sexta-feira, 21 de maio de 2010

Secretário-geral da ONU diz que Coreia do Sul deve decidir como reagir a ataque


O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, disse nesta sexta-feira que cabe à Coreia do Sul decidir que medida tomar após uma investigação internacional ter concluído que um ataque da Coreia do Norte provocou o afundamento de um navio sul-coreano em março. Ban, que já foi primeiro-ministro da Coreia do Sul, disse ter recebido a acusação "com profunda preocupação", e pediu ao governo sul-coreano para agir com contenção.

A Coreia do Sul acusou formalmente nesta quinta-feira a Coreia do Norte de atacar o navio sul-coreano Cheonan em 26 de março, em uma região disputada do Mar Amarelo. Uma investigação internacional sobre as causas do afundamento do Cheonan concluiu que o submarino norte-coreano disparou um torpedo contra a embarcação.

O afundamento da coverta de 1.200 toneladas, perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte, provocou a morte de 46 dos 104 marinheiros sul-coreanos. Foi o incidente mais grave ocorrido na disputada fronteira marítima do Mar Amarelo entre as duas Coreias desde o fim da guerra entre as duas nações, em 1953.

O caso aumentou a tensão na península coreana e pôs em teste a posição internacional da China, único grande apoiador do regime norte-coreano. Como a guerra na península Coreana terminou com uma trégua e não um tratado de paz, as duas Coreias permanecem em um estado de guerra constante e divididas pela fronteira mais fortemente armada do mundo.

Ban disse ainda temer que a comunidade internacional provavelmente ainda vai ter que esperar "um bom tempo" para a Coreia do Norte se desfazer de suas armas nucleares.

Hillary Clinton

Mais cedo nesta sexta-feira, a secretária de Estados dos EUA, Hillary Clinton, "condenou fortemente" a Coreia do Norte pelo ataque. Hillary iniciou nesta sexta-feira em Tóquio uma viagem de uma semana pela Ásia, com passagem pelo Japão, China e Coreia do Sul. O foco seriam assuntos da economia chinesa, mas após a divulgação do relatório que mostrou a responsabilidade da Coreia do Norte no afundamento do navio, o foco deve passar para a tensão na Península Coreana.

Hillary disse que EUA, Japão, Coreia do Sul e China estão discutindo a medida apropriada ao incidente. Apesar de ser "prematuro" discutir opiniões ou ações específicas que serão dados em resposta, Hillary disse ser "importante mandar uma mensagem clara à Coreia do Norte de que ações provocativas têm consequências".

"Então vamos mandar uma mensagem clara e indiscutível à Coreia do Norte sobre a preocupação da comunidade internacional e, particularmente, de seu vizinho sobre seu comportamento."

A principal missão de Hillary pode ser tentar convencer a China a apoiar uma ação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra a Coreia do Norte. Os chineses são os únicos grandes apoiadores do regime norte-coreano e o apoio de Pequim a qualquer resposta internacional será decisivo para o sucesso.

Coreias

A Coreia do Norte já tinha negado a autoria do naufrágio, mas a acusação formal deve incitar uma disputa diplomática que pode acabar no Conselho de Segurança da ONU e lançar mais incertezas sobre os diálogos de desnuclearização de Pyongyang --paralisados há mais de um ano.

Mais cedo nesta sexta-feira, o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse em uma rara reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional que responderá com prudência. Lee disse que o ataque foi uma violação do armistício que marcou o fim da Guerra da Coreia (1950-53).

Já a Coreia do Norte afirmou que a península coreana caminha em direção a uma guerra e que estava disposta a rasgar todos os acordos firmados com a Coreia do Sul após ser acusada de bombardear um navio sul-coreano.

"Se o grupo de fantoches do Sul vier com "resposta' e "retaliação", vamos responder energicamente com punição cruel, incluindo paralisação de todas as relações Norte-Sul, quebra do acordo Norte-Sul de não agressão e abolição de todos os projetos de cooperação."

A imprensa local descarta uma possível resposta militar da Coreia do Sul devido ao risco de conflito na instável península coreana.

Seul já tinha deixado claro não ter intenção de uma ação militar retaliatória, consciente do impacto que um conflito militar teria na recuperação da quarta maior economia da Ásia. Em vez disso, o país indicou que pretende pressionar a comunidade internacional para impor sanções contra o norte.

Na próxima segunda-feira (24), a Coreia do Sul deve levar a acusação à ONU (Organização das Nações Unidas), em busca de uma resolução contra o regime de Pyongyang. Seul já conta com o apoio do Japão, Estados Unidos e Austrália.

Autoridades da Coreia do Sul estão pressionando o governo dos EUA a colocar a Coreia do Norte de volta na lista negra americana de terroristas, mas a Casa Branca se mostrou hesitante.

Resposta internacional

O governo Obama disse querer que a Coreia do Sul lidera a busca por possíveis respostas. Reiterando o temor americano de exaltar os ânimos na região, autoridades dos EUA se recusaram a classificar o ataque da Coreia do Norte como um ato de guerra ou um ato do Estado em apoio ao terrorismo, alertando que uma reação exagerada poderia levar a uma "explosão" na Península Coreana.

Autoridades americanas disseram que devem explorar medidas diplomáticas por meio da ONU ou aumentar as sanções unilaterais dos EUA contra o governo norte-coreano.

O premiê japonês, Yukio Hatoyama, afirmou nesta quinta-feira que vai apoiar Seul em busca de uma resolução do Conselho de Segurança contra a Coreia do Norte. Ele pediu ainda à China, principal aliada de Pyongyang, que assuma postura firme no tema.

"Se a Coreia do Sul buscar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, o Japão estará na frente da iniciativa", disse Hatoyama a repórteres. "Eu quero trabalhar duro nesta direção".

A China qualificou o ato como "um infeliz incidente" e evitou o tom de condenação. Ela pediu ainda que os dois países tenham cautela no caso. "Trata-se de um infeliz incidente e esperamos que se resolva, em nome da paz e da estabilidade da região", destacou em entrevista coletiva o vice-ministro de Relações Exteriores Cui Tiankai.

"A Coreia do Sul agiu de maneira calma até agora", disse Hatoyama. "A China pode estar usando a palavra calma de outra maneira. Precisamos reconhecer os fatos como fatos".

Fonte: Folha
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