sexta-feira, 26 de março de 2010

Empresários de São José insistem na tese de caça nacional


Desenvolver um caça de combate brasileiro de última geração não é um desafio novo para a Embraer, na avaliação de Ozires Silva, ex-presidente da companhia. Segundo ele, a fabricante brasileira de aviões, a partir de uma decisão da Força Aérea Brasileira (FAB), poderia negociar com fornecedores estrangeiros o que fosse preciso para complementar os investimentos materiais e técnicos requeridos na construção dos caças.

"Em outras palavras, seria transformar as empresas brasileiras em contratantes do que realmente necessitarem, e não somente ficarem na lista de pedidos para receber que se conceitua como transferência de tecnologia", explica Silva. A compra do Xavante na década de 70, segundo ele, foi feita dessa forma e, graças a essa experiência bem-sucedida, a Embraer conseguiu absorver todas as tecnologias que precisava dos italianos para desenvolver a linha de produção do Bandeirante.

A modelagem de compra dos caças, proposta por Silva, agradou a um grupo de empresários e entidades de classe de São José dos Campos, reunidos semana passada com o ex-presidente da Embraer na sede local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Para Almir Fernandes, diretor da entidade, a proposta da sueca Saab é a que melhor se encaixaria no modelo de desenvolvimento de um caça brasileiro. "O Gripen é um caça em desenvolvimento, e a indústria brasileira pode participar da sua construção."

O deputado federal Emanuel Fernandes (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e político da região, também considera a proposta de Silva a melhor opção para o Brasil. "Vou defender, no plenário da Câmara, a ideia de que o novo caça tem que ser nacional e que a Embraer deve ser contratada para negociar diretamente com o fornecedor estrangeiro escolhido pela FAB", afirmou. O assunto também será discutido com o ministro da Defesa, Nelson Jobim

"Não se pode ignorar que o Brasil é hoje o terceiro maior produtor mundial de jatos comerciais, tendo fabricado cerca de 8 mil aviões, em operação em mais de 80 países. Por que isso não poderia se repetir com as encomendas militares?", questiona o ex-presidente da Embraer.

Ciente da preferência de Jobim pelo caça francês Rafale, Silva disse que a opção seria um mau negócio para o país, porque os franceses nunca cumprem o que prometem, quando se trata de transferência de tecnologia. Silva disse que obteve informações de que os EUA devem endurecer a postura com o Brasil, caso a escolha seja o Rafale, ameaçando, inclusive, cortar o fornecimento de material estratégico para aviões da Embraer, que possuem componentes americanos.

"É por isso que defendo a necessidade urgente de o país investir no desenvolvimento da defesa nacional, para que o Brasil tenha autonomia e possa vender produtos sem nenhum tipo de retaliação estrangeira", explica Silva. A situação internacional, segundo ele, tende a se complicar e o Brasil tem que buscar meios para deixar a incômoda posição de país comprador para passar a vendedor, aumentando a base de conhecimento para competir no mercado mundial.

Silva ressalta que a sua tese de construção de um caça nacional é respaldada não só pelos benefícios tecnológicos e industriais conquistados com a produção do Xavante na Embraer, mas também pela experiência americana, por meio do "Buy American Act".

Desde 1933, o governo dos EUA obriga que as compras de equipamentos de defesa sejam feitas das empresas nacionais e, no caso de existir o interesse por um produto estrangeiro, a lei exige que o fornecedor se associe a uma empresa americana e que a compra seja feita a partir dela.

Em 2009, a Embraer criou uma empresa na Flórida, para se dedicar à montagem final de jatos da linha Phenom. Outro objetivo, segundo Silva, é colocar a Embraer na condição de empresa americana, e aumentar suas chances na concorrência aberta pelo governo dos EUA, para a compra de aeronaves na categoria do Super Tucano.

Fonte: Valor Econômico
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