quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Israel ignora pressão de Obama


O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, comemorou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta quarta-feira, por causa da referência ao Estado como "judaico". Nos comentários, entretanto, o israelense não abordou a crítica inquestionável às colônias que Israel mantém nos territórios palestinos.

"Cumprimento Obama por seu apoio incondicional a Israel como Estado nacional do povo judeu", afirmou Netanyahu aos meios de comunicação. "Essa é uma bênção importante."

O grupo radical islâmico palestino, Hamas, criticou a menção. "Quando Obama diz que Israel é um Estado judeu, o que significa é que os EUA estão satisfazendo as exigências de Israel", afirmou Taher A-Nunu, porta-voz do governo da faixa de Gaza. "Essas exigências israelenses apagam o direito de retorno dos palestinos refugiados, principalmente daqueles que vivem na diáspora, e destroem completamente um direito legítimo", acrescentou o porta-voz.

Para os palestinos e boa parte da comunidade internacional, colônias judaicas construídas em territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias (67) são ilegais e representam sérios obstáculos à paz e à criação de um futuro Estado palestino vizinho. Mas Israel defende haver um "crescimento natural" desses locais e, por isso, realiza construções.

Nos seus comentários, Netanyahu focou o pedido de Obama para que as negociações de paz sejam retomadas o quanto antes --o que não acontece principalmente devido à insistência dos palestinos para que as construções nas colônias sejam paralisadas antes, como pré-condição.

"O presidente [Obama] afirmou "vamos reiniciar o processo de paz sem pré-condições'. Como vocês sabem, é o que eu venho dizendo há quase seis meses. Fiquei feliz", afirmou Netanyahu, sem mencionar que não só se recusa a congelar as colônias como autorizou a construção de 455 imóveis há menos de um mês e de outros 37, nesta quarta-feira.


Ilegítimas

No discurso à ONU, Obama afirmou claramente que os EUA "não aceitam a legitimidade das prolongadas colônias israelenses".

Nesta terça-feira, a imprensa e fontes do próprio governo israelense tinham observado que Obama havia citado só a "contenção" das colônias judaicas no pronunciamento que fez após a reunião com Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, nesta terça-feira, em Nova York. O porta-voz do partido secular Fatah, de Abbas, Mohammed Dahlan, havia visto uma mudança de posição.

Em nova demonstração de impaciência em relação à resistência de ambos lados de abrir mão de reivindicações para negociar, Obama pediu a retomada dos diálogos incondicionais. "Todos precisamos decidir se somos sérios quanto à paz. [...] Para romper com os antigos padrões e com o ciclo de insegurança e sofrimento, todos nós precisamos afirmar em público aquilo que concordamos em dizer reservadamente."

"É hora de reiniciar as negociações sem pré-condições e tratar de questões permanentes: a segurança para israelenses e palestinos, fronteiras, refugiados e Jerusalém. A meta é clara: dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança. Um Estado Judeu de Israel, com real segurança para todos os israelenses; e um viável e independente Estado palestino, com um território contíguo que acabe com a ocupação que começou em 1967 e que dê espaço ao potencial do povo palestino."

Fonte: Folha
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