sexta-feira, 26 de março de 2010

Irã pede reação global de muçulmanos contra assentamentos de Israel


O Irã subiu o tom nesta sexta-feira contra os planos israelenses para expandir o número de casas nos assentamentos na Jerusalém Oriental ocupada e pediu que os muçulmanos ao redor do mundo ajam para impedir o avanço.

Israel ocupa parte da Jerusalém Oriental desde 1967, sem reconhecimento internacional. A cidade é pleiteada pelos palestinos como capital de um futuro Estado e central nos esforços de negociação de paz. Os recentes anúncios de mais de 1.600 novas casas nos assentamentos judaicos na região vieram em meio aos esforços mediados pelos Estados Unidos para conversas de aproximação e causaram não apenas a suspensão das negociações indiretas por parte dos palestinos, como uma das mais graves crises na relação Israel-EUA.

"A expansão de assentamentos israelenses, a destruição de locais islâmicos e cristãos e a construção de sinagogas em larga escala [...] mostram os planos sionistas de acelerar a judaização de Jerusalém Oriental e, infelizmente, isso é aprovado por autoridades americanas", disse o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, em comentários divulgados pela rádio estatal iraniana.

"Isso elevou o alarme para todas as pessoas ao redor do mundo e dobrou a necessidade para que os muçulmanos e outros países ajam seriamente", afirmou, acrescentando que a Liga Árabe, composta por 22 países, deve adotar uma posição forte em uma reunião na Líbia, neste fim de semana.

Autoridades dos EUA têm tentado persuadir Israel a suspender novos projetos em Jerusalém Oriental e a discutir questões-chave, como suas fronteiras e o status de Jerusalém, como parte de negociações indiretas com os palestinos.

O Irã é considerado o maior inimigo de Israel. Seu presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, dá declarações insistentes contra a existência do Estado e já chegou a ameaçar destruir o país.

Israel é um dos maiores defensores de uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã, pelos recentes avanços em seu programa nuclear controverso. O Ocidente acusa Teerã de manter o programa com fins militares, acusação que o governo iraniano nega.

Israel afirma considerar um Irã com armas nucleares como uma ameaça à sua existência e analistas afirmam que Israel, país que acredita-se ter armas nucleares, poderia realizar ataques em locais iranianos.

Fonte: Reuters
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