segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Leopard I - A espinha dorsal do Exército Brasileiro e sua história

O Exército Brasileiro hoje tem como a espinha dorsal de sua força de blindados, o MBT alemão Leopard I-A5, viaturas que vieram a complementar os primeiros Leopard I-A1 comprados junto a Bélgica nos anos 90, uma escolha muito questionada e que determinou o fim do EE-T1 "Osório", uma vez que a Engesa não conseguiu fechar o contrato para venda do MBT nacional aos sauditas e não houve mais nenhuma nação interessada no blindado brasileiro.

Hoje o GBN através desta matéria irá contar um pouco sobre as origens do Leopard I, que sem sombra de dúvidas é um bom MBT, apesar de já estar em muitos pontos ultrapassado frente aos modernos MBTs, ainda possui características que o tornam uma viatura viável e capaz de operar.

O Leopard I nasceu no período pós-guerra, onde a Alemanha então dividida ao meio entre a URSS e a OTAN, sendo a linha de frente no conflito da Guerra Fria, região que vivia enorme tensão, lembrando que quando a República Federal da Alemanha foi fundada em 1949, não possuía forças armadas. O país permaneceu completamente desmilitarizado, sendo proibidos pela regulamentação aliada de constituir instituições militares. Até mesmo a Polícia Federal, que era uma força levemente armada contando com pouco mais de 10 mil homens só obteve autorização para ser constituída em 1951.

Protótipo Leopard I
Porém, isso mudaria na década de 50,  quando surgiu o debate entre as potências aliadas constituídas pelo Reino Unido, Estados Unidos e França, com relação a questão de se permitir ou não a criação de forças militares na Alemanha Ocidental. A França foi uma das principais opositoras á ideia de se reconstituir o exército alemão, principalmente pelo fato do país ter sido invadido ocupado pelos alemães uma década antes e também na Primeira Guerra, além da guerra franco-prussiana ocorrida no século anterior e ainda viva na memória francesa. Mas com a influência política e a forte pressão dos EUA, o governo francês acabou aceitando os planos de rearmamento da Alemanha e sua entrada como um dos signatários da OTAN. As tensões nas relações entre a URSS e a OTAN que oscilavam continuamente, elevando o risco de eclodir um novo conflito de grande proporções, senão um apocalipse nuclear, também foi uma grande justificativa para a iniciativa de se recriar um exército na Alemanha Ocidental.

Diante deste cenário turbulento surgiu o Bundeswehr, sendo oficialmente criado, em 12 de novembro de 1955. O Bundeswehr era constituído pelo Deutsches Heer (Exército Alemão), Deutsche Marine (Marinha Alemã) e a Deutsche Luftwaffe (Força Aérea Alemã). Heer recebeu blindados e outros equipamentos fornecidos pelo Exército dos EUA. No entanto, os alemães acharam necessário construir um novo Main Battle Tank (MBT), um que viesse a substituir os norte americanos "Patton", que deixavam muito a desejar em termos de nível técnico frente as ameaças daqueles dias. E o projeto veio a ser batizado de Leopard I.

Diante deste novo cenário, um ano após a recriação do exército alemão, em 1956, foi dado o primeiro passo rumo ao novo blindado alemão, que seria o primeiro desenvolvido no país após a derrota na Segunda Guerra. Vários desenhos foram estudados e se chegou a estabelecer uma parceria com a França, que naquela época também vinham estudando a concepção de um novo MBT para equipar suas forças, juntando-se ainda ao programa a Itália, porém, a iniciativa que visava aproximar tais nações não frutificou, terminando com cada um optando por desenvolver em forma separada seus próprios blindados. 

Apesar desse rompimento no programa de desenvolvimento, a Porsche, conhecida por fabricar velozes carros esportivos, apresentou o desenho que viria a se tornar o Leopard I, o primeiro MBT alemão do pós-guerra.

Armado com uma versão alemã do canhão Royal Ordnance L7 calibre 105 mm, e uma blindagem relativamente leve, o novo MBT foi capaz de atingir uma velocidade de 65 km/h, entrando em operação já em 1965, sendo ainda exportado para países como Bélgica, Austrália, Holanda, Noruega, Dinamarca, Canadá e Grécia.

Mas o Leopard I apesar de ter sido recém concebido já estava em vias de receber inovações, sendo introduzidas várias melhorias que deram origem á 6 novas variantes do blindado alemão entre os anos de 1974 e 1987, sendo conhecidas como variantes A1, A2, A3, A4, A5 e A6, sendo as últimas concebidas mesmo após o desenvolvimento e adoção do mais moderno Leopard II pelas forças alemãs, com a Bundeswehr tendo introduzido o sucessor Leopard II em 1979.

Vamos conhecer um pouco sobre as variantes resultantes dos programas de modernização da frota de Leopard I:

O Leopard IA1 foi resultado do programa de modernização realizado pelo Exército Alemão em 1970, e dentre as principais mudanças podemos citar a introdução de um sistema da norte-americana Cadillac Gage que proporcionava estabilização hidráulica nos planos vertical e horizontal para o armamento principal, a instalação de uma cobertura térmica para o canhão L7, além da substituição do sistema de tiro noturno, que utilizava iluminação ativa infravermelha, por um novo sistema de periscópios com visão noturna por ampliação da luz residual. Isto permitia disparos mais precisos e mais agrupados, garantindo a capacidade de atingir alvos com o MBT em movimento e operar a noite de forma mais discreta. Além destas mudanças, o Leopard I A1 recebeu saias blindadas de aço e borracha para proteger o trem de rodagem, somada a uma nova esteira com almofadas de borracha para redução do ruído, recebeu blindagem adicional à torre, outra subversão do A1 denominada A1/A2 recebeu um novo sistema de tiro noturno denominado PZB 200, que fora projetado para equipar os Leopard II. Este sistema constituía-se de um compartimento retangular colocado na porção superior-direita da torre, o qual continha uma câmera de televisão capaz de detectar imagens a menos de 0.1 lux e enviava as imagens para dois monitores instalados respectivamente no posto do atirador e no posto do comandante.

