terça-feira, 22 de setembro de 2026

ASELSAN testa SMASH 300 contra drones e apresenta solução que pode interessar ao Brasil

A ASELSAN realizou testes de disparo do novo sistema naval remotamente controlado SMASH 300, demonstrando sua capacidade de engajamento contra veículos aéreos não tripulados (VANTs) e alvos de superfície. A nova geração da família SMASH combina um canhão de 25 mm com a munição de fragmentação aérea ATOM 25 e o radar AURA 200, configurando uma solução voltada também à crescente demanda por sistemas navais de combate a drones.

Durante os testes, o SMASH 300 empregou a munição ATOM 25 contra pequenos VANTs, com o sistema recebendo dados do radar AURA 200 para detecção e acompanhamento dos alvos. A estação também realizou disparos contra um alvo de superfície, utilizando a mesma munição programada para produzir sua detonação pouco antes do impacto.

A ATOM 25 constitui um dos principais elementos da nova arquitetura. A munição de fragmentação aérea foi concebida para produzir efeito próximo ao alvo, ampliando a possibilidade de engajamento de pequenos veículos aéreos sem depender exclusivamente de um impacto direto. Para sistemas de defesa de ponto, essa característica ganha relevância diante da disseminação de drones de baixo custo empregados em missões de reconhecimento, vigilância e ataque.

O SMASH 300 incorpora ainda alimentação dupla de munição, sensores eletro-ópticos aprimorados e recursos de assistência por inteligência artificial. A combinação desses elementos aproxima o sistema de uma arquitetura C-UAS integrada, na qual detecção, acompanhamento e engajamento estão associados em uma mesma cadeia de resposta.

A nova estação naval aproveita tecnologias desenvolvidas pela ASELSAN para sistemas terrestres, incluindo o KORKUT 100/25 SB e o AURA 200-G. A transferência dessas capacidades para uma plataforma naval permite combinar radar, sensores eletro-ópticos e armamento automático em uma solução voltada tanto contra ameaças aéreas de pequena dimensão quanto contra alvos de superfície.

A família SMASH já possui emprego na Marinha Turca. O SMASH 200/25 equipa corvetas Classe Ada, fragatas Classe I e o navio de assalto anfíbio TCG Anadolu. A experiência acumulada com essas plataformas fornece à empresa uma base para a evolução da arquitetura, embora a adoção do SMASH 300 em cada classe dependa das características e requisitos específicos dos respectivos navios.

A evolução da família também poderá alcançar outros calibres. A ASELSAN trabalha no desenvolvimento de novas munições ATOM, incluindo o calibre 30×173 mm, enquanto uma possível versão SMASH 300/30 aparece como caminho de desenvolvimento. Essa possibilidade ainda depende da evolução do programa e não deve ser tratada como uma capacidade operacional já disponível.

Uma solução que pode interessar à Marinha do Brasil

A demonstração do SMASH 300 ganha relevância para o Brasil diante da rápida transformação da ameaça representada pelos drones. A disseminação de VANTs de pequeno porte acrescentou uma nova camada de risco às operações navais, exigindo meios capazes de detectar e neutralizar alvos de baixa assinatura sem necessariamente recorrer a armamentos de maior custo.

Nesse contexto, o SMASH 300 apresenta características que podem justificar sua avaliação pela Marinha do Brasil como uma solução de defesa de ponto e combate a sistemas aéreos não tripulados. A integração entre radar, sensores eletro-ópticos, controle de tiro e munição de fragmentação aérea oferece uma abordagem diferente daquela baseada exclusivamente em uma estação de armas convencional.

O NAM Atlântico poderia ser considerado em estudos futuros para receber uma capacidade desse tipo, criando uma camada adicional de proteção contra VANTs e ameaças assimétricas. O mesmo conceito poderia ser avaliado para o NDM Oiapoque, desde que estudos técnicos confirmem a compatibilidade estrutural, elétrica, de sensores, campos de tiro e integração com os sistemas de combate das plataformas.

A possibilidade não se limita aos navios atualmente em serviço. Em futuros projetos navais, a incorporação de uma capacidade C-UAS desde a fase de concepção permitiria dimensionar posições de armamento, sensores, redes de dados, alimentação elétrica e integração ao sistema de gerenciamento de combate de acordo com os requisitos da missão.

Uma alternativa para futuras Tamandaré

A discussão também pode alcançar o programa das fragatas Classe Tamandaré. As novas unidades empregam o SeaSnake 30, sistema de 30 mm que possui capacidade de utilização de munição programável contra alvos aéreos. Por isso, o SMASH 300 não deve ser tratado simplesmente como substituto ou como solução superior, mas como uma alternativa que poderia ser comparada em futuras decisões de aquisição.

Uma eventual avaliação para um segundo lote das Tamandaré dependeria de fatores como desempenho contra VANTs, alcance efetivo, capacidade de acompanhamento, integração ao sistema de combate, disponibilidade e custo das munições, logística, manutenção, custo de aquisição e ciclo de vida. Também seria necessário considerar os impactos de introduzir uma nova família de equipamentos em uma classe que já possui arquitetura definida.

Caso a ASELSAN avance na versão de 30 mm e na munição ATOM 30×173 mm, essa comparação poderia ganhar outra dimensão, aproximando as duas soluções em termos de calibre. A análise passaria então a se concentrar ainda mais sobre sensores, arquitetura de controle de tiro, munição, integração, custos e capacidade de evolução.

Brasil e Türkiye: espaço para ampliar a autonomia estratégica

A possibilidade de avaliar sistemas turcos também encontra respaldo no processo de aproximação entre Brasil e Türkiye no setor de Defesa. Os dois países possuem um acordo de cooperação em indústria de Defesa que estabelece mecanismos para intercâmbio técnico, pesquisa, desenvolvimento, produção, modernização e aquisição de equipamentos e serviços relacionados ao setor.

Para o Brasil, essa estrutura de cooperação pode abrir possibilidades que vão além da compra de equipamentos prontos. Conforme as condições de cada projeto, podem ser avaliados mecanismos de transferência de tecnologia, participação da Base Industrial de Defesa, manutenção local, desenvolvimento conjunto e domínio de etapas relevantes do ciclo de vida dos sistemas.

Essa abordagem se conecta diretamente ao objetivo brasileiro de ampliar sua autonomia estratégica. Diversificar fornecedores não significa abandonar parceiros tradicionais nem substituir uma dependência por outra. Significa ampliar o número de alternativas disponíveis, aumentar a capacidade de negociação e preservar liberdade de escolha diante de mudanças no cenário internacional.

A indústria turca oferece, nesse contexto, uma alternativa tecnológica relevante em áreas como radares, guerra eletrônica, sistemas navais, munições inteligentes e combate a drones. Para o Brasil, estabelecer novas opções fora da concentração tradicional de fornecedores norte-americanos e europeus pode ampliar seu espaço de manobra, sem que a diversificação implique necessariamente uma transferência de dependência para China ou Rússia.

O SMASH 300, portanto, merece atenção não apenas pelo teste contra VANT's, mas pela arquitetura de capacidade que representa. Para a Marinha do Brasil, a solução pode ser considerada em estudos para plataformas como o NAM Atlântico, o NDM Oiapoque e futuros meios, além de eventualmente integrar uma avaliação para um segundo lote das fragatas Classe Tamandaré, caso os requisitos técnicos e econômicos sejam atendidos.

No contexto da cooperação Brasil–Türkiye, acompanhar esse tipo de tecnologia também amplia as opções brasileiras em defesa naval e pode contribuir para uma estratégia de maior autonomia tecnológica, diversificação de fornecedores e liberdade de escolha.


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