sábado, 26 de setembro de 2009

ASA - Lula e Chavez pede integração, Kadafi pede criação da "OTAS"


A segunda cúpula América do Sul-África iniciou seus trabalhos neste sábado com declarações dos líderes latino-americanos Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva celebrando a integração dos dois continentes, e pela proposta do líder líbio Muamar Kadafi de uma aliança militar nos moldes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

"Temos que fazer uma Otan para o sul e isso não é uma ação militar. Nós temos nossos direitos, temos criar organizações [desse tipo], disse Kadafi, na abertura da reunião de cúpula, na ilha de Margarita (norte da Venezuela).

"A América do Norte está ligada por todo o ponto de vista com a Europa, enquanto que no Atlântico sul há um vazio. Temos que criar uma aliança para poder garantir uma aliança histórica e estratégica que possa reduzir esse vazio, de modo que o sul se conecte como a Otan no norte", declarou o líder líbio.

Kadafi fixou como um possível objetivo que esta aliança esteja conformada até 2011, quando será realizada a próxima reunião de cúpula América do Sul-África, na Líbia. "Somos nós que vamos transformar o mundo", disse ele.

Na abertura do evento, o anfitrião e líder venezuelano Hugo Chávez, pediu que seus colegas agilizem a integração entre as duas regiões.

Ele pediu que seus colegas "deem visão estratégica e viabilidade" à integração com o objetivo de obter "resultados" no médio prazo.

O governante venezuelano comentou brevemente que ainda existem "desacordos" entre os delegados ministeriais para aprovar algumas partes da declaração final e do plano de ação, além dos documentos que os líderes reunidos na ilha venezuelana deverão revisar e assinar. "Mas 99% de seu conteúdo está acordado", afirmou Chávez.

O presidente venezuelano disse que os presentes devem aprovar a declaração final e o plano de ação e falou inclusive de um "terceiro documento" cujo conteúdo não informou.

O governante venezuelano destacou especialmente a necessidade de agilizar os mecanismos já criados na primeira Cúpula ASA, realizada em 2006 em Abuja.

"Temos que dar visão estratégica e viabilidade" à ideia de integrar América do Sul e África com a estruturação e o início de uma "agenda de trabalho para os anos 2010-2020", declarou o presidente venezuelano.

A segunda Cúpula América do Sul-África (ASA) começou hoje na ilha Margarita, na Venezuela, com a participação de mais de 30 chefes de Estado e de Governo.



Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou hoje convencido do sucesso do processo de integração entre os países sul-americanos e africanos e destacou que isso abrirá oportunidades inéditas de desenvolvimento para as duas regiões.

"No momento em que nos juntamos, podemos produzir oportunidades muito maiores do que as criadas pelo mundo desenvolvido em todo o século passado" para os países em vias de desenvolvimento, declarou Lula durante seu discurso.

O presidente brasileiro lembrou que a primeira Cúpula ASA foi organizada na Nigéria em 2006 em meio ao ceticismo sobre seu poder de convocação e seu resultado.

Após essa primeira reunião, a integração entre América do Sul e África "não parou de se fortalecer", disse Lula, que citou o aumento das "trocas comerciais em mais de 50%", e as "bem-sucedidas experiências compartilhadas no ramo da saúde e de energia".

Para ampliar ainda mais esse processo, o presidente propôs a criação de "um grupo de trabalho fixo, permanente" que determine, aborde e avance sobre "temas determinados" que permitam a ambas as regiões "chegar na próxima Cúpula com resultados extraordinários".

"Graças à integração, nossos países sofreram menos pela queda da demanda no mundo desenvolvido" derivada da crise econômica mundial, a qual, sustentou Lula, é de responsabilidade do mundo desenvolvido.

Para o presidente, aumentar os mecanismos de cooperação permitirá que os países sul-americanos e africanos avancem no "necessário" reforço de sua presença "na Organização Mundial do Comércio" (OMC) para forçar a aprovação de normas que abram o caminho para que o comércio seja uma verdadeira "alavanca de desenvolvimento para os países mais pobres".

Fonte: Folha
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