atuar na estabilização do país árabe são Índia, sendo a Índia como Brasil, membro do BRICS, bloco econômico e político do qual a Rússia é um dos principais atores. Outra nação apontada é o Cazaquistão, antigo membro do "finado" bloco soviético e país da zona de influência russa.

A medida tem pleno apoio do governo legítimo da Síria, porém, sofre a rejeição por parte dos rebeldes da "Oposição Síria", que alegam que as zonas de exclusão poderia ser o prelúdio da divisão do país em zonas de influência entre iranianos, turcos e russos. 

As áreas apontadas para implantação da zonas de exclusão estão na província de Idlib, em Ghouta, no norte de Homs e na fronteira entre a Síria e a Jordânia.  As zonas de exclusão seriam usadas para permitir ajuda humanitária e abrigar pessoas que buscam se afastar do conflitos.

A participação do Brasil viria a solucionar um dos entraves no processo de paz em andamento na região, pois Assad rejeita qualquer envolvimento turco ou europeu, enquanto a oposição se recusa a aceitar tropas russas ou iranianas. Diante deste quadro complexo, a atuação de uma força multinacional contando com tropas brasileiras, indianas e cazaques seria uma solução ao impasse entre os dois lados do conflito.
 
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que não houve nenhum comunicado ao Brasil nesse sentido, mas a tradição brasileira é “só participar de missões sob a égide da ONU”. Jungmann reforçou ainda que “essa decisão é do presidente Michel Temer”. Porém, segundo fontes do ministério da Defesa o Brasil demonstra interesse de participar em operações internacionais, principalmente com o fim da participação na bem sucedida operação no Haiti.

O Brasil possui tradição na participação de missões de paz, já tendo mobilizado ao longo de sua história cerca de 68 mil militares em atuações nos mais variados conflitos em que a ONU interviu. Hoje no Haiti possui cerca de 850 militares, sendo o líder da missão. Há outras forças brasileiras empenhadas em missões ao redor do globo, sendo por exemplo a Fragata Brasileira a capitânia da força-tarefa da ONU que garante a segurança do Mediterrâneo na área sob jurisdição libanesa.

O cenário sírio seria uma experiência nova as tropas brasileiras, representando um enorme ganho em conhecimento e novas táticas operacionais, onde poderiamos avaliar os novos meios adquiridos pelo Exército Brasileiro, como os VBTP "Guarani" e outros meios, além de representar uma missão de extremo risco, uma vez que estaria lidando com uma ameaça assimétrica do novo cenário geopolítico que atinge o mundo hoje.

Vale ressaltar que no final de abril o ministro da defesa brasileiro, Raul Jungmann, esteve reunido em Moscou com os homólogos russo e iraniano, reuniões as quais não foram divulgados o teor das conversas.


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