quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O Emprego de Drones Estratégicos na Segurança Pública.

A atividade de segurança pública no Brasil é um grande desafio. Existe a sensação de que os Órgãos de Segurança Pública (OSP) estão sempre a um passo atrás da criminalidade. Uma das soluções para auxiliar os OSP a reverter esse quadro se encontra no uso na tecnologia, basicamente no segmento de drones estratégicos de alta performance.

O que são drones de alta performance? São equipamentos que possuem capacidade de permanecer mais de 10 (dez) horas no ar com alcance superior a 100 (cem) km e a capacidade de carregar equipamentos de Inteligência.

No Brasil, a oferta desses drones ainda é limitada. Poucas empresas podem disponibilizar esse equipamento ao mercado nacional e devido às dificuldades da legislação brasileira no tocante à certificação e ao uso do espaço aéreo, no curto prazo esse quadro não será alterado.

No entanto, essas poucas empresas têm muito a oferecer no combate à criminalidade. Os drones estratégicos representam um salto tecnológico na vigilância, no monitoramento e no levantamento de dados de inteligência que podem ser utilizados pelos OSP, produzindo excelentes resultados que outro meio tecnológico não consegue alcançar.

Essas aeronaves remotamente pilotadas (ARP) oferecem capacidades de monitoramento persistente e de longo alcance que transformam a atuação das Forças Policiais federais e estaduais em regiões de fronteira, em áreas urbanas críticas e em cenários complexos.

Tais aeronaves possuem autorização para voar além de 200 km de distância da estação de pilotagem, permitindo cobrir vastas extensões territoriais sem necessidade de múltiplos pontos de controle. Qualquer demanda de vigilância, inclusive o patrulhamento rotineiro, pode ser solucionada por uma ARP, gerando economia de meios e tempo.

Essas aeronaves são equipadas com câmeras de alta definição, o que proporciona a capacidade de monitoramento a grande altitude, sendo invisível e inaudível ao alvo terrestre. A capacidade de sobrevoo silencioso permite coletar evidências de ilícitos nacionais e transnacionais sem alertar os suspeitos, facilitando prisões em flagrante e mapeamento de esconderijos de armas e drogas.

Além disso, algumas aeronaves possuem outras cargas pagas (payloads) que foram projetadas especificamente para a atividade de Inteligência, para interceptar sinais de telefonia celular (monitoramento sem escuta) e de rádios transmissores. Tais sistemas concedem aos OSP uma vantagem significativa sobre a criminalidade.

A utilização desses payloads permite a identificação em uma comunidade, em tempo real, de todos os meliantes que se utilizam de um rádio transmissor ou de um telefone celular, plotando sua localização em um mapa. Essa capacidade dá uma vantagem significativa ao Estado, pois permite localizar em uma comunidade onde estão os criminosos, assim, facilitando o planejamento, preservando a vida dos agentes e limitando danos colaterais.

A utilização desses drones em prol da segurança pública já está ocorrendo em estados do sul e do norte do Brasil e está, cada vez mais, se tornando peça fundamental nas ações de inteligência e repressão ao crime regional, nacional e transnacional.

Tais equipamentos são extremamente eficazes e aptos para patrulhar zonas de fronteira seca e ribeirinha, fornecendo dados às equipes policiais em solo, proporcionando uma melhor consciência situacional, o que vai auxiliar ao combate ao tráfico de drogas e armas em locais de difícil acesso terrestre. Podem também ser usados para detectar desmatamento e garimpo ilegal em tempo real, integrando a segurança pública com a fiscalização ambiental.

