domingo, 18 de janeiro de 2026

Drone MQ-9B SeaGuardian avança na guerra antissubmarino com balizas multiestáticas

A General Atomics Aeronautical Systems (GA-ASI) anunciou em 13 de janeiro de 2026 a conclusão bem-sucedida de um teste prolongado das capacidades de guerra antissubmarino do drone MQ-9B SeaGuardian. A demonstração, realizada em 17 de dezembro de 2025 com o apoio da Marinha dos EUA, marcou a primeira vez em que um veículo aéreo não tripulado lançou balizas acústicas ativas multiestáticas de forma operacional, abrindo novas possibilidades para vigilância marítima e controle de ameaças submarinas. O local exato do teste não foi divulgado.

O programa AIRWorks, que supervisionou a avaliação, tinha como objetivo certificar operacionalmente o Sistema de Dispensação de Sonoboias (SDS) do MQ-9B. Segundo a GA-ASI, o teste expandiu a capacidade do sistema, utilizando pelo menos dois módulos SDS, cada um capaz de transportar 10 balizas do tipo A ou 20 do tipo G. Em plena configuração, o SeaGuardian poderia transportar até quatro módulos, chegando a 40 balizas A ou 80 balizas G, um avanço relevante para uma plataforma não tripulada.

Embora o SeaGuardian não substitua plataformas dedicadas como o P-8A Poseidon ou o helicóptero MH-60R Seahawk, que podem lançar um volume muito maior de balizas, ele oferece vantagens estratégicas claras: longo alcance, baixo custo operacional e capacidade de manter vigilância prolongada sobre vastas áreas oceânicas. Essa flexibilidade posiciona os drones como ferramentas essenciais para monitoramento de submarinos modernos, especialmente aqueles projetados para operar de forma silenciosa e evasiva.

O investimento da Marinha dos EUA reforça essa tendência: 20.000 sistemas AN/SSQ-125 foram encomendados em contrato de cerca de US$ 101,7 milhões, indicando que a adoção de drones e sistemas multiestáticos é parte de uma estratégia de longo prazo. O objetivo é criar uma capacidade de guerra antissubmarino distribuída, capaz de cobrir áreas extensas e reduzir zonas mortas que os sistemas clássicos monoestáticos não conseguem eliminar.

As balizas acústicas multiestáticas representam um salto tecnológico em relação aos sistemas convencionais. Enquanto os faróis tradicionais emitem e recebem sinais no mesmo ponto, os sistemas multiestáticos se distribuem em rede: um ou mais faróis emitem o pulso acústico e outros, posicionados a distância, recebem os ecos. Esse método gera múltiplos ângulos de varredura, dificultando que o submarino detecte a fonte do sonar e realize manobras evasivas efetivas. Além disso, a cooperação entre os sensores reduz a quantidade de balizas necessárias para cobrir grandes áreas, tornando o sistema mais eficiente e menos vulnerável.

Essa evolução reflete uma mudança na guerra antissubmarino, que passa a privilegiar plataformas aéreas não tripuladas, sistemas distribuídos e interoperáveis, capazes de enfrentar submarinos silenciosos e tecnologicamente sofisticados. O MQ-9B SeaGuardian, ao integrar lançamentos de balizas multiestáticas e vigilância de longo alcance, torna-se uma peça estratégica na proteção de rotas marítimas vitais e no controle de áreas oceânicas críticas.

Para países com interesses em segurança marítima e monitoramento de regiões estratégicas, como o Atlântico Sul, o avanço do SeaGuardian demonstra que sistemas não tripulados podem complementar forças tradicionais, oferecendo persistência, rapidez e economia operacional. A tendência é que plataformas desse tipo sejam cada vez mais incorporadas a redes de vigilância e inteligência, conectadas a navios, aeronaves tripuladas e centros de comando, ampliando a capacidade de resposta a ameaças submarinas em tempo real.

O teste da GA-ASI confirma que drones de grande porte podem desempenhar funções tradicionalmente reservadas a plataformas caras e limitadas em alcance, abrindo espaço para uma nova abordagem na guerra antissubmarino global, mais ágil, distribuída e resiliente. Para o Brasil, com sua extensa zona econômica exclusiva e interesse estratégico no Atlântico Sul, investir em soluções desse tipo se mostra essencial. Empresas nacionais como ADTech, XMobots e Stella possuem capacidade tecnológica para desenvolver plataformas e sistemas de monitoramento semelhantes, fortalecendo a soberania marítima e ampliando a presença nacional em um cenário de segurança regional cada vez mais complexo.


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