sábado, 10 de dezembro de 2016

URAL - Um valente para o Brasil?

Muitos tem preconceitos quanto a veículos e meios oriundos da Rússia e antigos estados da extinta URSS, porém, podemos ressaltar alguns meios que se destacam por sua robustez e simplicidade, aliados a capacidades operacionais que superam em muito aos seus análogos ocidentais e nacionais.

Um destes casos que podemos citar, diz respeito aos caminhões da linha russa URAL, famosos cavalos de batalha presentes nos mais variados conflitos ao redor do mundo, exibindo versatilidade em seu emprego, onde vão desde o simples transporte de cargas á portar sistemas de lançamento de foguetes e outros tipos de armamento. As viaturas Ural tem grande fama e reconhecimento em operação em terrenos difíceis, onde a maioria dos caminhões não consegue superar os obstáculos. 

As viaturas Ural tem desempenhado um papel importante junto as operações de ajuda humanitária da ONU, realizando transporte das equipes de assistência e ajuda ás vitimas de conflitos, como ocorre hoje na Síria.

O Brasil possui uma grande extensão territorial desprovida de infraestrutura básica e estradas que permitam o deslocamento de meios militares sobre caminhões sem a devida preparação para atuar em áreas de difícil acesso, e mesmo os meios disponíveis para tal fim, nem sempre conseguem superar os obstáculos que se interpõem no seu caminho, levando as forças brasileiras a ter a necessidade de obter uma viatura que possa realmente atender suas necessidades em qualquer situação.

As forças armadas brasileiras já tiveram a oportunidade de operar alguns destes valentes caminhões, tendo sido oriundos de apreensões da Receita Federal por irregularidades em seu processo de importação, durante os anos de 1999 e 2001 um número considerável destas viaturas foram apreendidas nos portos brasileiros e direcionados ao Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira, onde tais viaturas apresentaram uma surpreendente folha de serviços, obtendo uma avaliação muito superior as demais viaturas do tipo operadas pelas forças até então,lembrando que dentre o inventário constam viatura modernas da VW e Mercedes-Benz que frutificaram de projetos de aplicação civil e foram adaptados ao ambiente operacional militar, algo muito diferente da viatura russa, que apesar de um projeto antigo, que remonta os anos 60, foi concebida voltada para operação militar em áreas de difícil acesso.

A viatura russa que hoje opera no EB foi fabricada em 1997, e mantém o mesmo visual rústico das versões anteriores, com um painel muito simples, cambio com caixa seca e duas alavancas de reduzida, interior que acomoda 3 homens, porém o motor é diesel e desenvolve 240cv,  um dos caminhões da versão 4x4, surpreendeu, fazendo o percurso usado normalmente pelos carros de combate de lagartas Leopard 1A1 do então 2º R.C.C. transferido para o sul do país com seus carros de combate, ficando no seu lugar o 13 R.C.Mec. O desempenho foi fantástico, superando com facilidade todos os desníveis do terreno e em alguns momentos criando seu próprio caminho.

Extremamente forte, a viatura possui torque de sobra e realiza manobras em terrenos ingrimes e acidentadas como se estivesse em terreno plano estivesse, seja descendo um local muito íngreme ou superando um obstáculo que vai desde um simples buraco a um barranco que barraria a maioria dos caminhões hoje operados no Brasil.

O Ural seria um grande incremento as capacidades de logística do EB, não apenas por suas excepcionais características, mas tendo em vista também o orçamento sempre aquém das necessidades da força  que sofre uma grande escassez de verbas para se equipar adequadamente, os caminhões da linha Ural possuem um baixo custo de aquisição, manutenção simples e de baixo custo, algo que cai como uma luva em nossas forças, principalmente por se tratar de um meio ao qual não dispomos em nosso inventário em quantidade necessária afim de prover adequada mobilidade em qualquer parte de nosso território.

Outro ponto que soma á favor das viaturas Ural é sua simplicidade, o que possibilita uma manutenção simples e mesmo em campo, o que com certeza daria menos problemas do que caminhões mais sofisticados e com sérias limitações como os que operamos hoje.

Cabe agora ao comando militar abrir os olhos as oportunidades que há no mercado, sendo ainda um ponto de consideração trazer uma linha de produção dos mesmos ao Brasil, tendo em vista que muitos de nossos vizinhos operam tais viaturas, ainda cabendo inserir esse novo tipo no mercado civil que possui demanda por caminhões com tal robustez, o que pode gerar não apenas retorno financeiro aos cofres públicos e empregos, como também pode aumentar as capacidades da indústria nacional na produção deste tipo de veículo.

Resta agora espera pela sensatez e uma mudança na mentalidade militar que ainda vive ás sombras da finada guerra fria no que diz respeito a aquisição de meios de origem russa.


GBN Seu canal de informações e notícias

0 comentários:

Postar um comentário