quinta-feira, 28 de agosto de 2025

OTAN: todos os membros atingem meta de 2% do PIB em defesa, mas apenas três superam novo patamar de gastos

Pela primeira vez desde que a meta foi estabelecida em 2014, todos os 32 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) atingiram o patamar mínimo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela própria aliança. O marco representa uma mudança significativa no esforço coletivo dos países membros, impulsionada principalmente pela invasão russa da Ucrânia em 2022 e pela crescente pressão dos Estados Unidos para que os aliados europeus assumam maior responsabilidade por sua própria segurança.

Apesar do avanço histórico, apenas três países ultrapassaram a nova meta de 3,5% do PIB, definida pelos líderes da OTAN em cúpula realizada em Haia, em junho deste ano. A Polônia lidera os investimentos militares, destinando 4,48% do PIB à defesa, seguida pela Lituânia, com 4%, e pela Letônia, com 3,73%. Esses números colocam os três países do leste europeu em posição de destaque dentro da aliança, refletindo a preocupação estratégica com o flanco oriental, diretamente exposto à pressão russa. Em contraste, muitos aliados ficaram apenas marginalmente acima dos 2%, revelando que, embora o compromisso mínimo tenha sido cumprido, o desafio de avançar para níveis mais ambiciosos ainda persiste.

O compromisso firmado em Haia prevê que até 2035 todos os membros da OTAN deverão alcançar 3,5% do PIB em defesa, dentro de uma meta mais ampla de chegar a 5% em investimentos relacionados à segurança. Esse cálculo inclui não apenas a manutenção e expansão das Forças Armadas, mas também áreas críticas como segurança cibernética, resiliência de infraestrutura e modernização de portos e rodovias capazes de suportar equipamentos militares pesados. Em outras palavras, trata-se de um esforço que vai além da compra de armamentos e se conecta diretamente à capacidade de resposta integrada em um cenário de guerra moderna, em que logística, tecnologia e proteção de redes digitais têm peso estratégico.

Durante a inauguração de uma fábrica de munições da empresa alemã Rheinmetall, na cidade de Unterluess, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, destacou os avanços, mas alertou que números, por si só, não garantem a segurança coletiva. “Dinheiro por si só não garante segurança. A dissuasão não vem de 5%. A dissuasão vem da capacidade de combater inimigos em potencial”, afirmou. A declaração reforça a necessidade de transformar o aumento dos orçamentos em capacidades militares reais, evitando que os recursos adicionais se percam em burocracia ou investimentos de pouco efeito prático.

O cumprimento universal da meta de 2% em 2025 simboliza uma mudança estrutural na postura de defesa da aliança. É, ao mesmo tempo, reflexo do impacto geopolítico da guerra na Ucrânia e da necessidade de reposicionamento estratégico da Europa, que busca reduzir sua dependência dos Estados Unidos e fortalecer sua própria capacidade de dissuasão. No entanto, o verdadeiro desafio estará em manter a coerência desse esforço a longo prazo, garantindo que os gastos extras se traduzam em modernização efetiva das forças armadas e em uma preparação consistente para os cenários de segurança que moldarão o futuro da OTAN.


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com Reuters



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