quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cinco anos após Khadafi, previsões do GBN sobre a Líbia se cumprem como profecia...

Após cinco anos da deposição e assassinato do líder Líbio, Muammar Khadafi, vemos os tristes resultados de uma ação inadvertida e uma política externa míope das nações europeias e dos EUA em sua cruzada "libertadora e democrata" que vitimou mais uma nação, sentenciando o povo líbio a miséria e ao terror de um estado falido e sem coesão política ou ao menos um governo de verdade.

Há cinco anos eu havia publicado uma série de artigos e matérias advertindo sobre os riscos de derrubar o governo de Khadafi e tentar impor um governo fantoche com fins de garantir os interesses dos EUA e seus aliados europeus na rica nação do norte da África.

A todo momento assistimos na grande mídia massantes notícias que acusavam Khadafi de estar atacar de forma cruel e desumana o povo líbio, levando a opinião pública a crer de forma errada que a única via seria a derrubada do líder líbio. 

Há muitos anos a propaganda tem sido largamente utilizada pelos governos, principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial, onde os fatos que culminaram no surgimento de um  esquema político que tornou o mundo dividido em torno de um domínio bipolar das forças geopolíticas que regiam o tabuleiro geopolítico, estando dividido entre EUA x URSS. Nesta época que chamamos de Guerra-Fria, a maior arma utilizada não foram canhões, misseis, aviões ou os poderosos arsenais nucleares, mas sim o poder da propaganda e da mídia. Assim a mídia se constitui em uma arma poderosa para possibilitar governos e distintos grupos a atingir determinados objetivos, basta observar o ocorrido após os ataques de 11 de setembro com a propaganda massiva da Guerra ao Terror, onde valendo-se de provas falsas e forjadas para defender seus planos, o governo de Bush com apoio inglês de Tony Blair, manipularam a opinião pública e garantiu que fosse levada a cabo a invasão do Iraque sob falsas informações de que o mesmo possuía armas de destruição em massa e não só isso, também falsas afirmativas de ligações de Saddam com as redes terroristas da Al-Qaeda, algo inconcebível e jamais provado.

Mais um vez nos deparamos com o uso massivo da mídia como uma das armas de guerra no falso conflito de libertação da Líbia. Informações desencontradas, mentiras e noticias direcionadas a dar respaldo aos interesses escusos de determinado grupo inundaram as nossas redes de informações. Mas eu pergunto ao amigo leitor, em quem devemos acreditar? O que é verdade e o que tem sido mentira?

Khadafi foi um ditador, isso concordo plenamente. Mas será que Khadafi foi um ditador sanguinário que massacrou seu próprio povo? 

Em minha concepção após acompanhar por alguns anos os indicadores de desenvolvimento da África e o governo em especial da Líbia por ter sido este país um bastião de desenvolvimento na região tão empobrecida e miserável como é o continente Africano em grande parte. Vejo que temos tido uma visão míope e tendenciosa da grande mídia com relação a imagem de Khadafi e a nação Líbia. Vou listar aqui alguns pontos que não vi em momento algum serem ressaltados em qualquer mídia, mesmo hoje após o velado fracasso da ação militar perpetrada pela OTAN em derrubar Khadafi, e com isso assumo uma posição suscetível a criticas e mesmo á represálias por defensores das políticas selvagens da OTAN e seus estados, além dos ditos defensores dos direitos humanos.

Se me recordo bem, no ano de 2007 nos indicadores da ONU, a mesma que deu carta branca e permitiu o ataque criminoso da OTAN á Líbia, constatei os seguintes fatos:

- A Líbia possuía o maior IDH do continente Africano, valendo salientar que este IDH superava até mesmo o brasileiro e o de muitas nações europeias.

- A Líbia fornecia educação gratuita até a formação em nível superior, tendo um índice baixíssimo de analfabetismo.

- A Líbia de Khadafi sustentava cerca de 10% de seus jovens em cursos de nível superior na Europa e EUA.

- A Líbia de Khadafi presenteava casais recém casados com um bônus de até 50 mil dólares.

- A Líbia de Khadafi provia ao seu povo um sistema de saúde moderno, comparável aos mais altos padrões europeus gratuitamente.

- A Líbia de Khadafi através de seu banco estatal fornecia linhas de credito á seu povo com taxa de juros zero.

- A Líbia de Khadafi criou o maior sistema de irrigação do mundo, e vinha tornando o deserto (95% da Líbia), em fazendas produtoras de alimentos.

- A Líbia de Khadafi distribuiu a renda do petróleo entre a sua população.

Estes são alguns de vários exemplos que podemos citar, mas que por motivos óbvios que não preciso nem comentar, levaram tais fatos a ser encobertos e não propagados ao mundo pelos barões da mídia que se vendem aos interesses alheios á verdade.

O que assistimos há cinco anos na Líbia não foi como não cansavam de repetir nos meios de comunicação, um ataque do governo contra um povo, ou uma manifestação pacífica que foi cruelmente reprimida por um sanguinário ditador, que é como pintaram Khadafi. 

