terça-feira, 25 de outubro de 2016

Base militar russa na Venezuela

O presidente russo, Vladimir Putin, não esconde a intenção de restaurar a força e a influência de seu país, em declínio com o desaparecimento da União Soviética, para recuperar o status de potência grande
e respeitada. 


A atitude mais agressiva e mais militante da Rússia no cenário internacional pode ser medida, nos momentos atuais, pela aparente interferência no monitoramento e na divulgação de e-mails e de informações da candidata democrata, Hillary Clinton, que, se comprovada, representa uma clara ingerência nas eleições dos EUA; pelo apoio militar ao regime de Bashar Assad, na Síria, sobretudo pelos ataques aéreos na cidade de Alepo; pela anexação da Crimeia e pela insinuação do uso de armas nucleares. Recentemente, Putin transferiu mísseis nucleares para as proximidades da Polônia e da Lituânia. Porta-aviões russo passou pelo Mar do Norte e pelo Canal da Mancha. Ameaçou derrubar aviões dos EUA que venham a atacar as tropas de Assad. E o embaixador russo na ONU declarou que as relações com os EUA estão no nível mais baixo em 40 anos.
Não parece ser um sinal de força a atitude beligerante de Moscou. É mais provável que seja uma tentativa de compensar sua vulnerabilidade interna, visto que a Rússia enfrenta graves problemas em sua economia, na política e na sociedade. A população está envelhecendo rapidamente e poderá estar reduzida em mais de 10% ao redor de 2050. Fracassou a tentativa de usar o boom das matérias-primas para modernizar o Estado e a economia. Depois de crescer 7% no início do governo Putin, a economia está encolhendo, em parte por causa das sanções da comunidade internacional pela anexação da Crimeia e em parte pela corrupção e pela queda do preço do petróleo.
A ampliação da presença russa no mundo está também chegando à América do Sul. Segundo Roberto Godoy, bem informado especialista de Defesa deste jornal, a Rússia estaria pretendendo montar no litoral caribenho da Venezuela uma base aeronaval ou um centro de apoio técnico para navios e aviões de ataque em missão de longa distância. A iniciativa de Putin faria parte do plano de recuperação de instalações militares que eram mantidas em 15 países pela ex-União Soviética. O complexo russo poderia ser construído em Puerto Cabello, no litoral norte da Venezuela, onde funciona a base Agustín Armario, a maior da Marinha local.
A pretensão russa de estabelecer uma base na América do Sul seria o segundo caso na região. A Argentina assinou um tratado na área de defesa e cooperação espacial que prevê a construção pela China de uma base espacial na província de Neuquén. Esta base, que foi estabelecida no marco do programa chinês de exploração da Lua, representará investimento direto de cerca de US$ 300 milhões e já está operacional. Segundo admitiram as autoridades argentinas, a base tem por objetivo “realizar tarefas de monitoramento, controle e coleta de dados no marco do programa chinês de missões para a exploração da Lua e do espaço”. Apesar de não contar com a aprovação do Congresso – que não recebeu diversos acordos secretos anexados ao tratado –, o governo argentino decidiu autorizar a construção da base espacial, que é totalmente operada pela China. A Comissão Nacional de Atividade Espacial argentina e a Agência Nacional Chinesa de Lançamento, Seguimento e Controle Geral de Satélites trabalharão conjuntamente a partir da instalação da estação espacial. Fontes militares argentinas qualificadas manifestaram preocupação pelo eventual uso militar da estação chinesa em território argentino e não descartam a possibilidade de as antenas realizarem tarefas de seguimento de mísseis. A estação de Neuquén disporá de uma rede de telemetria, seguimento e controle de uso civil e militar. A tecnologia sensível, de uso dual, poderá ser utilizada para o seguimento da atividade aeroespacial e de mísseis.

O Brasil tem tradicionalmente tomado posição contra a instalação de bases militares na América do Sul, como ocorreu quando surgiram notícias a esse respeito, que não vieram a confirmar-se, na Colômbia e no Paraguai. O lulopetismo silenciou por vários anos acerca da base chinesa na Argentina por considerações ideológicas e de paciência estratégica. O governo brasileiro deveria manifestar-se de forma inequívoca em relação tanto à base já instalada no sul da Argentina quanto à eventual base na Venezuela. É inaceitável para o Brasil haver bases militares de potência extrarregional em nosso entorno de paz e cooperação. O Brasil deveria convocar o Conselho de Defesa da Unasul para tratar do assunto e, se confirmadas as notícias, também a Organização dos Estados Americanos (OEA) e mesmo as Nações Unidas.
O Congresso Nacional, ao receber e debater a versão atualizada da Estratégia Nacional de Defesa e da Política Nacional de Defesa, terá também oportunidade de se pronunciar. Os documentos reafirmam a opção do Brasil pela combinação entre o hard power (força militar) e o soft power (persuasão diplomática), dosados segundo uma apreciação equilibrada da real capacidade do países. 
O Itamaraty e o Ministério da Defesa deverão reunir-se em breve para tratar de interesses comuns na defesa e na segurança da região e para estabelecer um mecanismo permanente de consulta entre as duas pastas, destinado a garantir interação e interface das ações diplomática, de defesa e de comércio exterior.

A prioridade do continente sul-americano para o País não se deve limitar aos interesses econômicos, políticos e comerciais. Deve também incluir a defesa regional, em razão do que o ministro Raul Jungmann chamou de “solidão estratégica” vivida pela América Latina desde o fim da guerra fria, nos anos 1990. O Brasil deveria, com firmeza, manifestar-se na defesa de seus próprios interesses.

Fonte: Estadão

2 comentários:

eu sou um leitor a algum tempo, tempo este que nao tinha visto tanta porcaria e insinuaçoes sem nexo, nestas paginas, ate hoje os posts que tinha lido nao continham lado mas parece que o post vai mudar seu jeito analitico de ser escrito.

Grande Paulo, este post é um clipping, se você verificar outra postagem sobre este assunto notará que há uma nota do GBN ao fim. Infelizmente a mídia esta muito corrompida e busco ao máximo filtrar e postar matérias de mais de uma fonte afim de possibilitar o cruzamento de informações. As matérias próprias onde eu trabalho a matéria em campo e diretamente com fontes e pesquisas fica com conteúdo mais "cristalino".

Obrigado por sua participação, sinta-se á vontade para nos encaminhar sugestões e sua opinião. Esse espaço pertence a todos nós e a interação é de grande importância ao nosso trabalho.

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