O Leopard IA2 que possuía como diferencial em relação a  versão anterior uma torre de aço fundido com blindagem mais espessa. A única forma de diferenciar estes veículos daqueles Leopard 1A1 modernizados dos lotes anteriores é observando-se a cobertura do periscópio com calculadora de tiro e medidor de alcance TEM 1A, sendo a versão A2 ovalada, diferente da cobertura do A1 modernizado, onde esta é circular. A versão A2 ainda contava com sistema de tiro PZB 200 e rádios digitais VHF SEM 80/90.


O Leopard IA3 que recebeu uma nova torre construída com chapas de aço soldadas, incorporando blindagem composta, substituindo as torres fundidas presentes nas versões anteriores, o que permitiu ganhar espaço interno, mantendo a mesma capacidade de proteção. O A3 recebeu um novo periscópio com calculadora de tiro independente para o comandante da viatura, denominado TRP 2A, com os mesmos sistemas de tiro PZB 200 e rádios digitais VHF SEM80/90 presentes na versão A2.


O Leopard IA4 contando com a torre da versão A3 equipada com um novo sistema de controle de fogo. Este sistema composto por um periscópio independente e estabilizado para o comandante, modelo PERI R12, e um telêmetro laser/luneta calculadora de tiro EMES 12A1, acoplado ao canhão estabilizado para o atirador, sendo todo o sistema controlado por um computador balístico central. Esta versão é facilmente identificada pela cabeça do periscópio PERI R12, instalada logo à frente da escotilha do comandante. Com a instalação do computador de tiro perdeu-se espaço interno, assim sendo, o paiol teve sua capacidade reduzida de 60 para 55 cartuchos de 105 mm.


O Leopard IA5 Foi fruto dos estudos realizados nos anos 80 buscando manter a capacidade de combate e sobrevivência do Leopard I frente as novas ameaças no campo de batalha. Tendo sido originalmente desenvolvido para combater os blindados soviéticos T-55 e T-62, sofreu grandes melhorias para ser capaz de contrapor os novos blindados soviéticos T-64, T-72, T-72M1 e T-80. Para cumprir essa nossa missão, o Leopard IA5 recebeu aperfeiçoamentos na capacidade de combate noturno e sob mau tempo, outro ponto aperfeiçoado foi sua capacidade de efetuar disparos em movimento contra alvos em movimento, garantindo assim maior mobilidade e flexibilidade no campo de batalha frente aos seus adversários, contando assim com a velocidade e a precisão necessárias para enfrentar os compactos blindados soviéticos.

O Leopard IA5 ainda recebeu o Sistema de Controle de Tiro Krupp-Atlas Electronik EMES 18, desenvolvimento do EMES 15 que equipava o moderno Leopard II. Assim como o sistema de controle de tiro, o computador de tiro, também derivava do Leopard II, capaz de calcular a solução de tiro para até sete tipos diferentes de munição a uma distância de 4 mil metros. Os dinamarqueses efetuaram disparos a distâncias ainda maiores com seus Leopard IA5 calculando o ponto de impacto com o auxílio de calculadoras de manuais. O computador de tiro possui um painel de controle similar ao encontrado no Leopard II, bem como um sistema automático de detecção e análise de falhas. Um periscópio TRP 2A, o mesmo adotado pelos A3 foi instalado um pouco mais acima afim de permitir a visão sobre o sistema EMES 18. Uma nova torre também foi desenvolvida para equipar a versão A5, sendo maior que as versões anteriores, sendo capaz de abrigar os novos sistemas e a aumentando a capacidade de munição, tornando o paiol capaz de comportar 60 cartuchos. Esta nova torre é capaz de ser equipada com o canhão L44 de 120mm do Leopard II. 


O Leopard IA6 nada mais era que um A5 equipado com canhão L44 de 120mm do Leopard II e blindagem adicional similar à presente no Leopard II.  Porém, apenas um exemplar foi convertido neste padrão, sendo o programa de modernização A6 abandonado em 1987, quando o exército alemão optou pela aquisição de mais exemplares do Leopard II ao invés de modernizar os antigos Leopard I.

Seu histórico operacional inclui a atuação na Guerra da Bósnia, o conflito Turquia-Curdo e a Guerra no Afeganistão. Além desses conflitos, o MBT não atuou em outros conflitos. O Leopard I ainda esta em operação em vários países, constituindo hoje a espinha dorsal do Exército Brasileiro, onde operam mais de 300 viaturas entre os modelos Leopard IA1 comprados junto a Bélgica e os mais modernos Leopard IA5, sendo este a maior quantidade em operação com a Cavalaria brasileira, contando ainda com diversas viaturas de apoio montadas sobre o mesmo chassi. Diante do cenário sul-americano os Leopard IA5 atende as necessidades do Exército Brasileiro, sendo uma das viaturas mais modernas e capazes no continente, sendo uma importante arma da Cavalaria brasileira. 

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