Primeiro ponto que derruba toda teoria que foi defendida é o simples fato que um grupo opositor ao governo legitimamente reconhecido, através do uso de armas e violência promoveu um levante em uma região específica do país. Insiro aqui um fato que não foi revelado na mídia, os opositores de Khadafi ao iniciar a sua campanha de insurreição e levante armado vitimaram centenas de civis inocentes que apoiavam o governo nas regiões onde tomaram o controle. Promoveram saques e execuções sumárias que foram mantidas encobertas da opinião pública mundial pela OTAN.

Segundo ponto importante a ser considerado é que Khadafi ordenou bombardeios sim, mas os alvos sempre foram desde o principio os paióis de armas e munições das forças armadas líbias que caíram em poder dos insurgentes, muito diferente da versão apresentada pela mídia ocidental.

Terceiro fato e um dos mais importantes, todo estado tem direito de fazer uso de suas armas para se defender de ameaças externas e internas que venham a por em risco a integridade do estado. O que vimos na Líbia foi claramente um estado de insurreição, onde de um lado tínhamos o Estado Líbio e de outro uma força insurgente fazendo uso de armas para derrubar um governo legítimo reconhecido pela ONU, algo totalmente fora do contexto ocorrido nos demais estados árabes que enfrentaram as revoluções por direitos democráticos na dita "Primavera Árabe".

Em resumo o que assistimos foi uma clara violação da Carta das Nações Unidas. Onde a ONU deu respaldo para que a OTAN, uma organização que perdura mesmo após o fim da ameaça para a qual foi criada á contrapor, que hoje deixou seu teatro de operações original que é o europeu e passou a tornar-se uma ferramenta militar coativa da UE e EUA para defesa seus interesses, a atuar na Líbia como força de intervenção, supostamente encarregada de criar e manutenir uma zona de exclusão aérea para que fosse possível inserir ajuda humanitária as vítimas daquele conflito civil.

O que vimos não foi o cumprimento de uma zona de exclusão aérea, pois o mesmo se limitaria a delimitar uma zona onde fosse proibido o sobrevoo de aeronaves militares Líbias ou rebeldes, e não o ataque a posições do exército líbio e a infraestrutura de defesa do Estado legítimo. O que ocorreu foi um claro desrespeito a resolução adotada, pois a OTAN atuou em apoio as forças rebeldes, tomando assim partido dentro de uma questão interna do Estado Líbio ao qual não cabe qualquer intervenção internacional. Pior a OTAN contribuiu de maneira decisiva no esforço para derrubada de um governo legitimado que possuía apoio de mais de 80% de sua população, e que em suas ações ditas de "ajuda Humanitária" vitimou civis aos quais deveria proteger e forneceu armas e meios para que os grupos rebeldes tomassem o país e instaurassem o caos.

Vamos entender um pouco mais ao abordar os interesses externos na Líbia de Khadafi:

- A Líbia de Khadafi possui uma reserva de mais de 45 bilhões de barris de petróleo de alta qualidade.

- A Líbia de Khadafi juntamente com a Síria de Al-Assad, nação que hoje enfrenta uma difícil guerra civil, eram os únicos Estados do mediterrâneo não alinhados as políticas da OTAN.

- O Banco Central Líbio não fazia parte do sistema Financeiro mundial. Possuindo reservas com toneladas de ouro, dando respaldo ao valor do dinar, e desatrelando das flutuações cambiais do dólar.

- A Líbia de Khadafi propôs e quase teve êxito na criação de uma moeda africana unificada desligada do dólar e do sistema financeiro mundial, com isso criando mais um fator pelo qual houve tamanho interesse de derruba-lo do poder.

- Após a queda de Khadafi, ficou clara a política da OTAN de tentar implantar um governo fantoche para se apoderar do controle das reservas petrolíferas, além de garantir bilhões em contratos de suas empreiteiras na reconstrução da infraestrutura líbia que foi aniquilada pelos bombardeios. Porém, como temos acompanhando, foi um fracasso, assim como se deu no Iraque.

Em resumo o que vemos na mídia em grande parte são mentiras ou meia-verdades usadas para garantir o apoio internacional a guerras sujas e desumanas como a que vimos na Líbia, ou a que temos assistido na Síria, onde um grupo de rebeldes, em grande parte membros de grupos extremistas islâmicos, tentam derrubar um governo que tem apoio da grande maioria de seu povo, isso tudo com apoio financeiro, militar e de meios fornecidos direta ou indiretamente pelos EUA e seus aliados, não estando tudo perdido graças a posição russa que saiu da condição neutra que adotou no caso Líbio, para uma postura firme e de defesa do povo sírio e seu governo.

Agora como eu já havia advertido, hoje assistimos de mãos atadas aos resultados de um verdadeiro crime perpetrado pela OTAN, que deu a "luz" á um novo estado que não é nação e vimos nascer mais um poço de lama mais grave e emblemático que Afeganistão ou Iraque. Como previ há cinco anos, com a queda de Khadafi, a África perdeu o seu único bastião de desenvolvimento e em seu lugar surgiu mais um estado fraco e um covil de terroristas e toda sorte de criminosos internacionais.


por: Angelo D. Nicolaci - Jornalista e editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do Oriente Médio, Leste Europeu e Rússia, pesquisador de historia militar e assuntos de segurança e defesa.

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