Novo sistema radar desenvolvido no Brasil foi submetido a testes no Campo de Provas da Marambaia, avaliando sua capacidade de detectar pessoas e aeronaves em diferentes condições de distância, altitude e velocidade
A capacidade de vigilância do Exército Brasileiro ganhou mais um importante capítulo com a realização de uma série de testes técnicos envolvendo o radar SENTIR M20. A atividade, conduzida pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), buscou verificar em condições controladas, o desempenho do sistema na detecção de alvos terrestres e aéreos, incluindo pessoas e aeronaves em movimento.
Os ensaios ocorreram nos dias 21 e 22 de julho, no Campo de Provas da Marambaia no Rio de Janeiro, e fazem parte do processo de avaliação de materiais destinados ao emprego pela Força Terrestre. O objetivo foi verificar a capacidade do SENTIR M20 de detectar uma pessoa a pé a distâncias de até 4 quilômetros, além de acompanhar aeronaves a até 12 quilômetros, considerando diferentes parâmetros de altitude e velocidade.
Para a avaliação do desempenho contra alvos terrestres, foi empregado um militar equipado com armamento e capacete, permitindo reproduzir uma situação operacional mais próxima daquela encontrada em campo. Já para os ensaios de detecção aérea, o Exército utilizou um helicóptero HM-1 Pantera K2 do 2º Batalhão de Aviação do Exército (2º BAvEx).
A atividade foi conduzida na chamada Linha V (Rampa) sob coordenação da Primeira-Tenente do Quadro de Engenheiros Militares - Engenharia Eletrônica, Rebeca Ribeiro Kurchchoff, adjunta da Seção de Avaliação de Material de Emprego Militar. Engenheiros e técnicos do CAEx, além de militares do 2º BAvEx, também participaram dos testes.
Mais do que uma simples verificação de alcance, esse tipo de ensaio é fundamental para determinar como um sistema de sensores se comporta diante de diferentes tipos de alvos e condições de emprego. Para uma força terrestre que amplia progressivamente sua capacidade de operar em ambientes multidomínio, a integração entre vigilância, consciência situacional e resposta operacional tornou-se um elemento cada vez mais relevante.
Tecnologia nacional aplicada à defesa
O SENTIR M20 representa um dos resultados da aproximação entre o Exército Brasileiro e a indústria nacional de defesa. O radar de vigilância terrestre é fruto da parceria com a Embraer, dentro de uma iniciativa apoiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Essa relação entre Forças Armadas, indústria e instituições públicas de fomento é particularmente importante para o desenvolvimento de tecnologias críticas no Brasil. Além de atender a uma necessidade operacional específica, projetos dessa natureza contribuem para preservar conhecimento tecnológico no país e ampliar a capacidade da Base Industrial de Defesa de desenvolver soluções próprias.
No campo operacional, um radar capaz de identificar e acompanhar alvos terrestres amplia a consciência situacional das tropas, permitindo detectar movimentações antes que estas estejam visualmente perceptíveis aos elementos de uma unidade. Quando associado a outros sensores e sistemas de comando e controle, esse tipo de capacidade pode contribuir para formar uma imagem mais completa do ambiente operacional.
A realização dos testes com o SENTIR M20 também evidencia a importância do CAEx dentro do ciclo de desenvolvimento e aquisição de sistemas militares. É nessa etapa que os equipamentos deixam o ambiente de desenvolvimento e passam a ser submetidos a critérios técnicos e operacionais que determinarão sua adequação ao emprego pela Força Terrestre.
No caso do SENTIR M20, a avaliação envolvendo simultaneamente um alvo terrestre e uma aeronave amplia a compreensão sobre a versatilidade do sistema. O emprego do HM-1 Pantera K2 como alvo aéreo acrescenta uma dimensão prática aos ensaios, permitindo verificar o comportamento do radar diante de uma plataforma real em voo.
O processo integra o esforço do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército para colocar à disposição da Força Terrestre equipamentos seguros, confiáveis e adequados às necessidades do campo de batalha contemporâneo.
A evolução desse tipo de capacidade é especialmente relevante diante de um ambiente operacional no qual a detecção antecipada deixou de estar restrita às grandes plataformas. Drones, equipes de reconhecimento, veículos leves e outros elementos de baixa assinatura passaram a exigir sensores capazes de ampliar a percepção do campo de batalha em tempo real.
Nesse contexto, sistemas nacionais como o SENTIR M20 assumem importância que vai além de suas características individuais. Eles fazem parte de uma arquitetura maior de sensores, comunicações e sistemas de comando e controle que permitirá ao Exército Brasileiro avançar na construção de uma força mais conectada, capaz de detectar, acompanhar e responder com maior rapidez às ameaças presentes no ambiente operacional.
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