sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Geopolítica - Questão Palestina


Assunto recorrente em todas as análises geopolíticas do mundo contemporâneo, a questão Palestina é um dos nós mais difíceis de desatar nas relações internacionais. A Palestina sempre foi, desde tempos imemoriais, território de conflitos pela posse da terra. Situada no extremo oeste da Mesopotâmia, região árida e de solo pobre pontilhado por faixas estreitas de terra fértil, a Palestina é uma região onde o domínio da terra significa sobrevivência. Diversos povos se sucederam na região, desde os sumérios e acádios até babilônios, caldeus, hititas, hurritas e hebreus.

Esse último povo (os hebreus) teve uma participação importante na história do Oriente Médio em função de inovações políticas e culturais que o caracterizaram. Ao contrário de seus vizinhos mesopotâmicos, os hebreus adotaram precocemente o monoteísmo e o governo de caráter não divino. Para os antigos hebreus, a união ao redor da religião e do culto ao deus único (Javé) e a concepção política de governo majoritário conferiram-lhes coesão e agilidade únicas, em comparação aos governos monolíticos despóticos, de natureza divina, de seus vizinhos mais numerosos.

Os hebreus se destacaram, portanto, num cenário político conturbado, e tiveram habilidade política suficiente para que sua inferioridade numérica não se transformasse em desvantagem muito significativa. Além disso, os textos sagrados da antiga religião hebraica (hoje reunidos na chamada Tora, ou livros do Pentateuco Bíblico) falavam em uma “Terra Prometida”, chamada Sião, onde os hebreus poderiam construir um estado que duraria toda a eternidade, sob as bênçãos de Javé. A localização desse território seria, segundo as escrituras, equivalente à Palestina.

Após a diáspora do ano 70, sob domínio romano, os judeus se espalharam pelo mundo, em particular pelo norte da África (chamados judeus sefarditas) e pelo leste europeu (judeus asquenazis). Posteriormente, com o crescimento do islamismo, os sefarditas do norte da África migraram para a península ibérica.

A expansão do islamismo englobou a região da Palestina, que se converteu em território muçulmano sob domínio do Império Otomano. Os judeus europeus, nesse meio tempo, sofriam dura perseguição na Europa em função da consolidação do cristianismo católico durante a Idade Média. Somente no século XIX surgiu um movimento organizado de reivindicação do povo judeu, o Movimento Sionista, criado em 1835 pelo jornalista austríaco judeu Theodor Herzl, que pregava o direito judeu à formação de um estado na terra de seus ancestrais, a Palestina, então sob domínio otomano.

Com a Primeira Guerra Mundial e o desmembramento do Império Otomano pelo Tratado de Sèvres, a Palestina passou para o domínio britânico; o chanceler inglês Arthur Balfour chegou a declarar publicamente que os judeus mereciam ter seu próprio estado, fato que estimulou a migração de judeus sionistas para a Palestina, gerando conflitos com os palestinos lá residentes. Pouco tempo depois, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, os judeus sofreram com o holocausto promovido pelos nazistas, o que comoveu a opinião pública internacional. A ONU, então recém-criada, passou a discutir a criação do estado de Israel como compensação aos judeus pelos massacres da guerra, e oficializou sua criação em 1948, em território palestino. Nesse mesmo ano, o primeiro-ministro de Israel, David Ben Gurion, proclamou unilateralmente a independência do país. Os árabes se recusaram a aceitar a medida, o que gerou a Primeira Guerra Árabe-Israelense entre 1948-1949. Israel venceu e consolidou seu domínio sob boa parte da Palestina. Os palestinos da região foram deslocados para campos de refugiados.

Com o passar dos anos, a situação dos palestinos se agravou, pois os protestos dos refugiados caíam em ouvidos surdos na ONU, francamente favorável a Israel, e as lideranças árabes pareciam impotentes perante os israelenses, considerados por eles como um povo invasor. Esse cenário incentivou o surgimento de organizações terroristas de natureza fundamentalista islâmica, como a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), sob liderança de Yasser Arafat, que simbolizou durante muito tempo a luta de resistência dos árabes. Arafat representava os palestinos na ONU, reivindicando o reconhecimento de um estado palestino, mas sem sucesso, pois muitas das grandes potências alegavam que não havia coesão de governo entre os próprios árabes, o que inviabilizaria seu reconhecimento. Além disso, ataques terroristas contra alvos judeus passaram a ser retaliados com ações militares de Israel, culminando na Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel tomou a Faixa de Gaza e a Península do Sinai do Egito, a Cisjordânia da Jordânia e as Colinas de Golan da Síria, reduzindo ainda mais o espaço dos refugiados palestinos e demonstrando sua força perante as lideranças árabes. A situação se agravou e o terrorismo passou a ser mais amplamente utilizado de parte a parte.

A ONU passou a sugerir o diálogo entre israelenses e palestinos, mas grupos radicais de ambos os lados se recusavam a negociar e ceder. Em 1973, uma coalizão militar entre Egito, Síria e a OLP invadiu territórios tomados por Israel. Foi a Guerra do Yom Kippur, vencida por Israel com grande dificuldade e derrubando o mito de sua invencibilidade. Com conservadores no poder, Israel insistiu na ocupação militar das regiões conquistadas na Guerra dos Seis Dias, mas passou a enfrentar cada vez mais problemas com o terrorismo. Em 1981, Israel devolveu a Península do Sinai ao Egito, mas manteve (e ainda mantém) a ocupação da Faixa de Gaza e Cisjordânia, restringindo cada vez mais o espaço dos refugiados palestinos em seu território, chegando a adotar medidas polêmicas, como a construção de muros ao redor dos campos de refugiados e áreas palestinas. Alguns governantes liberais de Israel chegaram a buscar a negociação, como Ithzak Rabin, mas encontraram grande resistência entre os judeus ortodoxos. Rabin foi assassinado por um deles. Ariel Sharom, seu sucessor conservador, adotou a política de manter a ocupação a qualquer preço.

Hoje, o terrorismo desgastou as relações políticas da região a tal ponto que muitos analistas sugerem que não haverá solução de consenso possível. É necessário acompanhar com atenção o desenrolar da situação, que está longe de uma resolução.



Fonte: Bem Parana
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