sábado, 15 de outubro de 2016

O Exército Brasileiro e os seus desafios


Defender um território com dimensões continentais, cercado por dez outras nações, muitas destas enfrentando problemas em suas fronteiras e mesmo em guerra contra agentes internos, como no caso da Colômbia, é uma missão árdua. Somando a defesa da integridade territorial e controle das fronteiras soma-se ainda as missões de paz , projetando a Imagem do Brasil e sua responsabilidade no cenário mundial, essa é a importante missão do Exército Brasileiro .

Porém, hoje nós vemos nosso Exército em uma situação muito difícil, enfrentando a já histórica falta de recursos orçamentários e o mais agravante, a falta de recursos técnicos para cumprir adequadamente sua grandiosa missão. Fuzis e blindados em grande parte encontram-se defasados tecnologicamente, vide os nossos EE-9 "Cascavél" que só agora após tantos anos de serviço passará por um programa de modernização,  ainda que nos últimos anos tenha se investido na aquisição de "novos" MBT's Leopard 1A5 e estejam chegando os lotes do VBTP "Guarani", ainda nos falta um número que seja suficiente a garantir um efetivo capaz de nos prover uma real capacidade de defesa e resposta, ainda é fato a falta de uma real proteção anti-aérea, bases com infra-estrutura defasadas, são alguns de muitos problemas enfrentados , tendo o soldado brasileiro na própria estrutura disponível hoje um dos principais obstáculos a serem superados para o cumprimento de sua missão.

Mesmo com um grande efetivo o seu orçamento não condiz com suas necessidades, deixando muito a desejar. Se formos comparar ao reequipamento pelo qual passam outras forças ao redor do mundo, a distancia é imensa. Então olhando para nosso próprio quintal, temos também uma relativa discrepância entre as nossas 3 forças, onde a FAB tem conseguido com seu parco orçamento conduzir o programa de seu novo caça de primeira linha, tem participado no desenvolvimento de seu novo e revolucionário cargueiro, o KC-390, tudo embora enfrente um corte significativo em seu orçamento, o que em grande parte afeta até mesmo sua capacidade operacional. A Marinha tem segurado a rédeas curtas a renovação da esquadra, com a compra de novos submarinos e navios, embora ainda haja um grande abismo entre as suas necessidades e os meios dos quais dispõe afim de cobrir essa lacuna, mantendo embora em ritmo menor a construção dos seus submarinos e a aquisição por ocasião de alguns meios e ainda adentrando em programas que futuramente irão atender aos seus requisitos, como o LSS italiano. Enquanto o EB tem como principal objetivo e o único até agora definido a aquisição de novas viaturas VBTP Guarani para substituir os “velhos” Urutus, e o recente anúncio da modernização de alguns EE-9 afim de manter a capacidade da força, o novo fuzil de assalto IA-2 inicia a fase de testes com o EB, um importante movimento no caminho de dotar a força de um fuzil moderno e mais capaz que o vetusto FAL,  enquanto o mesmo ainda carece dos demais meios, como um sistema de defesa anti-aéreo e uma infinidade de outros recursos. A boa noticia é que a força mantém firme nos seus esforços de se modernizar e conquistar novos meios e capacidades, como a futura reativação da aviação de asa fixa, alvo de crítica por alguns, porém, medida que vejo como um importante passo no sentido de manter uma capacidade logística mais robusta em relação a grande dependência das aeronaves da FAB, garantindo maior autonomia a força e resposta mais adequada as suas necessidades, para tanto o EB recentemente avaliou alguns exemplares do C-23 Sherpa excedentes dos EUA.


"Estratégia Braço Forte"

Ao Ministério da Defesa, o Exército chegou a apresentar seus planos de reestruturação, chamados de "Estratégia Braço Forte": R$ 7,5 bilhões necessários a cada ano até 2030. Um valor considerável para elevar o EB hoje em estado de de relativa obsolescência em alguns campos ao “Estado da Arte”. Lembrando que isso se faz necessário ao Brasil, uma vez que temos uma maior visibilidade no cenário internacional e o mundo lá fora passa por momentos de tensão que poderão culminar em conflitos nos quais possamos ser envolvidos.

