A Finlândia assinou contrato com a Saab visando a aquisição do sistema RBS 70NG para ampliar sua capacidade de defesa aérea de curto alcance. O acordo, firmado pelo Comando Logístico das Forças de Defesa da Finlândia, inclui uma encomenda inicial avaliada em 1,2 bilhões de coroas suecas e estabelece condições para futuras aquisições do sistema.
Além dos equipamentos, o contrato prevê a possibilidade de novas encomendas de sistemas RBS 70 NG, bem como de treinamento, peças de reposição e equipamentos destinados à manutenção. A estrutura do acordo busca garantir não apenas a aquisição dos sistemas, mas também a sustentação da capacidade ao longo de seu ciclo operacional.
A escolha representa uma evolução em relação ao sistema RBS 70 empregado pelas Forças de Defesa da Finlândia desde 2008. A versão NG incorpora melhorias destinadas a aumentar a capacidade de detecção, acompanhamento e engajamento de alvos, mantendo o conceito de defesa aérea de curto alcance baseado em mísseis guiados por laser.
Entre os principais avanços está o sistema de rastreamento automático de alvos, associado a uma capacidade noturna integrada. Essas características reduzem a dependência da operação manual durante o acompanhamento dos alvos e ampliam a possibilidade de emprego em diferentes condições de visibilidade.
O míssil utilizado pelo RBS 70 NG emprega orientação por feixe laser, característica que proporciona elevada resistência a determinadas formas de interferência eletrônica utilizadas contra sistemas convencionais de guiagem. Diferentemente de sistemas que dependem de um buscador instalado no próprio míssil, a orientação é realizada a partir da unidade de tiro durante o engajamento.
A modernização ganha relevância diante da transformação do ambiente aéreo observado nos conflitos recentes. A proliferação de drones, munições guiadas e aeronaves de baixa assinatura impõe às forças terrestres a necessidade de contar com sistemas capazes de detectar e enfrentar diferentes categorias de ameaças em distâncias relativamente curtas.
A defesa aérea de curto alcance também passou a desempenhar papel importante na proteção de unidades móveis, posições de comando, instalações logísticas e infraestruturas críticas. Nesse contexto, sistemas portáteis ou de elevada mobilidade podem complementar camadas de defesa de maior alcance, criando uma arquitetura mais distribuída e difícil de neutralizar.
A decisão finlandesa também possui uma dimensão particular para o ambiente estratégico europeu. Com uma extensa fronteira terrestre com a Rússia e integrada à estrutura de defesa da OTAN, a Finlândia vem ampliando suas capacidades militares e priorizando sistemas capazes de operar em um cenário de alta intensidade. A defesa aérea constitui uma das áreas mais sensíveis desse processo.
Brasil já emprega o RBS 70 NG
O Exército Brasileiro já utiliza o RBS 70 NG, com sistema integra a capacidade de defesa antiaérea de baixa altura da Força Terrestre e representa uma das soluções empregadas para proteger tropas e instalações contra ameaças aéreas.
A experiência brasileira com o RBS 70 NG coloca o país entre os operadores da geração mais recente do sistema e cria uma base para observar a evolução de sua utilização por outros usuários. No caso finlandês, a modernização ocorre dentro de uma arquitetura de defesa mais ampla e diretamente influenciada pela necessidade de enfrentar um ambiente operacional marcado pela presença de aeronaves, drones e armas de precisão.
A movimentação de Helsinque reforça uma tendência que vem ganhando espaço entre forças armadas europeias: a defesa aérea de curto alcance deixou de ser considerada exclusivamente uma capacidade complementar e passou a ocupar posição central na proteção das forças terrestres. A combinação entre sensores, mobilidade, capacidade de operação noturna e resistência a interferências torna esse nível de defesa particularmente relevante para a sobrevivência das unidades no campo de batalha moderno.
Para o Brasil, que já opera o RBS 70 NG, a evolução observada na Finlândia também oferece um parâmetro sobre a importância da sustentação, modernização e integração desse tipo de sistema dentro de uma arquitetura de defesa aérea em camadas, especialmente diante da rápida evolução das ameaças aéreas não tripuladas.
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