quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Jobim para Gates: EUA e América Latina precisam acabar com desconfiança


O ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, disse ao secretário de Defesa americano, Robert Gates, que é preciso que os Estados Unidos e a América do Sul acabem com a desconfiança mútua, em uma reunião nesta terça-feira em Washington.

"O que disse a ele é que há a necessidade de aproximar de alguma forma os Estados Unidos e a América do Sul, porque a desconfiança existe. Precisamos criar progressivamente medidas de produção de confiança", explicou Jobim a jornalistas.

Na reunião, Gates confirmou que viajará ao Brasil em abril, ainda que a data exata não esteja marcada, acrescentou Jobim.

O ministro da Defesa, que também se reuniu no Pentágono com o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, almirante Mike Mullen, disse que o Brasil está disposto a "colaborar" nessa aproximação.

Segundo Jobim, um dos temas que gera maior desconfiança na América do Sul é a conflituosa relação entre os EUA e Cuba, mas afirmou que o tema não foi discutido na reunião desta terça-feira.

Segundo o ministro, o acordo que permite a soldados norte-americanos utilizarem bases na Colômbia, motivo de críticas de diversos governos latino-americanos, também não foi abordado.

Por outro lado, Jobim conversou com Gates sobre os cerca de 36 caças que serão comprados pelo Brasil que, por sua vez, estuda propostas da empresa americana Boeing (pelos F-18 Super Hornet), da francesa Dassault (Rafale) e da sueca SAAB (Gripen NG).

O Brasil exige que o acordo de compra dos aviões militares inclua a capacitação e a tranferência de tecnologia.

Lula já manifestou "sua predisposição política pela França", país que oferece "uma transferência de tecnologia global", disse Jobim.

Em uma carta enviada pela secretária de Estado Hillary Clinton ao chanceler brasileiro Celso Amorim, os Estados Unidos se comprometeram a transferir informações "relevantes" e de tecnologia "necessária", mas o ministro disse que esses adjetivos podem ter várias interpretações.

Ainda segundo Jobim, em 20 dias entregará um informe ao presidente Lula, que deve tomar a decisão após consultar o Conselho de Defesa Nacional.

Na reunião com Gates, última atividade da visita do ministro, que começou na segunda-feira na sede da ONU em Nova York, ambos também discutiram a reconstrução do Haiti após o terremoto de janeiro.

Gates afirmou que os EUA estão "interessados em colaborar" no Haiti, cuja Missão de Estabilização da ONU (Minustah) é liderada por tropas brasileiras

Fonte: AFP
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1 comentários:

  1. Eu vejo um meio desta desconfiana ser diminuída ao menos: o Brasil se colocar como interlocutor da América Latina com os EUA, e vice versa. Ou seja, o Brasil ser o elo intemediário entre EUA e os demais páises do continente.

    E digo isso pelo seguinte: o Brasil é um país que tem respeito pela AL e é respeitado por todos os países latino americanos; e também é o único país que tem condições de negociar com os EUA mais ou menos em pé de igualdade. É, portanto, um elo de ligação entre os fracos e os fortes do Continente.

    abraços a todos

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