quarta-feira, 18 de maio de 2011

Investigação de AF447 descarta temores sobre segurança de Airbus


Leituras preliminares dos dados das caixas-pretas do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico em 2009 amenizaram, ao menos por enquanto, as preocupações imediatas sobre a segurança da aeronave Airbus A330, mas investigadores alertaram na terça-feira contra a precipitação em culpar a tripulação pelo desastre.

Investigadores franceses analisam os dados e as gravações da cabine da aeronave contidos nas duas caixas-pretas retiradas do fundo do mar dois anos após o acidente. Eles trabalham sob pressão para resolver o mistério que envolve a queda da aeronave na noite de 31 de maio para 1o de junho de 2009, que matou todas as 228 pessoas a bordo, durante o voo Rio-Paris.

Em comunicado, o BEA, escritório que investiga acidentes aéreos na França, reiterou que ainda é muito cedo para se tirar quaisquer conclusões sobre as causas do dramático desaparecimento da aeronave, que fazia o voo 447, em meio a uma tempestade.

Mas o órgão disse que a recuperação bem sucedida dos dados e das gravações das caixas-pretas "nos deixa praticamente certos de que toda luz será jogada sobre este acidente".

Os dois dispositivos, que contêm pistas vitais sobre a tragédia, foram recuperados neste mês e chegaram a Paris na quinta-feira. O BEA informou na segunda-feira que todos os dados estão intactos.

Na primeira indicação tangível da direção que as investigações estão tomando, a Airbus informou companhias aéreas na terça-feira que não tem novas recomendações de segurança como resultado do primeiro exame dos dados da aeronave, medida que sugere que a leitura preliminar não apontou falhas mecânicas.

A detecção de qualquer defeito levaria automaticamente a algum tipo de recomendação para evitar colocar em risco a segurança dos passageiros dos cerca de 1.000 aviões A330 em serviço ao redor do mundo.

"Nessa fase de análise preliminar do gravador digital dos dados de voo (DFDR, na sigla em inglês), a Airbus não tem recomendações imediatas para as operadoras", disse a fabricante europeia em comunicado ao setor obtido pela Reuters.

A Airbus confirmou que divulgou o boletim afirmando que não há novas recomendações e acrescentou que a medida foi aprovada pelo BEA.

NOTÍCIA NEGADA

Aviões de passageiros levam dois dispositivos para ajudar os especialistas no evento de um acidente --um gravador de dados que rastreia sistemas e mudanças no comportamento da aeronave, e um outro que guarda as conversas realizadas dentro da cabine, neste caso englobando as duas últimas horas antes do acidente.

O BEA afirma que a análise desses dados levará algumas semanas.

As equipes de investigação ainda têm de sincronizar as leituras do gravador de dados com as conversas da cabine, um processo crucial e demorado.

O BEA reagiu com irritação a uma reportagem do jornal francês Le Figaro apontando diretamente a Air France ou sua tripulação como culpados pela tragédia. O escritório de investigação classificou a notícia como "sensacionalista" e prematura.

Citando fontes do governo francês e pessoas próximas à investigação, o jornal informou que especialistas identificaram erros da tripulação, mas não determinou se esses erros resultaram em decisões da equipe a bordo ou a procedimentos da Air France.

O sindicato que representa os pilotos na França, o SNPL, disse que não há relação entre a falta de novas recomendações de segurança da Airbus e qualquer responsabilidade da tripulação.

A entidade acrescentou que, embora não tenha feito novas recomendações, a Airbus já havia feito algumas modificações para os procedimentos do A330.

Desde o acidente, as recomendações aos pilotos sobre como sair de uma perda aerodinâmica, uma perda de controle causada por voar muito rapidamente ou muito lentamente, disse o presidente do sindicato, Jean-Louis Barber.

Um cenário especulativo que surgiu após o acidente foi de que leituras inconsistentes dos sensores de velocidade pode ter deixado os pilotos sem informações confiáveis sobre quão rápido voavam numa altitude em que há pouco espaço para erros.

Transmissões automáticas para o centro de manutenção informaram sobre leituras inconsistentes dos três sensores, conhecido como tubos pitot, fornecidos pela empresa francesa Thales.

As leituras de velocidade podem ficar equivocadas quando os tubos congelam. Mas autoridades do BEA afirmaram que, mesmo que comprovada, essa situação sozinha não seria o suficiente para explicar o acidente.

Os investigadores e as partes envolvidas repetidamente alertaram contra tentativas de fazer muitas deduções com base em pedaços individuais de informação, incluindo leituras inconsistentes dos sensores de velocidade da aeronave, hipótese que dominou os estágios iniciais da investigação.

Ainda assim, o resultado da investigação tem implicações legais potenciais tanto para a fabricante da aeronave quanto para a companhia aérea.

Representantes de algumas das famílias das vítimas questionaram por que o jato da Air France, um dos vários a voar do Brasil para a Europa, entrou numa tempestade equatorial enquanto outros aviões conseguiram evitar a pior parte do fenômeno.

Autoridades meteorológicas afirmaram pouco depois da tragédia que dois aviões da Lufthansa passaram pela mesma área da aeronave da Air France por volta do mesmo horário sem qualquer incidente. Tempestades são comuns na linha do Equador.

Fonte: Reuters
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