terça-feira, 22 de setembro de 2026

Dassault testa algoritmos em voo com o Rafale

A Dassault Aviation colocou dois novos algoritmos de inteligência artificial à prova em voo a bordo do Rafale, avançando no desenvolvimento de tecnologias que poderão integrar futuras atualizações do caça francês. A iniciativa ocorre em meio à corrida das principais indústrias de defesa para incorporar recursos computacionais avançados aos sistemas de combate.

Um dos algoritmos foi desenvolvido pelos próprios engenheiros da Dassault, enquanto o segundo resultou de uma parceria com a Thales por meio da iniciativa cortAIx. As duas empresas já cooperam no programa Rafale e trabalham no desenvolvimento de tecnologias destinadas à modernização da aeronave.

A Dassault não divulgou detalhes sobre as funções desempenhadas pelas soluções durante o voo. Segundo a fabricante, ambas alcançaram um nível de maturidade que permite considerá-las para futuras atualizações do Rafale. Isso não significa, contudo, que já estejam empregadas operacionalmente: a eventual adoção dependerá das etapas posteriores de avaliação, integração, validação e certificação.

A proposta é utilizar essas ferramentas de forma controlada e supervisionada em apoio às tripulações, especialmente diante do crescente volume de informações produzido pelos sensores e sistemas embarcados. O objetivo é ampliar a capacidade do piloto de compreender o cenário operacional e tomar decisões em um ambiente cada vez mais complexo, preservando o controle humano sobre as ações críticas.

A aplicação desses recursos em uma aeronave de combate envolve desafios que vão além do desenvolvimento dos algoritmos. A disponibilidade e a qualidade dos dados operacionais, obtidos em condições reais ou simuladas, a incorporação de conhecimento especializado e a capacidade de executar os modelos em uma plataforma sujeita a severas restrições de processamento são fatores fundamentais para sua utilização em um sistema de combate.

O desenvolvimento também está relacionado à crescente integração entre aeronaves tripuladas e sistemas não tripulados. Empresas de defesa de diferentes países trabalham em conceitos de loyal wingman, nos quais drones acompanham caças convencionais e podem executar tarefas específicas durante uma missão, ampliando os recursos disponíveis ao elemento tripulado.

A Saab informou no ano passado ter realizado testes com um Gripen E empregando recursos de inteligência artificial em cenário de combate aéreo contra um piloto humano. Nos Estados Unidos, um F-16 modificado foi utilizado em 2024 para demonstrar a aplicação de aprendizado de máquina em combate aéreo contra uma aeronave tripulada.

No caso francês, a Dassault trabalha para incorporar essas tecnologias às próximas etapas de desenvolvimento do Rafale e aos futuros sistemas de combate aéreo no âmbito do FCAS. A empresa também mantém aberta a possibilidade de desenvolver seu próprio caça de próxima geração, embora não descarte novas formas de cooperação internacional.

Esse processo ganhou importância após as dificuldades enfrentadas pelo programa franco-alemão FCAS, desenvolvido com participação da Airbus. O impasse levou Paris a considerar alternativas para preservar sua autonomia no desenvolvimento de aeronaves de combate e das tecnologias associadas.

A iniciativa demonstra a direção tecnológica adotada pela Dassault: ampliar progressivamente os recursos disponíveis à tripulação e preparar o Rafale para operar em um ambiente no qual aeronaves tripuladas, sistemas não tripulados e diferentes fontes de informação atuarão de forma cada vez mais integrada.


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