quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Lula abre Assembléia do ONU


Em seu discurso de abertura da 64ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso construir “um novo mundo” após a crise financeira mundial. Lula destacou que “a crise financeira, a nova governança mundial e a mudança de clima” são os temas preponderantes do futuro.

“Os temas que estão no centro das nossas preocupações, a crise financeira, a nova governança mundial, e a mudança de clima têm um forte denominador comum. Ele aponta para a necessidade de construir uma nova ordem internacional sustentável, multilateral, menos assimétrica, livre de hegemonismos e dotada de instituições democráticas. Esse mundo novo é o imperativo político e moral”, disse.
"A maioria dos problemas de fundo não foi enfrentada. Há enormes resistências em adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros", afirmou
Lula pediu integração de um mundo “multipolar, seguindo experiências de integração regional como ocorre na America do sul com a Unasul.” "Apenas agências internacionais mais democráticas e representativas serão capazes de abordar problemas complexos, como reorganizar o sistema monetário internacional", afirmou.

O presidente citou também o Conselho de Segurança da ONU, o principal órgão de decisão das ONU. Para Lula, o conselho "não pode continuar funcionando sob a mesma estrutura imposta depois da Segunda Guerra Mundial". O Brasil reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança.


Crise financeira

A crise financeira internacional foi um dos principais temas do discurso de Lula na ONU. O presidente brasileiro afirmou que mais do que a crise do “brandes bancos essa é a crise dos dogmas. O que caiu por terra foi a concepção econômica política e social tida como inquestionável”.
Lula voltou a criticar os países desenvolvidos e a defender os países pobres e em desenvolvimento. “Não é justo que o custo da aventura especulativa seja assumido pelos que nada tem a ver com ela, os trabalhadores, as nações pobres ou em desenvolvimento”, disse. Lula disse considerar “incompreensível a paralisia da rodada de Doha”.

“Há enormes resistências em adotar mecanismos de regulação. Países ricos resistem em realizar reformas em organismos multilaterais como o FMI”, criticou. Lula citou a “demonização” das políticas sociais e disse que ainda não há disposição, no âmbito multilateral, de enfrentamento das “distorções” econômicas.


Brasil

O presidente citou que o Brasil foi um dos primeiros a se recuperar da crise financeira. “O Brasil, um dos últimos, felizmente, a sentir os efeitos ad crise, é hoje um dos primeiros a sair dela. Não fizemos nenhuma mágica. Simplesmente tínhamos preservado o nosso mercado financeiro do vírus da especulação.”

Segundo Lula, o país se recuperou graças a políticas de estímulo do consumo, aumento do salário mínimo, aprofundamento dos projetos sociais, “especialmente os de transferência de renda”, disse. “Nossa economia retomou seu ímpeto e anuncia um 2010 promissor.”


Clima

Lula voltou a cobrar uma atuação maior dos países ricos no combate às mudanças climáticas. "Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global."

E prometeu que, mesmo com a descoberta do pré-sal, "o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo".


Zelaya

Em seu discurso, Lula disse ainda que a comunidade internacional quer que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, seja "imediatamente" restabelecido no poder.

"A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma a Presidência de Honduras", disse Lula em Nova York.


ONU

O encontro de chefes de estado de 192 países promete ser quente, com as crises de Oriente Médio, Coreia do Norte, Irã e Honduras em pauta, além da questão climática.

O evento também será marcado pela estréia do presidente norte-americano, Barack Obama, na assembleia, realizado após o de Lula.

Como é de praxe, o discurso de abertura foi feito pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Após Obama, na ordem, falarão os líderes de Uruguai, Chile, Argentina, Colômbia, Honduras, El Salvador, República Dominicana e Nicarágua.

Fonte: G1 Noticias
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