sexta-feira, 26 de março de 2010

Reino Unido diz que acordo nuclear EUA-Rússia é "passo histórico"


O Reino Unido qualificou nesta sexta-feira de "histórico" o acordo de desarmamento nuclear selado entre Estados Unidos e Rússia e pediu à comunidade internacional para defender a eliminação destes armamentos, fazendo frente a países como a Coreia do Norte e o Irã.

Por meio de um comunicado, o ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, pediu à comunidade internacional que aproveite "a oportunidade que este acordo traz para a Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação (TNP) de armas nucleares", que acontecerá em maio na sede da ONU (Organização das Nações Unidas).

Miliband destacou a importância que existam "esforços continuados por parte de todos os Estados em poder de armas nucleares para trabalhar para sua total eliminação".

"Isto significa que deve haver uma ação ajustada por parte da comunidade internacional para enfrentar países como Coreia do Norte e Irã, que buscam desenvolver armas nucleares, infringindo seus compromissos do tratado", advertiu o ministro.

O Reino Unido reafirmou seu "firme compromisso" na colaboração por "um mundo livre de armamento nuclear" e lembrou que este país já adotou medidas para se assegurar que mantém "a mínima capacidade requerida para fornecer uma dissuasão efetiva".

"O anúncio histórico de hoje ajudará a abrir o caminho para reduções futuras. Tão em breve quanto for possível fazê-lo, o Reino Unido está disposto a incluir seu arsenal nuclear em processo de desarmamento multilateral futuro", acrescentou Miliband.


Acordo

O novo tratado substituirá o Start 1, de 1991, expirado em 5 de dezembro passado. Ele é negociado desde julho passado, quando Obama e o presidente russo, Dmitri Medvedev, acordaram com um novo documento cortando os arsenais de ambos os lados de 2.200 ogivas para 1.550.

Segundo Obama, o tratado garante ainda um regime "forte e efetivo" de verificação e mantém "a flexibilidade que nós precisamos para avançar na nossa segurança nacional e garantir nosso comprometimento com a segurança de nossos aliados".

"Com este acordo, Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências mundiais, também mandam um claro sinal de que nós pretendemos liderar. Ao concluir nosso compromissos sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, nós fortalecemos nossos esforços globais para impedir a proliferação destas armas, e garantir que outras nações assumam suas próprias responsabilidades", disse o presidente.

O documento deve ser assinado em 8 de abril, na República Tcheca, pelos dois presidentes. Antes, o acordo tem de ser ratificado pelos legislativos de ambos os países.


Negociações

Há vários meses, Moscou e Washington realizam negociações em Genebra para acertar um novo tratado de desarmamento estratégico, que vai substituir o Start 1, assinado em 1991 e cuja vigência expirou em 5 de dezembro do ano passado.

Há mais de seis meses, negociadores americanos e russos se reúnem regularmente em Genebra para elaborar o novo documento, a pedra angular do "relançamento" desejado pelos presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, depois de anos de "paz fria" durante o governo de George W. Bush e após o breve conflito com a Geórgia, aliada dos EUA, em 2008.

Ambos os presidentes acordaram em julho passado buscar um novo texto, cortando os arsenais de ambos os lados para um total de ogivas variando entre 1.500 e 1.675 ogivas, cada um.

O Start 1, assinado pelos presidentes soviético Mikhail Gorbachev e americano George H.W. Bush, exigia que os dois países reduzissem suas ogivas em ao menos um quarto, para cerca de 6.000, e implementassem medidas para verificar se o outro lado está cumprindo o tratado.

Um texto mais recente de desarmamento nuclear entre os dois rivais de Guerra Fria, assinado por George W. Bush e o então presidente russo, Vladimir Putin, limita o arsenal de cada país a 2.200 ogivas, até 2012.
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