A adoção de drones estratégicos pelas polícias estaduais e federais, além das Forças Armadas, oferece muitos benefícios diretos:

 Tais aeronaves podem substituir ou complementar o uso de helicópteros tripulados, que possuem custos de hora-voo e manutenção significativamente superior, além de preservar a vida das tripulações ao sobrevoar áreas conflagradas;

 Permitem, também a exploração visual de áreas de alto risco antes da entrada de equipes táticas, minimizando a exposição de agentes e a ocorrência de confrontos diretos, reduzindo o dano à população;

 Realizam o monitoramento de alvos ou áreas por muitas horas e até mesmo por dias, sem o emprego de forças policiais terrestres e longe do ponto de lançamento;

 Facilitam o compartilhamento de dados em tempo real entre diferentes órgãos, otimizando a resposta a incidentes e melhorando a coordenação em operações conjuntas;

 Possibilitam o emprego de tecnologia nacional, sem a reserva de mercado de outros governos, garantindo autonomia ao Brasil na manutenção e evolução dos sistemas de defesa, sem dependência exclusiva de fornecedores estrangeiros;

 Oferecem resultados por meio de tecnologias desenvolvidas especificamente para a área de inteligência, que não poderiam ser obtidos de outra forma, determinando, com relativa precisão, a posição de meliantes por meio do uso de seus celulares e de seus rádios.

Para a operação de drones estratégicos no Brasil, é necessário um longo caminho para a certificação (em torno de cinco anos) junto à ANAC e ANATEL. Isso exclui a inserção de aeronaves fabricadas fora do Brasil que não possuem certificações em seu país de origem, limitando o mercado interno a aeronaves produzidas por poucas empresas.

Mas, além das certificações, outro limitador à inserção de aeronaves não nacionais em nosso mercado é o uso do espaço aéreo. Drones estratégicos necessitam usar o espaço aéreo simultaneamente a aeronaves tripuladas. Apesar das operações de segurança pública possuírem prioridade, é necessário seguir regras específicas para missões estratégicas.

Para autorizar uma aeronave remotamente pilotada a utilizar o espaço aéreo brasileiro, a ANAC exige a análise de Risco Operacional denominada SORA. É uma metodologia estruturada para avaliar e classificar os riscos de segurança em operações com drones (RPAS/UAS) que não se enquadram nas regras simples de voo recreativo.

Por exemplo, voos próximos a aeródromos ou em áreas densamente povoadas exigem análise de impacto no tráfego aéreo e, frequentemente, a emissão de um NOTAM (Aviso aos Aeronavegantes). Ou, para voar a longas distâncias, o DECEA exige a segregação do espaço aéreo ou o uso de tecnologias “Detect and Avoid” (Detectar e Evitar) para prevenir colisões com aeronaves tripuladas.

Ao utilizar drones nacionais como o Harpia, a elaboração da SORA é facilitada pela proximidade com a ADTECH, que fornece os dados técnicos e ensaios de voo necessários para preencher os requisitos de integridade exigidos pela ANAC.

Em 2026, as forças de segurança federal e estadual irão se beneficiar de Cenários Padrão (Standard Scenarios) definidos pela ANAC, que simplificarão o processo de autorização para missões de emergência ou patrulhamento de rotina em áreas de fronteira.

Como uma das fabricantes de drones estratégicos nacionais, A Advanced Technologies conclama os OSP e as Forças Armadas a conhecerem as vantagens do uso dessas aeronaves sobre outras tecnologias. São veículos aéreos com tecnologia nacional, fabricados por empresas nacionais que nada deixam a desejar em relação aos concorrentes internacionais. Além de possuir uma relação custo-benefício bem mais vantajosa.

Temos certeza de que os ganhos serão muitos e que nossa população é quem mais irá se beneficiar com isso.


Autor: Coronel (R1) Marcos Venício Mendonça – Diretor e Sócio Fundador da ADTECH-SD


Sobre a ADTECH

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada em soluções tecnológicas de alta performance voltadas à segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico. Com foco em inovação, confiabilidade e conformidade regulatória, a ADTECH consolida-se como uma referência nacional no desenvolvimento e na operação de aeronaves não tripuladas de última geração.



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