sábado, 30 de junho de 2018

RIDEX 2018; Conheça um pouco mais sobre o NDM Bahia

Nesta primeira edição da RIDEX tivemos a oportunidade de fazer uma visita ao NDM Bahia e conhecer um pouco mais sobre este importante meio de nossa esquadra, com certeza uma aquisição bem acertada pela Marinha do Brasil.

O navio originalmente designado TCD (transport de chalands de débarquement) Siroco, construído pela ex-DCNS, hoje NAVAL Group, tinha como função na Marine Nationale francesa realizar o transporte e desembarque de meios anfíbios através de oito  chalands de transport de matériel, que são os meios de desembarque transportados em sua doca alagável. Tendo tido sua quilha batida em 9 de outubro de 1995 e entregue á Marine Nationale da França em 21 de dezembro de 1998, o L9012 "Siroco" cumpriu diversas comissões, proporcionando ao lado do TCD Foudre, navio irmão que deu nome a classe, uma capacidade ímpar á logística e operações anfíbias da Marine Nationale, a qual foi muito bem desempenhada até o descomissionamento deste navio, tendo ocorrido em 6 de julho de 2015, tendo sido finalmente transferido para Marinha do Brasil em agosto do mesmo ano, onde passou a ser denominado NDM (Navio Doca Multipropósito) "Bahia".

Na última quinta-feira (28), chegamos ás 9hrs da manhã ao Píer Mauá, onde acontecia a RIDEX, afim de nos encontrar com alguns colegas da mídia especializada e o Capitão-Tenente Fabrício Costa, nosso elo de ligação no CCSM. Então fomos conduzidos ao embarque no G-40 (designação no casco do NDM Bahia), onde fomos recebidos pelo comandante do navio, CMG Assano, que nos conduziu pela primeira parte de nossa visita ao navio.

O CMG Assano em nosso "Tour" pelo "Bahia" nos apresentou um pouco sobre as características do navio, citando dentre estas a confiabilidade que o navio apresenta desde sua aquisição, onde realizou o translado entre Toulon á Salvador sem escalas, demonstrando muito economia e confiabilidade do seu sistema de máquinas. Outro ponto que o CMG Assano destacou nesta visita são as cinco vertentes multipropósito do navio, onde é o primeiro navio multipropósito de nossa esquadra.

Essas cinco vertentes desenvolvidas pela Marinha do Brasil, tornou o ex-TCD que era um navio de transporte de embarcações de desembarque, no NDM, Navio doca multipropósito, e essa mudança conforme nos foi apresentado de maneira bastante clara e objetiva pelo CMG Assano, não se limitou a mera designação do navio, mas no emprego do mesmo aproveitando as características únicas que o navio nos entrega. Após um profundo estudo, foi desenvolvida uma nova doutrina de operação para o "Bahia", diferindo muito da que era adotada pelos seus antecessores operadores franceses. Aqui conforme fomos informados, a Marinha otimizou ao extremo as capacidades táticas de emprego do navio, tornando ele um meio de emprego bastante flexível, capaz de cumprir uma vasta gama de missões. Lógico que para isso há necessidade de adequação do contingente para o cumprimento das vertentes que o navio pode atender, onde no Brasil a tripulação do navio é teoricamente maior que a operada pela França, porém, vale ressaltar que esse aumento se deve principalmente para cumprir a necessidade de emprego multipropósito, onde o navio possui núcleos dentro de sua tripulação que permitem a manutenção e o preparo do mesmo ao cumprimento de suas variadas missões, demandando apenas o reforço desses núcleos quando da necessidade de executar determinada missão.

A infraestrutura do navio não sofreu alterações desde que nos foi entregue pela França, mas todo potencial que o navio apresenta foi maximizado, não foi simplesmente uma mudança de designação, houve uma mudança profunda na doutrina de emprego do mesmo, o que tornou de fato o TCD em um NDM. O ponto chave da capacidade do "Bahia" é sua tripulação, possibilitando o desempenho de múltiplas tarefas, podendo executar grande parte dessas tarefas em simultâneo. Como exemplo, quando operado pela França, o navio recebia toda guarnição de acordo com a missão que fosse desempenhar, se por acaso fosse uma missão anfíbia, o navio era totalmente destinado ao cumprimento dessa missão, se fosse operações aéreas, era necessário o embarque de todo um pessoal específico para este tipo de tarefa, não possuindo o navio não possuía um núcleo orgânico que permitisse a operação de meios aéreos ou anfíbios em simultâneo, o que engessava as capacidades de emprego do navio. Na Marinha do Brasil, isso foi mudado, o conceito de emprego demandou o aumento da tripulação em teoria, pois na prática operamos com menos pessoal que na França, pois dentre nossa tripulação há núcleos que tornam o navio capaz de operar em missões de desembarque anfíbio, realizar operações aéreas, onde é capaz de operar até duas aeronave em simultâneo no convoo principal, e uma no convoo "Zulu". Uma das características de operações aéreas bastante importante, é que o navio conta com uma torre de controle, o que torna capaz a operação complexa com diversas aeronaves, estabelecendo zonas de espera e tornando capaz operar com diversas aeronaves em simultâneo. Ainda no campo aéreo, o Bahia devolveu a capacidade de operações aéreas noturnas á Marinha do Brasil.

