quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Argentina recebe segundo lote de F-16 e chega à metade da frota adquirida da Dinamarca

 

A Força Aérea Argentina recebeu em 29 de setembro mais seis caças F-16AM/BM Fighting Falcon, elevando para 12 o número de aeronaves entregues dos 24 exemplares adquiridos da Dinamarca. O segundo lote chegou a Área Material Río IV em Córdoba, após uma traslado iniciado na Dinamarca e que incluiu escalas na Espanha e no Brasil, além de uma complexa operação de reabastecimento em voo com apoio da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

O novo lote é formado por quatro F-16AM monoposto e dois F-16BM biposto. As seis aeronaves partiram da Base Aérea de Skrydstrup na Dinamarca em 22 de setembro, seguindo para a Espanha antes da travessia do Atlântico. Com a chegada, a Argentina passa a contar com metade dos F-16 previstos no contrato firmado com o governo dinamarquês.

A operação de transferência exigiu uma estrutura de apoio compatível com a distância entre a Europa e a América do Sul. Durante o deslocamento, cada F-16 realizou dez reabastecimentos em voo, segundo a Força Aérea Argentina, utilizando aeronaves Boeing KC-135R Stratotanker da USAF. O apoio permitiu manter os caças em voo durante os trechos de maior alcance do traslado.

A participação americana é um dos aspectos relevantes do traslado. Além de fornecer o reabastecimento em voo (REVO), os KC-135R acompanharam a operação durante a travessia atlântica, demonstrando a capacidade de coordenação entre a Força Aérea Argentina e meios norte-americanos em uma operação de longa distância. A transferência contou ainda com meios argentinos destinados ao transporte de pessoal, equipamentos e suporte logístico.

O Brasil fez parte novamente da rota utilizada para levar os caças à Argentina. Depois da escala nas Ilhas Canárias, os seis F-16 cruzaram o Atlântico e pousaram na Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, em 28 de setembro. A instalação serviu como ponto de apoio logístico antes do trecho final até Córdoba.

No dia seguinte, os F-16 deixaram o Nordeste brasileiro para cumprir a etapa final do deslocamento. Durante o voo sobre o território nacional, os seis caças e aeronaves KC-135R foram observados sobre diferentes regiões do país, incluindo o interior de São Paulo e a área de Gavião Peixoto, onde estão instalações da Embraer. A formação prosseguiu para o sul e deixou o espaço aéreo brasileiro em direção à Argentina.

A utilização de Natal repete o padrão empregado na transferência do primeiro lote, que chegou à Argentina em dezembro de 2025 após também realizar escalas na Espanha e no Brasil. A repetição da rota transforma o território brasileiro em um ponto de apoio recorrente para a transferência dos F-16 dinamarqueses para a Argentina, dentro de uma operação que conecta bases europeias, infraestrutura brasileira e o destino final em Córdoba.

Mais importante para Buenos Aires é que a chegada do segundo lote deixa de representar apenas a incorporação inicial de uma nova aeronave e passa a formar uma frota com massa crítica maior. Com 12 exemplares do F-16 recebidos, a Argentina já dispõe de metade do pacote contratado e avança na reconstrução de sua capacidade de combate supersônico, perdida após a retirada dos Mirage em 2015.

A introdução do F-16 também envolve uma transformação mais ampla do sistema de combate argentino. A operação dos caças exige infraestrutura específica, formação de pilotos e equipes de manutenção, simuladores, armamentos, equipamentos de apoio e uma cadeia logística capaz de sustentar a frota durante seu ciclo de vida. As aeronaves permanecem inicialmente em Río Cuarto enquanto avançam as obras na VI Brigada Aérea de Tandil, que deverá receber a frota como sua base operacional permanente.

O programa tem ainda uma dimensão geopolítica. A Argentina passa a operar um caça amplamente empregado por forças aéreas ocidentais e amplia sua interação com os Estados Unidos em áreas que vão além da aquisição de equipamentos. O apoio dos KC-135R no traslado é um exemplo concreto dessa aproximação, enquanto a formação e a estruturação do sistema de armas criam novos requisitos de treinamento, logística e interoperabilidade com parceiros que já empregam o F-16.

A chegada dos seis novos caças ocorre antes do cronograma inicialmente previsto para esse segundo lote, que era esperado para dezembro. Com 12 aeronaves já entregues, Buenos Aires avalia a possibilidade de antecipar também os dois lotes restantes, embora ainda não exista um novo cronograma oficial para os 12 F-16 que faltam.

A incorporação do segundo lote marca, assim, uma mudança de escala no programa argentino. A Força Aérea deixa para trás a fase inicial de recebimento de poucas aeronaves e passa a construir uma frota de caça capaz de sustentar uma estrutura operacional própria. O deslocamento até a Argentina, por sua vez, mostrou a complexidade logística do programa e envolveu Dinamarca, Espanha, Brasil e Estados Unidos em uma mesma operação de transferência.


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