sábado, 6 de maio de 2017

Brasil se mostra contrário ao envio de tropas à Síria

Brasília se mostra contrária ao envio de tropas á Síria, informando que dificilmente enviará tropas para a Síria, em resposta a indicação da Rússia , deixando claro que só participaria dessa missão de paz se for sob a direção do Conselho de Segurança da ONU.
Raul Jungmann esclareceu á imprensa que não houve qualquer pedido oficial ao governo brasileiro em relação ao envio de tropas, salientando que o Brasil só participa de missões do Conselho de Segurança. O ministro da defesa brasileiro ainda esclareceu que em sua visita á Moscou nada a respeito foi discutido nas reuniões entre as partes brasileira e russa.
Moscou apresentou uma proposta para criação de zonas seguras que seriam geridas por forças de paz compostas por tropas de países neutros em relação ao conflito sírio, dentre estes foi aventada a participação do Brasil como um dos mantenedores da força de paz.
A criação das zonas de segurança tem por objetivo garantir a assistência humanitária aos civis e criar um refúgio aos que buscam se afastar das zonas de conflito, sendo também uma zona de exclusão aérea, a qual não poderá ser violada por aeronaves de combate que bombardeiam posições terroristas e sírias, tais como os bombardeiros dos EUA e seus aliados. 
O Brasil foi apontado como uma boa resposta as questões inerentes a força de paz em solo sírio por sua posição política, sendo uma indicação aceitável tanto pelos EUA e seus aliados, como pelo governo sírio, Rússia e seus aliados. Tal escolha não teria resistência do Ocidente à proposta elaborada no acordo firmado entre a Rússia, Irã e a Turquia.
Além do Brasil foram apontados Índia, Cazaquistão e Egito como possíveis candidatos ao envio de tropas para compor a força de paz. Vale ressaltar que todos os nomes indicados são países que de certa forma estão sob a zona de influência russa ou fazem parte do bloco econômico no qual a Rússia tem importante papel, como Brasil e Índia que fazem parte do BRICS, o Cazaquistão possui forte alinhamento político com Moscou, enquanto o Egito nos últimos anos tem fortalecido os laços com a Rússia em diversos campos, principalmente no de defesa, onde tem adquirido muito material de defesa de origem russa.
A questão síria é um tanto complexa, sendo um verdadeiro "balaio de gato", onde a complexidade geopolítica e os jogos de interesses dos atores envolvidos são um dos grandes fatores que tem impedido a solução do conflito. Pois de um lado temos a Rússia encabeçando uma intervenção direta no conflito, onde estabeleceu bases e tem um expressivo contingente militar e de consultores em apoio ao regime de Bashar al-Assad, a qual tem muito interesse em manter o governo legítimo sírio no poder, ao lado da Rússia temos o Irã e Turquia, onde o Irã é um dos grandes responsáveis pela discordância do ocidente e países árabes que apoiam a "Oposição Síria", sendo visto com grande desconfiança em relação aos seus reais interesses na solução do conflito e no apoio a Bashar al-Assad. A Turquia é um caso a parte, embora seja membro da OTAN e aliado dos EUA, recebendo em seu território aeronaves e tropas que tem atuado diretamente no conflito sírio, apresenta uma posição inconsistente, inicialmente se opondo a presença russa, tendo inclusive abatido uma aeronave russa sobre o território sírio que sobrevoava próximo a suas fronteiras, hoje se mostra mais inclinada á uma aproximação política e militar com a Rússia, com a mesma negociando a aquisição de sistemas de defesa de origem russa, enquanto vem se distanciando de seus aliados originais da OTAN, levanta muitas suspeitas sobre suas reais intenções e direção política, apontado para uma terceira via, onde se mostra inclinada a manter relações tanto com o ocidente (OTAN) como com a Rússia, buscando um ponto de "independência" política e militar.
O contexto do conflito sírio é hoje um verdadeiro vespeiro do ponto de vista geopolítico e de interesses intergovernamentais, no qual o Brasil é apontado como um ator coadjuvante para tentar amenizar as tensões e ser um canal pelo qual possa ser alcançado os interesses do governo legítimo sírio junto ao ocidente. 
Do ponto de vista técnico-operacional, a participação de forças de paz brasileiras no conflito representaria um enorme ganho em experiência operacional em um teatro adversos em que há ameaças inerentes aos modernos conflitos assimétricos, cenário o qual o Brasil ainda não possui experiência prática de ação, além de representar uma excelente oportunidade para avaliar e desenvolver os novos meios das forças armadas brasileiras, onde haverá oportunidade de avaliar os equipamentos brasileiros em atuação real em situações extremas e adversas, o que pode resultar não só no aprimoramento de nossos meios, como também pode abrir o mercado internacional aos produtos de defesa brasileiros operados neste cenário.
O fato é que o governo brasileiro já se colocou à disposição para liderar uma nova missão de paz da ONU, uma vez que chega ao fim sua bem sucedida atuação no Haiti ao fim desse ano. Porém, a ONU ainda não manifestou interesse em capitanear uma missão de paz em solo sírio.
Ficamos na observação da evolução deste assunto e manteremos nossos leitores atualizados em relação a essa questão de suma importância estratégica.

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Angelo Nicolaci - Editor e Jornalista, graduando em relações internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do Oriente Médio e Leste Europeu, Rússia e questões geopolíticas e de defesa brasileiras.

5 comentários:

traduzindo, SE OS AMERICANOS NÃO MANDAR AS CADELAS NÃO FAZEM. NOJENTO ISSO.

Independentemente de quem pedir, acho que o Brasil não deveria entrar nesta furada!

Independentemente de quem pedir, acho que o Brasil não deveria entrar nesta furada!

Vocês já se perguntam qual a real finalidade deste conflito armado na Síria, pois é a resposta real com certeza jamais será divulgada mais uma coisa tenho certeza poder e dinheiro estão incluídos nesse pacote.

Tudo começou com a pretensão de fazer o gasoduto katar-UE, passando pela Siria, que tiraria poder da Russia/Gaspron. Dois ou mais coelhos com uma só paulada.

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