Em um contexto de rápida expansão dos sistemas não tripulados e de crescente complexidade regulatória, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) deu início, no dia 2 de dezembro, aos trabalhos do Comitê de Veículos Não Tripulados. A nova instância foi criada com o objetivo de organizar a atuação da indústria nacional envolvida no desenvolvimento, produção e aplicação de veículos não tripulados nos domínios aéreo, terrestre e marítimo, consolidando um espaço técnico de articulação industrial, institucional e normativa.
A criação do Comitê ocorre em um momento sensível para o setor, marcado pelo avanço acelerado dessas tecnologias e pela ampliação de seu emprego por órgãos de defesa, segurança pública e usuários institucionais. Nesse cenário, a ausência de coordenação estruturada entre indústria, reguladores e compradores tem imposto desafios relevantes ao planejamento industrial e à adoção consistente dessas capacidades no país.
O Comitê de Veículos Não Tripulados é coordenado por Caique Garbin, Consultor de Novos Negócios da Xmobots, e tem como secretário Renaldo Almeida, da Taurus Armas. O grupo reúne empresas com atuação em diferentes elos da cadeia produtiva, incluindo fabricantes de plataformas, desenvolvedores de sistemas embarcados, soluções de comunicação, integração tecnológica e aplicações operacionais. Essa composição diversa permite uma leitura abrangente do setor e contribui para a construção de diagnósticos mais consistentes sobre os desafios enfrentados pela indústria nacional.
Ao comentar a iniciativa, o Presidente-Executivo da ABIMDE, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso, destacou o papel da Associação como elemento de convergência entre indústria e Estado em um ambiente de rápida evolução tecnológica. Segundo ele, a ABIMDE atua como espaço institucional para que a indústria possa dialogar de forma organizada, qualificada e contínua com o poder público, contribuindo tecnicamente para decisões que impactam diretamente o desenvolvimento industrial e as capacidades nacionais.
Integram o Comitê as empresas Adtech, AEL Sistemas, Aeroid, Akaer, Avionics, Baiuca Sports, BR Vant, CERTI, Condor Não Letal, CSD, DGS Boats, EMGEPRON, Energias, IDV, Mac Jee, Modirum Gespi, Neger, Performa Defesa, Polícia Militar da Bahia, Redtech, Stella Tecnologia, Taurus Armas e Xmobots. O grupo reúne fabricantes de veículos aéreos, terrestres e marítimos, fornecedores de sistemas de comunicação e acessórios, além de representantes da indústria e de usuários institucionais, o que reforça o caráter transversal do fórum.
Entre os principais temas debatidos na primeira reunião estão a fragmentação regulatória e a multiplicidade de órgãos fiscalizadores, além das dificuldades associadas aos processos de certificação, homologação e aquisição de sistemas não tripulados no Brasil. A inexistência de diretrizes unificadas para os diferentes domínios de operação tem impacto direto tanto no planejamento industrial quanto na previsibilidade de investimentos e na incorporação dessas tecnologias por órgãos de defesa e segurança.
As discussões conduzidas no âmbito do Comitê também dialogam com o ambiente legislativo. Em especial, o grupo acompanha o Projeto de Lei Complementar nº 36-B, de 2025, que trata do emprego de veículos não tripulados por órgãos de segurança pública e pelas Forças Armadas. A proposta é observada como parte de um esforço mais amplo de qualificação do debate normativo, com base em contribuições técnicas oriundas da própria indústria.
De acordo com o coordenador do Comitê, a intenção é consolidar o fórum como um espaço permanente de construção coletiva. Para Caique Garbin, reunir empresas, usuários e a Associação em torno de uma agenda comum permite identificar gargalos reais e avançar em soluções que atendam simultaneamente às necessidades operacionais, industriais e institucionais do país.
A agenda inicial de trabalho do Comitê inclui o mapeamento detalhado da base produtiva nacional, a sistematização de contribuições técnicas para processos regulatórios, o diálogo com órgãos compradores sobre requisitos operacionais e a organização de ações voltadas à promoção comercial do setor. Também estão previstas iniciativas relacionadas ao acesso a instrumentos de financiamento para pesquisa e desenvolvimento, considerados essenciais para a consolidação e a competitividade da indústria brasileira de sistemas não tripulados.
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com Rossi Comunicação


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