domingo, 28 de março de 2010

O Exército Brasileiro hoje


Defender um território com dimensões continentais, cercado de dez outras nações, muitas destas enfrentando problemas em suas fronteiras e mesmo em guerra contra agentes internos, como no caso da Colômbia, é uma missão árdua. Somando a defesa da integridade territorial e controle das fronteiras soma-se ainda as missões de paz , projetando a Imagem do Brasil e sua responsabilidade no cenário mundial, essa é a importante missão do Exército Brasileiro .

Porém, hoje nós vemos nosso Exército em uma situação muito difícil, enfrentando a falta de recursos orçamentários e o mais agravante, a falta de recursos técnicos para cumprir adequadamente sua grandiosa missão. Fuzis e blindados defasados tecnologicamente, falta de uma real proteção anti-aérea, bases com sua infra-estrutura comprometida, são alguns de muitos problemas enfrentados , tendo o soldado brasileiro na própria estrutura disponível hoje um dos principais obstáculos a serem superados para o cumprimento de sua missão.

Mesmo com um grande efetivo o seu orçamento não condiz com suas necessidades, deixando muito a desejar. Se formos comparar ao reequipamento das demais forças, a distancia é imensa. A FAB esta prestes a definir seu novo caça de primeira linha, a Marinha a renovação da esquadra com a compra de novos submarinos e navios, enquanto o EB tem como principal objetivo e o único até agora definido a aquisição de um novo projeto para substituir os “velhos” Urutus, enquanto o mesmo ainda carece dos demais meios, como um novo fuzil de assalto, sistemas de defesa anti-aéreo e uma infinidade de outros recursos. A única boa noticia é o aumento do quantitativo de asas rotativas através da compra feita junto à França que visa beneficiar as três Armas.

Só para termos uma noção do abismo orçamentário entre as três Forças, este ano a previsão do recursos destinados ao reaparelhamento são R$ 2,7 Bilhões para a MB, R$ 1,2 Bilhões destinados a FAB, ao passo que ao EB serão destinados míseros R$ 361 milhões.


"Estratégia Braço Forte"

Ao Ministério da Defesa, o Exército chegou a apresentar seus planos de reestruturação, chamados de "Estratégia Braço Forte": R$ 7,5 bilhões necessários a cada ano até 2030. Um valor considerável para elevar o EB hoje em estado de total obsolescência ao “Estado da Arte”. Lembrando que isso se faz necessário ao Brasil, uma vez que temos buscado assumir novas responsabilidades no cenário internacional e sonhamos com a cadeira fixa no Conselho de Segurança da ONU. Principalmente para dar respaldo ao nosso poder diplomático.

Infelizmente nosso governo não vê com seriedade as necessidades de nossas Forças armadas, em especial o EB. Pois a soma dos recursos destinados aos três juntos não seria suficiente para trazer uma destas forças ao “Estado da Arte”, ainda mais quando vemos constantes contingenciamentos de recursos que obrigam as Forças a fazerem verdadeiros milagres para se manter operacional. Como ano passado pudemos ver o EB tendo que reduzir o expediente, cortar o rancho, reduzir gastos de luz e água.


O Exército Brasileiro

Apesar de toda a crise orçamentária e a penúria enfrentada pelos seus batalhões e brigadas, o Exército Brasileiro possui ainda assim um alto índice de credibilidade da população em geral. Em diversas pesquisas o EB desponta entre as instituições que possuem mais confiança , tendo em muitas vezes sido visto como a solução para o problema de segurança pública diante da crescente onde de violência nas principais cidades do Brasil, como o aumento da organização e a ousadia do narcotráfico.

Mas embora seja uma corporação séria e bem organizada, o EB não é uma instituição apropriada para o combate ao crime organizado como uma força policial. Sendo comum ouvirmos nas ruas pela população que os mesmos querem o EB atuando nas ruas. Um dos pontos principais que deve ser considerado é que o armamento e a doutrina do EB é voltada para o combate contra outras forças de igual peso, a prova disso é a dotação de armamento pesado com alto poder de destruição, o que se faz necessário numa guerra, pois a necessidade em tal campo de batalha é neutralizar o inimigo pela força, destruindo o inimigo se necessário. Logo vemos que tal doutrina não se aplica aos morros e favelas do Rio de Janeiro ou São Paulo.

O que precisamos hoje é de um exército atuante nas regiões fronteiriças de nosso país, controlando e combatendo a entrada de armas e drogas, ai sim sendo adequadas neste emprego.

Com relação à segurança pública, o mesmo pode oferecer suporte em relação ao treinamento de forças táticas policias, cedendo às instituições a utilização de seus centros de treinamento. Pois o grande vilão hoje no combate ao crime tem sido dois fatores básicos com os quais nossos governantes devem se preocupar e buscar uma solução, a saber o déficit de policiais e a capacitação dos mesmos. Pois é comum vermos no Estado do Rio de Janeiro a falta de soldados na caserna, isso fica claro quando é levado a cabo alguma operação, quando é comum o deslocamento de contingentes de diversas outras áreas para dar apoio, o que deixa a área de origem do contingente desprovida de cobertura. Esse assunto precisa ser enfrentado pelo governo estadual com auxílio federal. Mas não é a utilização das Forças Armadas como 'quebra-galho' que vai resolver o problema.

O Exército brasileiro possui uma das melhores tropas de combate em ambiente de selva em todo o mundo. Mesmo diante de tantas limitações técnicas, o EB é tido como um centro de excelência quando o assunto é guerra na selva, tendo o seu “Centro de Instrução de Guerra na Selva” (CIGS) sido uma das mais procuradas instituições internacionais para adestramento de tropas neste cenário, recebendo militares de diversos países para receber treinamento com nossos instrutores.

Apesar dos avanços propostos pela Estratégia Nacional de Defesa, a distância para com o cidadão comum, a defasagem dos aparelhos e a necessidade de qualificação do efetivo mostram que ainda há muito ser feito para que o quinto território mais extenso do mundo esteja, de fato, protegido.

Autor: Angelo D. Nicolaci

GeoPolítica Brasil
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4 comentários:

  1. Profissionalizar, equipar é bem , td as nossas FAs, no menor espaço de tempo possivel, p ontem.

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  2. Incorporar efetivo, equipar, dinamizar, industrializar e defender.

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  3. queria primeiro cumprimenta-lo pelo brilhante trabalho e dizer que sinto-me bastante preocupado com a nossa infantaria sds mal aparelhados mal treinados e sem perspectivas quando vamos profissionalizar nosso eb falo pois sou ex militar servi durante quatro anos tres dos quais no pelopes do 9ºbimtz sai pois nao tinha perspectivas futuras orgulho-me dete tempo e se pudesse voltava gostaria de ver nossos rapazes terem orgulho da farda mas a maioria serve nossas fileiras por obrigaçao

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  4. É vergonhoso a falta de atenção e respeito de nossos governantes com o EB => é ridícula a verba destinada anualmente para modernizar e re-equipar um exercito que tem a obrigação de proteger um país quase 2/3 do total da America Latina => se a vizinha Venezuela quizer mesmo invadir nosso Brasil, teremos sérios problemas, pois eles tem um diminuto exercito porem uma robusta e moderna força aérea que neutralizaria nosso glorioso Exercito antes que pudessem oferecer resistencia real, pois nossa FAB ainda patina nos obsoletos caças que hoje são sucata para a força aerea americana, por exemplo. Mesmo assim me orgulho de ser brasileiro. Tenho orgulho do carater de nossos soldados que com tudo isso contra eles, são referencia em guerra na selva, por exemplo !!!!!!!!!!!

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