segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Um panorama atual da ameaça terrorista com a derrocada do EI

O GBN News tem acompanhado o combate a ameaça representada pelo Estado Islâmico, e já produzimos algumas analises sobre as ameaças representadas pelo terrorismo, embora esta seja uma ameça não observada no horizonte brasileiro, mas trata-se de uma realidade para outras nações onde possuímos um significativo número de leitores, como nos EUA, França, Alemanha e outros países europeus que tem sido alvo do terrorismo transnacional.
Conforme abordamos em nossa última análise, "A nova face do terrorismo - Um desafio ao mundo moderno", a ameaça hoje esta representada não apenas por indivíduos estrangeiros aos países atacados, mas a nova ameaça desse que classifico como uma das mais desleais e covardes faces do conflito assimétrico de nova geração, tem como ativos domésticos, indivíduos dentro da própria sociedade alvo do terrorismo. 
Recentemente em minhas pesquisas e estudos, me deparei com um dado bastante relevante e digno de atenção por parte de nós especialistas e estrategistas em defesa, desde 2013 até os meados deste ano o EI registrou um grande volume de adesões, com cerca de mil combatentes estrangeiros as suas fileiras por mês, sendo grande parte destes oriundos de nações europeias e dos EUA, os quais em sua grande maioria se juntaram aos esforços de guerra do grupo radical no norte do Iraque e Síria, muitos dos quais tombaram em combate nos últimos anos de conflito, onde houve a importante retomada do controle de diversas províncias e áreas que estavam sob domínio do EI nos últimos anos, no que autoproclamaram Califado. 
Embora possamos admitir que o número que chegou a cerca de 43 mil combatentes ativos possa hoje ser de pouco mais que 2 mil combatentes estrangeiros, há de ser considerada a ameaça representada por este número de seguidores do EI caso estes regressem aos seus países de origem, o que podemos comparar com células cancerígenas que se espalham sem um efetivo controle. Ainda temos de somar a essa equação o grande número de ativos domésticos, que se encontram ocultos dentro da sociedade, os conhecidos "lobos solitários", que como já falamos em nossa análise anterior, são fruto de uma nova tendência dos grupos radicais, os quais tem abandonado os centro "físicos" e criado extensas redes virtuais, fazendo uso das tecnologias de comunicação, em especial a Deep Web para promover suas ideias e arquitetar ataques por "procuração", estabelecendo o que denomino como "Franquia do Terror".
Não basta eliminar os cabeças dessas organizações terrorista, a solução é um tanto quanto dispendiosa e sem a clareza de obter um resultado pleno, uma vez que o combate deve se dar não apenas no campo militar, mas no campo das ideias e principalmente no novo cenário de conflito, o cibernético, onde devem ser desenvolvidas novas ferramentas de busca analise e neutralização das ameaças, pois o principal meio para se obter um real sucesso nessa nova realidade de conflitos assimétricos, é a negação de comunicação e propaganda, uma vez que ao se impossibilitar a conexão entre os ativos e suas lideranças, será factível uma redução drástica na capacidade de planejamento e ataque do inimigo. Além de se obter uma identificação dos ativos domésticos e neutralizá-los.
Porém, a solução esbarra em várias questões que impedem uma real capacidade de combate ao terrorismo transnacional e doméstico, como o direito a privacidade e as demais leis que protegem os indivíduos do estado e sua vigilância. O que deve levar a uma intensa discussão sobre até onde podemos permitir que nossas informações sejam verificadas por orgãos de segurança do estado, algo que apresenta um ponto de grande preocupação, pois a coleta de informações que a principio são para nossa segurança, podem se tornar objeto de insegurança.
O EI apesar de estar praticamente dizimado nos territórios onde outrora gozavam de autonomia e poder, ainda são uma grande ameaça global, pois apesar da vitória sobre a ameaça física representada pelo califado que se estabeleceu em parte do Iraque e Síria, algo conquistado principalmente pela maestral atuação russa na Síria, sem a qual não teria sido possível aniquilar o poderio do grupo na região, ainda há sua presença "virtual" e mesmo física, representada pelos combates que tendem a regressar aos seus países de origem com o fim dos territórios sob controle do grupo terrorista e os "lobos solitários", elevando o nível de ameaça a um nível que posso considerar maior que o anterior, cabendo as autoridades criar novos mecanismos de inteligência e controle para contrapor o próximo cenário deste conflito.

Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.

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