Equipamentos avaliados em R$ 1,2 milhão foram localizados durante a Operação Jaguaretê; ação também encontrou pistola, munições e mercúrio
Seis dragas utilizadas em uma atividade de extração mineral sem autorização ambiental foram localizadas e inutilizadas pelo Exército Brasileiro e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no rio Içá, próximo à Vila Alterosa do Juí, no Amazonas. A ação ocorreu na sexta-feira (21), durante a terceira fase da Operação Jaguaretê, conduzida pelo Comando Militar da Amazônia (CMA).
As estruturas foram encontradas durante um patrulhamento fluvial realizado por militares do Comando de Fronteira Solimões/8º Batalhão de Infantaria de Selva (8º BIS) e agentes do Ibama. Construídas principalmente com madeira e lona, as dragas apresentavam estrutura mais simples que os grandes equipamentos empregados em operações de mineração, mas ainda eram capazes de causar impactos relevantes no ambiente fluvial.
Durante a revista, as equipes também encontraram uma pistola calibre .380, munições calibre 16 e mercúrio. Segundo o Ibama, os equipamentos estavam sendo empregados em atividade potencialmente poluidora sem autorização ambiental.
As seis dragas, juntamente com os equipamentos utilizados na extração mineral, foram apreendidas e posteriormente inutilizadas conforme as medidas previstas na legislação ambiental, com fundamento no artigo 66 do Decreto Federal nº 6.514/2008. O conjunto foi avaliado em aproximadamente R$ 1,2 milhão, representando uma perda direta para a estrutura utilizada na atividade ilegal.
Garimpo altera dinâmica dos rios
A operação também evidencia um dos principais problemas associados ao garimpo ilegal na Amazônia: o impacto sobre os próprios rios utilizados como vias de acesso e exploração. Mesmo equipamentos de menor porte podem revolver o leito, deslocar grandes volumes de sedimentos e alterar a dinâmica dos cursos d'água.
A movimentação do material interfere na estrutura do fundo dos rios, favorece processos de assoreamento e pode afetar a fauna aquática. A alteração das condições do ambiente também pode comprometer populações de peixes e, consequentemente, atividades de pesca das comunidades que dependem desses recursos.
O uso de mercúrio acrescenta outro componente de risco. O metal pode permanecer no ambiente e se acumular ao longo da cadeia alimentar, chegando aos seres humanos principalmente por meio do consumo de pescado contaminado.
Nesse cenário, o combate ao garimpo ilegal não se limita à retirada de equipamentos. A presença de estruturas de mineração clandestina em áreas remotas também envolve logística, circulação de pessoas e materiais, financiamento e, em determinadas situações, a presença de armas para proteção das atividades ilícitas.
Operação atinge estrutura de crimes na fronteira
A inutilização das dragas integra uma operação de maior escala conduzida pelo Comando Militar da Amazônia para combater delitos transfronteiriços e proteger a faixa de fronteira. A terceira fase da Jaguaretê concentra esforços na área de responsabilidade da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, combinando tropas e meios militares com órgãos de fiscalização e segurança.
Segundo o CMA, as ações realizadas até o momento durante a operação já provocaram um prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões às estruturas criminosas. O cálculo considera apreensões de drogas, armas, ouro e outros materiais, além do valor de infraestruturas inutilizadas e dos chamados lucros cessantes.
No balanço apresentado, foram apreendidas quatro armas, 1.220 munições e 3,476 toneladas de drogas, entre cocaína, pasta base, skunk, maconha e outras substâncias.
No eixo de combate aos crimes ambientais, as equipes também apreenderam 17,5 toneladas de pescado, 26,2 m³ de madeira e 55 gramas de ouro, além da aplicação de aproximadamente R$ 1,186 milhão em multas.
Pressão sobre redes criminosas na Amazônia
Mais do que uma operação pontual contra seis dragas, a ação no rio Içá mostra a dimensão do desafio enfrentado pelo Estado em uma região onde crimes ambientais e delitos transfronteiriços frequentemente compartilham as mesmas rotas, estruturas logísticas e áreas remotas.
A utilização de tropas de selva em patrulhamento fluvial, integrada à capacidade de fiscalização do Ibama, permite atingir não apenas o produto final do crime, como drogas, madeira ou ouro, mas também parte da infraestrutura que sustenta essas atividades.
É justamente essa combinação que dá relevância estratégica à Operação Jaguaretê. Na Amazônia, onde a dimensão territorial e a dificuldade de acesso favorecem a atuação de organizações criminosas, retirar a infraestrutura utilizada para explorar recursos naturais ilegalmente significa também reduzir a capacidade logística dessas redes de permanecerem e se expandirem em áreas sob baixa presença permanente do Estado.
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