segunda-feira, 11 de junho de 2018

Um aperto de mão histórico

Donald Trump e Kim Jong-un se tornam os primeiros líderes de EUA e Coreia do Norte a se reunirem. Em cúpula em Cingapura, ambos buscam encerrar impasse nuclear de décadas. Tecnicamente, os dois países estão em guerra.

Um aperto de mão que entra para a história. Às 09:04 horas da manhã (horário local) desta terça-feira (12), o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, tornaram-se os primeiros líderes de EUA e Coreia do Norte a se reunirem. Em cúpula em Cingapura, ambos buscam encerrar um impasse nuclear de décadas.

Após o aperto de mão histórico, ambos rapidamente sentaram ao lado de tradutores e emitiram uma breve declaração. Ambos enalteceram o encontro e se mostraram positivos quanto aos resultados que a cúpula pode alcançar. Em seguida, Kim e Trump iniciaram sua primeira reunião, sozinhos, apenas com os tradutores. Mais tarde, as conversações ocorrerão com a presença de assessores políticos e membros das comitivas. 

"O caminho para vir até aqui não foi fácil. Os velhos preconceitos e práticas funcionaram como obstáculos no nosso caminho, mas superamos todos e estamos aqui hoje", disse Kim. "Viemos aqui para para superar todos os obstáculos." Em resposta, Trump se mostrou otimista. "Vamos ter um ótimo relacionamento, não tenho dúvidas", disse. 

A cúpula extraordinária – impensável há alguns meses – ocorre depois que os dois Estados inimigos e armados com armas nucleares estiveram à beira de um conflito militar no ano passado, em meio à troca de insultos pessoais e testes nucleares e balísticos realizados por Pyongyang.

Mais cedo nesta terça-feira, pouco antes do encontro, Trump postou em sua conta oficial no Twitter e enalteceu os preparativos para a cúpula. "As reuniões entre equipes e representantes estão indo bem e rapidamente, mas no final isso não importa. Todos nós saberemos em breve se pode ou não ocorrer um acordo real, ao contrário dos do passado!", escreveu. Comitivas dos dois países realizaram um encontro prévio.

E o presidente dos EUA não perdeu a oportunidade para cutucar seus críticos. "O fato de eu estar tendo uma reunião é uma grande perda para os EUA, dizem os que odeiam e os perdedores. Nós temos nossos reféns e testes, pesquisas e todos os lançamentos de mísseis pararam, e esses intelectuais, que me estigmatizaram de errado desde o começo, não têm mais nada a dizer! Nós ficaremos bem!"  

O encontro com Kim era algo bastante distante no ano passado, quando Trump pediu à comunidade internacional que exercesse "pressão máxima" contra o regime norte-coreano e ameaçou soltar "fogo e fúria como o mundo nunca viu" se Pyongyang continuasse com as ameaças contra os EUA. Em contrapartida, Kim chamou Trump de "mentalmente perturbado" e disse que iria "domesticá-lo com fogo".

Lembranças que ficaram distantes nesta terça-feira, em meio às palmeiras e paredes caiadas do ultra exclusivo Capella Hotel, em Cingapura, onde Trump e Kim caminharam em direção ao outro e deram o aperto de mão histórico. Em seguida, os dois sentaram à mesa – inicialmente frente a frente sozinhos – para um meio dia inicial de conversações com ramificações para o mundo inteiro.

Na véspera da reunião histórica, Kim fez um passeio para conhecer pontos turísticos de Cingapura. Ele surpreendeu os hóspedes do hotel onde está hospedado ao dar uma caminhada pelas áreas comuns. No domingo, o líder norte-coreano foi recebido pelo primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong.

Trump também se encontrou com o líder cingapurense. O presidente americano, que completa 72 anos na quinta-feira, ganhou um bolo de aniversário adiantado.

Trata-se de um encontro histórico – talvez comparável à visita do ex-presidente americano Richard Nixon à China em 1972, ou à reunião de outro ex-líder americano Ronald Reagan com o líder soviético Mikhail Gorbachev, em 1986, na Islândia.

E se Trump e Kim conseguirem refutar os temores dos críticos de que a cúpula em Cingapura será mais uma sessão de fotos do que sobre debates políticos, o encontro dos dois tem o potencial para se tornar um definidor de legados. A Coreia do Norte prometeu desistir de suas armas no passado, mas um longo histórico de acordos anteriores fracassou.

Tecnicamente, Washington e Pyonguang ainda estão em guerra – embora morteiros, carabinas e helicópteros do sangrento conflito dos anos 1950 silenciaram desde então. O regime totalitário progrediu rapidamente à junção de tecnologia nuclear e de mísseis que colocariam Los Angeles, Nova York e Washington a uma distância plausível para um holocausto nuclear.

Os Estados Unidos afirmam que isto é inaceitável e que será tratado de uma forma ou de outra. Mas para a Coreia do Norte, o simples fato de haver negociações – diálogo de igual para igual – reflete um avanço extremamente simbólico. Para o líder norte-coreano, estar ao lado do presidente dos EUA em frente de dezenas de câmeras é uma meta que Pyongyang buscava há décadas – críticos afirmam que este gesto legitima um dos regimes mais implacáveis do mundo.


Fonte: Deutsche Welle



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