segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Reino Unido acelera a modernização do Eurofighter com o radar ECRS Mk2 e reforça capacidades de guerra eletrônica

O Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou uma nova encomenda de 40 radares multifuncionais AESA ECRS Mk2 destinados à modernização da frota de caças Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real (RAF). Avaliado em aproximadamente 650 milhões de libras, o contrato reforça a prioridade britânica em ampliar as capacidades de guerra eletrônica, supressão e destruição de defesas aéreas inimigas em um ambiente operacional cada vez mais contestado.

A decisão de avançar com uma encomenda adicional sinaliza que o ECRS Mk2 deixou de ser apenas um programa de atualização incremental e passou a ocupar posição central na estratégia britânica de combate aéreo. Em um contexto marcado pela proliferação de sistemas avançados de defesa aérea, sensores distribuídos e ameaças de negação de área, o radar torna-se um elemento crítico para a sobrevivência e a eficácia dos vetores de combate.

O Reino Unido, em parceria com a Itália, lidera o desenvolvimento e a introdução operacional do ECRS Mk2, que representa um salto qualitativo significativo em relação ao radar ECRS Mk0 atualmente em serviço. A ênfase do novo sistema não está apenas na detecção e rastreamento de alvos, mas na integração profunda de capacidades de guerra eletrônica ao próprio radar, ampliando o papel do Typhoon como plataforma multifuncional em operações de alta intensidade.

Desenvolvido conjuntamente pela BAE Systems e pela Leonardo UK, o ECRS Mk2 responde a uma exigência específica da RAF por maior potência de saída e capacidades aprimoradas de SEAD e DEAD. A incorporação dessas funções diretamente no radar permite que a aeronave atue de forma mais autônoma, reduzindo a dependência de plataformas dedicadas exclusivamente à guerra eletrônica e aumentando a flexibilidade tática do conjunto.

Entre as principais melhorias introduzidas pelo ECRS Mk2 destaca-se a formação de feixe adaptativa, que permite ao radar ajustar dinamicamente seus padrões de emissão para evitar interferências inimigas e operar de forma mais resiliente em ambientes eletronicamente degradados. A presença de receptores dedicados para funções de ESM amplia a consciência situacional da aeronave, permitindo não apenas detectar emissões adversárias, mas também classificá-las e explorá-las de forma ativa no planejamento da missão.

Outro avanço relevante está no aumento da potência de interferência, aspecto fundamental para missões de supressão de defesas aéreas modernas. Ao combinar capacidades de radar e de guerra eletrônica em um único sistema, o Typhoon equipado com o ECRS Mk2 passa a desempenhar um papel mais agressivo na penetração de áreas fortemente defendidas, degradando sensores inimigos e abrindo janelas de oportunidade para outras plataformas.

Do ponto de vista tecnológico, o radar incorpora uma arquitetura de antena reformulada, combinando módulos de transmissão e recepção baseados em GaN e GaAs. Essa solução híbrida permite elevar a potência, a eficiência térmica e a confiabilidade do sistema, além de aumentar o número total de TRMs em comparação com o ECRS Mk0. O resultado é um radar com maior alcance efetivo, melhor desempenho em ambientes saturados e maior versatilidade de modos de operação.

Enquanto o Reino Unido e a Itália avançam com o ECRS Mk2, a Alemanha e a Espanha optaram por uma solução alternativa para a modernização de suas frotas de Eurofighter. O radar ECRS Mk1, desenvolvido pela Hensoldt em parceria com a Indra, será adotado tanto para a atualização das aeronaves em serviço quanto para futuras encomendas. Essa divisão reflete abordagens distintas dentro do consórcio Eurofighter, equilibrando requisitos operacionais, custos e estratégias industriais nacionais.

A coexistência das versões Mk1 e Mk2 ilustra a flexibilidade do programa Eurofighter, mas também evidencia uma tendência mais ampla: a fragmentação de soluções tecnológicas dentro de alianças, à medida que cada país busca alinhar capacidades militares com interesses industriais e estratégicos próprios. No caso britânico, a aposta em um radar com forte ênfase em guerra eletrônica reforça a intenção de manter o Typhoon relevante frente a ameaças de última geração, mesmo em um cenário de transição para plataformas de quinta e sexta gerações.

A encomenda dos ECRS Mk2, portanto, não deve ser vista apenas como uma atualização de sensor, mas como parte de uma reconfiguração mais ampla do papel do Eurofighter no combate aéreo moderno. Ao integrar detecção, ataque eletrônico e supressão de defesas em um único sistema, o Reino Unido busca garantir que sua frota permaneça capaz de operar com credibilidade em teatros altamente contestados, preservando autonomia operacional e relevância estratégica nas próximas décadas.


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