Infelizmente nosso governo não vê com seriedade as necessidades de nossas Forças armadas, em especial do EB. Pois a soma dos recursos destinados aos três juntos não seria suficiente para trazer uma destas forças ao “Estado da Arte”, ainda mais quando vemos constantes contingenciamentos de recursos que obrigam as Forças a fazerem verdadeiros milagres para se manter operacional. Como assistimos nos últimos anos do antigo governo, o constante corte de recursos e os "calotes" no pagamento á indústria de defesa de sua parcela no desenvolvimento e atualização de meios.

O Exército Brasileiro

Apesar de toda a crise orçamentária e o orçamento curto que enfrentam os seus batalhões e brigadas, o Exército Brasileiro possui ainda assim um alto índice de credibilidade da população em geral. Em diversas pesquisas o EB desponta entre as instituições que possuem mais confiança e reconhecimento, tendo em muitas vezes sido visto como a solução para o problema de segurança pública diante da crescente onde de violência nas principais cidades do Brasil, como resposta ao aumento da organização e a ousadia do narcotráfico.

Mas embora seja uma corporação séria e bem organizada, o EB não é uma instituição apropriada para o combate ao crime organizado como uma força policial. Sendo comum ouvirmos nas ruas pela população que os mesmos querem o EB atuando nas ruas. Um dos pontos principais que deve ser considerado é que o armamento e a doutrina do EB é voltada para o combate contra outras forças de igual peso ou insurgência, ainda recebendo recentemente preparo para lidar com ameaças terroristas, a prova disso é a dotação de armamento pesado com alto poder de destruição, o que se faz necessário numa guerra, pois a necessidade em tal campo de batalha é neutralizar o inimigo pela força, destruindo o inimigo se necessário. Logo vemos que tal doutrina não se aplica aos morros e favelas do Rio de Janeiro ou São Paulo.

O que precisamos hoje é de um exército atuante nas regiões fronteiriças de nosso país, controlando e combatendo a entrada de armas e drogas, ai sim sendo adequadas neste emprego.

Com relação à segurança pública, o mesmo pode oferecer suporte em relação ao treinamento de forças táticas policias, cedendo às instituições a utilização de seus centros de treinamento. Pois o grande vilão hoje no combate ao crime tem sido dois fatores básicos com os quais nossos governantes devem se preocupar e buscar uma solução, a saber o déficit de policiais e a capacitação dos mesmos. Pois é comum vermos no Estado do Rio de Janeiro a falta de soldados na caserna, isso fica claro quando é levado a cabo alguma operação, quando é comum o deslocamento de contingentes de diversas outras áreas para dar apoio, o que deixa a área de origem do contingente desprovida de cobertura. Esse assunto precisa ser enfrentado pelo governo estadual com auxílio federal. Mas não é a utilização das Forças Armadas como 'quebra-galho' que vai resolver o problema. Outro fator é o real investimento em políticas preventivas e de investigação, além de um endurecimento nas leis e a redução de direitos aos meliantes, associados á uma política real de educação político-social e capacitação técnica afim de garantir aos jovens a capacitação adequada para ingressar no mercado de trabalho, além de reduzir incentivos fiscais á empresas sem que haja um real retorno aos cofres do estado.

O Exército brasileiro possui uma das melhores tropas de combate em ambiente de selva em todo o mundo. Mesmo diante de tantas limitações técnicas, o EB é tido como um centro de excelência quando o assunto é guerra na selva, tendo o seu “Centro de Instrução de Guerra na Selva” (CIGS) sido uma das mais procuradas instituições internacionais para adestramento de tropas neste cenário, recebendo militares de diversos países para receber treinamento com nossos instrutores.

Apesar dos avanços propostos pela Estratégia Nacional de Defesa, a distância para com o cidadão comum, a defasagem dos aparelhos e a necessidade de qualificação do efetivo mostram que ainda há muito ser feito para que o quinto território mais extenso do mundo esteja, de fato, protegido. 

É digno de honra o trabalho de nossos militares para manter a defesa de nossa nação e o cumprimento de seu dever, algo que sempre tem sido feito com louvor em todas as ocasiões que lhe é exigido, como foi durante os Jogos Olímpicos Rio2016.

Autor: Angelo D. Nicolaci

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