A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou meios especializados de Busca e Salvamento (SAR) na operação que resultou na localização do helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido desde a tarde de segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e a região de São Joaquim, em Santa Catarina. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22), na Serra Catarinense, e o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmou a localização de cinco corpos.
Entre os principais meios empregados pela FAB estiveram o H-60L Black Hawk e o SC-105 Amazonas, integrados à estrutura especializada do Esquadrão Pelicano, o 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV). A combinação de aeronaves de asa fixa e rotativa permitiu ampliar a capacidade de procura aérea e apoiar a delimitação das áreas prioritárias em uma região marcada por relevo acidentado, mata fechada e condições meteorológicas adversas. A operação foi coordenada pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (Salvaero Curitiba).
| O cantor Rick da dupla Rick e Renner esta entre as vítimas |
Na configuração empregada pela FAB, o SC-105 Amazonas é uma plataforma dedicada à Busca e Salvamento, equipada com radar de busca, sensores eletro-ópticos, sistemas de comunicação e outros recursos destinados à localização de aeronaves, embarcações e pessoas. Derivado do C-295, o vetor oferece autonomia e capacidade de permanência sobre a área de interesse, características que permitem realizar varreduras extensas e trabalhar com diferentes informações obtidas durante a missão.
O H-60L Black Hawk cumpre uma função complementar, especialmente relevante em terrenos restritos. A aeronave pode operar em baixa velocidade, pairar e aproximar-se de áreas onde aeronaves de asa fixa não conseguem atuar diretamente, além de contar com equipamentos específicos para missões de resgate. Essa flexibilidade permite apoiar a localização e, quando necessário, o acesso às áreas identificadas.
A definição dos setores prioritários ocorreu de forma progressiva. Os primeiros esforços se concentraram na região de Vacas Gordas, em Urubici, depois de informações sobre uma possível queda. Posteriormente, o cruzamento de dados relacionados ao último sinal de celular de um dos ocupantes levou as equipes a ampliar a procura em direção ao Morro Agudo, em uma área situada a aproximadamente 30 quilômetros do primeiro ponto.
No solo, mais de 20 bombeiros participaram da operação, apoiados por sete viaturas, drones equipados com câmeras térmicas e cães de busca. O mau tempo, a baixa visibilidade, a vegetação fechada e as dificuldades de acesso aumentaram a complexidade da missão e limitaram, em determinados momentos, o emprego dos meios aéreos, fazendo com que as equipes terrestres mantivessem a procura durante a madrugada.
A localização dos destroços encerrou a etapa de procura da aeronave e iniciou uma nova fase da ocorrência, voltada ao acesso ao local, recuperação dos corpos e preservação das informações necessárias às investigações. A identidade da quinta vítima ainda não havia sido divulgada nas primeiras informações após a localização, enquanto Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e o piloto estavam entre os ocupantes já identificados publicamente.
A ocorrência também evidencia a importância dos meios especializados disponíveis no Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico. Em setembro, um SC-105 do Esquadrão Pelicano localizou, a aproximadamente 480 quilômetros de Fortaleza, uma embarcação pesqueira que estava sem contato havia sete dias. Naquela missão, radar, sensores e sistemas de comunicação contribuíram para a identificação inicial do alvo, posteriormente confirmada pelos Observadores SAR.
Em Santa Catarina, a combinação entre sensores, aeronaves, informações de telefonia e equipes terrestres permitiu reduzir progressivamente a área de procura até a localização da aeronave. O episódio demonstra, na prática, que uma operação SAR depende de uma cadeia de capacidades que vai muito além da disponibilidade de uma única plataforma, envolvendo coordenação, treinamento, comunicações, inteligência de localização e meios capazes de atuar em diferentes ambientes.
Para um país com dimensões continentais, extensa costa e regiões de difícil acesso, manter essa estrutura exige disponibilidade operacional e atualização permanente. Aeronaves especializadas, sensores e sistemas de comunicação precisam ser acompanhados por manutenção, treinamento e infraestrutura capazes de preservar sua prontidão ao longo dos anos.
A evolução dos meios da FAB, com a incorporação de novas tecnologias e plataformas, amplia gradualmente essa capacidade. A continuidade desses programas, dentro de um planejamento de longo prazo e com previsibilidade para sua manutenção e modernização, é o que permite transformar equipamentos disponíveis em uma resposta efetiva quando uma emergência exige sua utilização.
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