Outro ponto de destaque do navio, é sua Ala hospitalar, a qual não se compara a nada que já tenhamos tido aqui no Brasil, contando com cerca de 500m² de área, com capacidade de 49 leitos, contando com duas salas cirúrgicas completas, aparelhado com equipamentos de raio-x e outros, um verdadeiro hospital, contando com equipamentos extremamente modernos, CTI, UTI, sala de recuperação e odontologia, além de "consultórios" que podem ser empregados para assistência médica a população civil em casos específicos de desastres ou calamidades, possuindo todas as características necessárias para atender como hospital de campanha, tenho uma ala toda preparada para lidar com queimados e até epidemias, com um alojamento que conta com sistema independente de filtragem do ar, o que já foi usado em determinadas ocasiões em que por exemplo, tripulantes conjuntivite e outros males foram internados neste ala especial, o que de maneira objetiva evitou a propagação da doença aos demais tripulantes do navio.

O NDM "Bahia" também pode ser empregado como centro de comando e controle, podendo coordenar operações complexas envolvendo diversos meios, conforme citado pelo CMG Assano, na sua última comissão a serviço da França, o navio recebeu diversos "Estados Maiores" em uma operação conjunta da OTAN. Pode abastecer outros navios, realizando inclusive transferências de combustível no mar e transferir carga por meio aéreo. O NDM Bahia é capaz de fazer evacuação de civis, podendo receber um grande número de pessoas em caso de necessidade, algo importante em face de desastres ou mesmo de conflitos, onde se faça necessário evacuar brasileiros que estejam em zonas de guerra, conduzindo-os á locais seguros para que sejam então repatriados.

Os sistemas de navegação e comunicação do navio são bem modernos, o que torna a operação muito mais segura e menos fatigante para a tripulação que o guarnece, sendo um fantástico navio e um compra acertada da Marinha do Brasil.

Há um grande mix de capacidades que podem ser empregados, claro que há determinadas limitações quanto as operações simultâneas, principalmente devido ao espaço físico, mas permite ao planejamento empregar o navio em várias missões, cumprindo com grande versatilidade o seu papel na esquadra.

Há muito o que podemos falar sobre o "NDM Bahia", o que nos levará á uma matéria especial, a qual deverá ser publicada em breve. Cabe a nós ressaltar que o conceito multipropósito que a Marinha do Brasil vem experimentando e amadurecendo no NDM Bahia, também será aplicado ao nosso novo navio, o PHM "Atlântico", o ex-HMS Ocean, o que dará muita versatilidade a nossa esquadra e um nível de capacidades anfíbias e de operações aéreas como nunca antes tivemos em nossa esquadra.

Um esclarecimento que queremos fazer é quanto ao posto de "Capitânia", apesar de ser até a chegada do PHM "Atlântico", o maior navio da esquadra, de fato o "Bahia" nunca foi oficialmente nomeado "Capitânia" (Flagship) de nossa marinha, tendo ocupado esse "posto" nas ocasiões em que o Comando da Esquadra, na figura de seu comandante esta embarcado no mesmo, o que ocorre quando o mesmo embarca em qualquer um de nossos meios navais, passando a ser denominado "Capitânia" o navio no qual esta embarcado o comandante de nossa força naval. Porém, o posto de "Flagship" da Esquadra Brasileira, será ocupado pelo PHM "Atlântico", assumindo o papel que era do NAe "São Paulo".


Quero aqui deixar os agradecimentos ao Capitão-Tenente Fabrício Costa do CCSM, ao comandante do NDM "Bahia", CMG Assano, e seu imediato, CF Daher, que nos conduziram em nossa visita pelo navio, nos apresentando muitas particularidades do navio e suas capacidades, as quais irão constar em nossa matéria especial sobre o NDM Bahia, onde detalharemos as características do navio, suas capacidades e muito mais.


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.


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