sábado, 26 de setembro de 2026

Marinha inicia construção de novos Avisos de Instrução para modernizar formação de Oficiais

 

A Marinha do Brasil iniciou, em 21 de setembro, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), a construção de uma nova classe de Avisos de Instrução destinados a ampliar a capacidade de treinamento embarcado de futuros Oficiais da Marinha do Brasil e da Marinha Mercante. As embarcações foram concebidas para transformar a formação teórica em experiência prática de navegação, manobra, marinharia e operação dos sistemas de bordo, com emprego prioritário em águas interiores e costeiras da Amazônia Azul.

A nova classe terá aproximadamente 230 toneladas de deslocamento, até 35 metros de comprimento, 8 metros de boca e calado de 2 metros. As embarcações deverão alcançar 12 nós de velocidade máxima, possuir raio de ação superior a 700 milhas náuticas e operar por aproximadamente 130 dias de mar por ano. O dimensionamento privilegia a frequência de utilização e a capacidade de operar em diferentes áreas costeiras, características importantes para uma plataforma destinada principalmente à instrução.

Cada Aviso poderá embarcar 39 militares, sendo 21 Aspirantes ou Alunos, três Oficiais e 15 Praças. A configuração foi definida para reproduzir, em escala compatível com a finalidade didática, as principais rotinas de bordo e permitir que os alunos desenvolvam competências diretamente relacionadas à vida operacional de um navio, incluindo navegação, condução da embarcação, segurança, liderança e trabalho em equipe.

O programa também possui uma característica relevante ao integrar diferentes segmentos da formação marítima. Além dos Aspirantes da Escola Naval e dos Alunos do Colégio Naval, os novos Avisos serão empregados pelos Centros de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA) e Almirante Braz de Aguiar (CIABA), responsáveis pela formação de profissionais da Marinha Mercante. A mesma plataforma, portanto, será utilizada para aproximar a formação acadêmica da experiência prática no mar em dois ambientes profissionais distintos.

A disponibilidade prevista de aproximadamente 130 dias de mar por ano é um dos elementos mais importantes do projeto. Para uma plataforma de instrução, a utilidade não está apenas nas características de desempenho, mas na possibilidade de colocar os alunos regularmente em contato com situações reais de navegação e operação. A experiência acumulada durante esses períodos complementa o ensino realizado em terra e contribui para formar profissionais mais familiarizados com os procedimentos e limitações inerentes à atividade marítima.

A construção será realizada de forma seriada. O primeiro Aviso funcionará como referência para a classe, e sua construção, integração dos sistemas e avaliação de engenharia deverão produzir informações e lições aprendidas que serão incorporadas às unidades subsequentes, construídas em paralelo. Esse modelo permite aperfeiçoar processos ao longo da produção e reduzir a repetição de problemas de engenharia ou integração nas embarcações seguintes.

Para o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, o programa também representa a continuidade do emprego da infraestrutura e do conhecimento acumulado na construção e manutenção de meios navais. O AMRJ é subordinado à Diretoria Industrial da Marinha e mantém capacidade para construir e reparar embarcações, constituindo um dos principais núcleos de conhecimento naval da estrutura brasileira. Em abril de 2026, o Arsenal lançou o Navio-Patrulha Mangaratiba e iniciou sua fase de testes, em outro projeto que reforça a retomada de atividades de construção naval no complexo.

A opção por uma embarcação de pequeno porte também possui relação direta com a finalidade do programa. Ao contrário de navios destinados prioritariamente a missões de combate ou patrulha oceânica, os Avisos precisam oferecer condições para que os alunos pratiquem repetidamente procedimentos fundamentais, com capacidade de operar em áreas próximas à costa e em águas interiores. O objetivo é criar uma plataforma de treinamento que possa permanecer disponível por longos períodos e realizar diferentes ciclos de instrução ao longo do ano.

O programa evidencia, portanto, que a renovação de uma Marinha não depende apenas da incorporação de navios de combate de maior porte. Fragatas, submarinos e navios de patrulha representam capacidades operacionais distintas, mas todas dependem de pessoal capaz de operar sistemas complexos, tomar decisões sob pressão e compreender as particularidades do ambiente marítimo. Nesse sentido, os novos Avisos atuam em uma etapa anterior e fundamental: preparar os profissionais que posteriormente ocuparão postos de responsabilidade nos meios da Marinha e também na Marinha Mercante.

A construção dos novos Avisos de Instrução associa, assim, três dimensões que interessam diretamente à capacidade marítima brasileira: formação de pessoal, disponibilidade de plataformas para treinamento e preservação da capacidade nacional de construção naval. Mais do que substituir embarcações de instrução, o programa cria uma nova ferramenta para manter a formação prática conectada à realidade operacional de uma força que precisa atuar em uma área marítima de dimensões continentais.


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Com Marinha do Brasil

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