terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Drones ucranianos colocam à prova a defesa aérea russa e expõem limites de sistemas

Ao longo dos últimos meses, a guerra aérea entre Rússia e Ucrânia entrou em uma nova fase, marcada pelo uso crescente de drones ucranianos de longo alcance contra alvos estratégicos em profundidade. Informações divulgadas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia indicam que essa campanha resultou na destruição ou neutralização de sistemas de defesa aérea russos avaliados em cerca de quatro bilhões de dólares, atingindo diretamente alguns dos meios mais sofisticados do arsenal de Moscou.

Segundo o SBU, foram afetados sistemas considerados pilares da defesa aérea russa, como os complexos S-300, S-350 e S-400, além dos sistemas Buk-M1, Buk-M2, Pantsir-S1 e Pantsir-S2. Também teriam sido registradas perdas relevantes em radares de vigilância, aquisição e guiagem, componentes essenciais para o funcionamento integrado do sistema antiaéreo multinível da Federação Russa.

De acordo com a avaliação ucraniana, os ataques tiveram um efeito que vai além da destruição pontual de baterias e sensores. A neutralização seletiva desses meios teria aberto brechas no dispositivo defensivo russo, permitindo a criação de corredores aéreos explorados por drones de longo alcance. Esses vetores passaram a alcançar bases militares, aeródromos, depósitos logísticos e outras instalações sensíveis em áreas sob controle russo.

Até o momento, Moscou não apresentou resposta oficial às informações divulgadas por Kiev. O silêncio ocorre em um contexto no qual a Ucrânia busca ampliar o uso de capacidades de ataque à distância como forma de compensar sua desvantagem numérica e material no combate terrestre, apostando na combinação entre tecnologia, inteligência e ações assimétricas.

A real dimensão do impacto desses ataques, no entanto, é difícil de ser confirmada de forma independente. Relatos do SBU sobre operações conduzidas tanto na Crimeia ocupada quanto no interior da Rússia são recorrentes, mas a verificação externa permanece limitada. Ainda assim, a constância das ações e a variedade de alvos sugerem uma campanha estruturada voltada a enfraquecer a espinha dorsal da defesa aérea russa.

Paralelamente, a ofensiva ucraniana também tem mirado a base industrial de defesa da Rússia. Uma operação conjunta do SBU com a Marinha da Ucrânia atingiu instalações industriais na cidade de Taganrog, onde funcionava a fábrica Atlant Aero. O complexo produzia componentes e drones completos, incluindo o Molniya, uma munição de asa fixa de baixo custo amplamente empregada pelas forças russas na linha de frente. Autoridades ucranianas afirmam que o ataque comprometeu de forma significativa a capacidade produtiva da instalação.

O conjunto desses episódios reforça uma tendência já perceptível no conflito: sistemas caros, complexos e tecnologicamente avançados estão cada vez mais expostos a vetores relativamente baratos, flexíveis e difíceis de interceptar. Caso as perdas relatadas se confirmem, o impacto não se limita ao campo material, mas atinge também o conceito operacional da defesa aérea russa, tradicionalmente apresentada como um de seus principais trunfos estratégicos.

Nesse cenário, a guerra no ar segue em transformação acelerada. A disputa deixa claro que, mais do que a posse de plataformas sofisticadas, a capacidade de adaptação, saturação e ataque em profundidade passou a ser um fator decisivo no equilíbrio militar entre Rússia e Ucrânia.


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