Estudo baseado no RMT 0200 avalia métodos para aprimorar a estimativa de precipitação em eventos de chuva intensa
A IACIT apresenta nesta semana, durante o ERAD 2026 em Belgrado na Sérvia, uma pesquisa desenvolvida a partir de dados do radar meteorológico RMT 0200, desenvolvido e fabricado no Brasil. A conferência realizada entre 24 e 28 de agosto, reúne pesquisadores, serviços meteorológicos, universidades e empresas especializadas em radar aplicado à meteorologia e à hidrologia.
O estudo é conduzido pela meteorologista e doutora em Ciência do Sistema Terrestre Priscila da Silva Tavares, da IACIT, em parceria com o doutor em Hidrologia e professor da UNESP Roberto Vicente Calheiros. A pesquisa utiliza dados do RMT 0200 instalado no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), em São José dos Campos (SP).
O trabalho avalia diferentes métodos para estimar a quantidade de chuva a partir dos dados obtidos pelo radar. A pesquisa dá continuidade a um estudo apresentado anteriormente no INPE, e nesta nova etapa incorpora diferentes eventos de precipitação, ampliando a base de análise com atenção especial às situações de chuva intensa.
Tecnologia
O RMT 0200 é um radar meteorológico de banda S, com dupla polarização e transmissão em estado sólido. A banda S oferece maior alcance e menor atenuação do sinal pela chuva, enquanto a dupla polarização permite obter informações adicionais sobre as características dos hidrometeoros, contribuindo para uma estimativa mais precisa da precipitação.
Esses dados são particularmente importantes no acompanhamento de tempestades severas, permitindo identificar a distribuição e a intensidade da chuva e fornecendo informações que podem apoiar sistemas de monitoramento, previsão de curto prazo e alertas de eventos extremos.
A pesquisa apresentada no ERAD busca justamente avaliar como diferentes metodologias de processamento podem melhorar a conversão dos dados do radar em estimativas quantitativas de precipitação.
“Quanto melhor conseguirmos estimar a intensidade e a distribuição da chuva, maior é a capacidade de apoiar a prevenção e a resposta a eventos extremos”, afirma Priscila Tavares.
Para Luiz Teixeira, CEO da IACIT, a apresentação demonstra a conexão entre desenvolvimento tecnológico e pesquisa científica.
“Um radar desenvolvido no Brasil sendo utilizado em uma pesquisa que será discutida com especialistas de diferentes partes do mundo” representa, segundo o executivo, uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre o comportamento das tempestades e avançar no desenvolvimento de tecnologias de monitoramento meteorológico.
Pesquisa e capacidade nacional
A participação no ERAD 2026 evidencia ainda a aplicação de uma tecnologia desenvolvida pela indústria brasileira em uma pesquisa científica voltada a um problema operacional concreto: aumentar a qualidade das estimativas de precipitação.
A integração entre radar, processamento de dados e pesquisa meteorológica é particularmente relevante para sistemas de monitoramento de eventos extremos, nos quais informações mais precisas sobre a localização e intensidade da chuva podem contribuir para a tomada de decisão.
Com 40 anos de atuação, a IACIT, sediada em São José dos Campos (SP), é certificada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e desenvolve tecnologias para Defesa, Controle do Espaço Aéreo, Meteorologia e Segurança Pública, incluindo sistemas de radar, sensoriamento e monitoramento.
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