terça-feira, 29 de setembro de 2009

Exercícios com Misseis no Irã gera repercussão mundial


A decisão do Irã de testar novos mísseis capazes de atingir alvos em Israel, partes da Europa e bases americanas no Golfo Pérsico agravou ontem o impasse cada vez maior com os Estados Unidos e seus aliados sobre o programa nuclear iraniano. As manobras militares coincidem com a crescente tensão na disputa do Irã com o Ocidente, depois da revelação, na semana passada, de que Teerã está construindo sua segunda usina de enriquecimento de urânio.

– Hoje, o Irã realizou testes de mísseis com sucesso. Todos os alvos foram atingidos – informou a elite da Guarda Revolucionária iraniana. – O último estágio do míssil balístico Grande Profeta foi realizado, portanto, as manobras foram encerradas, com todos os alvos atingidos.

A emissora estatal Press TV confirmou que mísseis de superfície Shahab 3 foram testados durante exercícios da Guarda Revolucionária, que começaram no domingo, e estimou que o alcance do Shahab 3, que havia sido testado pela última vez em meados de 2008, é de até 2 mil quilômetros. Em vídeo gravado, a emissora mostrou um míssil sendo disparado em um terreno desértico, aos gritos de "Allahu Akbar" (Deus é grande).

A Casa Branca condenou as novas manobras, considerando-as uma "provocação" consistente com a postura mantida pelo Irã no cenário mundial, enquanto o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu mais "moderação" da república islâmica.

– Não é proibido por qualquer acordo internacional, mas é claro que quando lançamentos de mísseis ocorrem no topo da situação sem solução ao redor do programa nuclear do Irã, a situação é preocupante – disse Lavrov, em Nova York, após encontro com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki. – Tenho certeza de que moderação deve ser mostrada.

No domingo, antes da realização dos testes, o secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, insistiu que o caminho para convencer o Irã a abandonar seu programa nuclear estaria na diplomacia, e não numa ação militar.

– Embora não se retirem as opções da mesa, acho que ainda há espaço para a diplomacia – sugeriu Gates em entrevista divulgada pela rede de televisão CNN.

O secretário afirmou que o uso da força militar só serviria para ganhar tempo, mas não convenceria os iranianos a abandonarem sua busca por armas nucleares.

Na Alemanha, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores preferiu chamar os testes de "perturbadores" e disse que não vão inspirar confiança diante das próximas negociações entre as seis maiores potências e a República Islâmica, marcadas para quinta feira.

Para a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, o Irã terá de apresentar "evidências muito convincentes" na reunião de que seu programa nuclear não tem fins bélicos.

– Vamos submetê-los a um teste em 1º de outubro – disse Hillary à rede CBS. – Eles podem abrir todo o seu sistema ao tipo de investigação abrangente que os fatos pedem.

O chefe de política externa da Europa, Javier Solana, que irá encabeçar a delegação ocidental nas negociações com o Irã em Genebra, também manifestou preocupação sobre o teste iraniano. Na semana passada, Solana afirmou que a notícia de que Teerã estaria construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio seria algo a ser resolvido "imediatamente" com a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).

As potências ocidentais exigem que o Irã abandone seu programa nuclear, que acreditam visar ao desenvolvimento de armas nucleares, mas que, segundo o Irã, possui finalidade de apenas prover energia. As potências ofereceram incentivos, caso o Irã cumpra os pedidos. Em caso contrário, ameaçaram com mais sanções.

Brasil

Durante a abertura da Conferência Internacional Nuclear do Atlântico, no Rio de Janeiro, o ministro de Defesa Nelson Jobim negou que o Brasil apoie o programa nuclear do Irã.

– Não devemos aplaudir nenhum programa com proliferação de armas nucleares – afirmou.
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