domingo, 20 de setembro de 2026

ASELSAN integra guerra eletrônica e radar AESA no TB2 em demonstração operacional

A ASELSAN realizou em Konya uma demonstração em voo que integra ao Bayraktar TB2 uma função mais complexa do que a tradicional missão de vigilância e emprego de armamentos. O ensaio reuniu os sistemas ANTIDOT 2ES 100, ANTIDOT 2EA 200 e FULMAR 200 AESA em uma sequência que combinou inteligência eletrônica, ataque eletrônico e reconhecimento por radar, com a participação de mais de 15 delegações internacionais.

A primeira fase foi dedicada à exploração do espectro eletromagnético. O ANTIDOT 2ES 100, empregado como sistema de medidas de apoio eletrônico (ESM), detectou a emissão de um radar e determinou sua localização durante o voo. A informação foi então repassada ao ANTIDOT 2EA 200, sistema de contramedidas eletrônicas responsável pela etapa seguinte da missão.

O exercício incluiu uma situação particularmente relevante para avaliar a lógica de emprego do sistema. A interferência foi interrompida para permitir que o radar recuperasse a capacidade de aquisição e realizasse o travamento do TB2. Com a aeronave novamente sob acompanhamento, o ECM empregou técnicas baseadas em DRFM para interferir no radar responsável pelo rastreamento.

O uso de DRFM (Digital Radio Frequency Memory) permite ao sistema receber, armazenar e reproduzir sinais de radiofrequência de forma controlada, possibilitando a geração de respostas eletrônicas destinadas a degradar ou manipular o processo de detecção e acompanhamento realizado pelo radar. Na prática, a demonstração colocou o sensor e o sistema de ataque eletrônico dentro de uma mesma cadeia de decisão.

Na segunda fase, o ANTIDOT 2ES 100 voltou a localizar o emissor enquanto o FULMAR 200 AESA executava a aquisição da área por radar de abertura sintética (SAR). Diferentemente de um sensor eletro-óptico, o SAR pode produzir imagens da superfície independentemente da iluminação natural e com maior tolerância a condições meteorológicas adversas, permitindo ampliar a capacidade de reconhecimento do TB2.

Segundo a ASELSAN, as imagens obtidas pelo FULMAR 200 permitiram realizar mapeamento do terreno, identificação de alvos e geolocalização com precisão na ordem de metros. O emprego conjunto dos sensores cria uma arquitetura na qual a informação eletromagnética obtida pelo ESM pode ser associada à informação espacial produzida pelo radar.

Essa combinação é particularmente relevante para operações contra sistemas de defesa aérea. Um radar que emite pode ser localizado passivamente pelo ESM antes mesmo que seja necessário recorrer a sensores ativos. A partir dessa informação, o sistema de guerra eletrônica pode atuar sobre o emissor, enquanto o SAR fornece uma representação detalhada da área para apoiar a identificação e o planejamento do engajamento.

A ASELSAN enquadra essa arquitetura nos conceitos de Suppression of Enemy Air Defenses (SEAD) e Destruction of Enemy Air Defenses (DEAD). No primeiro caso, o objetivo é degradar ou neutralizar temporariamente a capacidade de uma defesa aérea de detectar e acompanhar aeronaves; no segundo, a ação busca a destruição física do sistema responsável pela ameaça.

A demonstração realizada em Konya concentrou-se nas etapas de detecção, localização, interferência e reconhecimento. A empresa afirma que o ciclo pode avançar posteriormente para a designação do alvo pelo ASELFLIR 500 e o emprego de munição guiada a laser, completando a transição entre a identificação do emissor e seu engajamento físico.

O resultado amplia o conceito de emprego do TB2. Em vez de depender exclusivamente de uma carga útil voltada à observação ou ao ataque convencional, a aeronave passa a poder combinar sensores passivos, guerra eletrônica e radar em uma mesma missão. Isso permite transformar a própria emissão do adversário em fonte de informação para orientar a ação subsequente.

A arquitetura também reduz a necessidade de separar todas as funções entre plataformas distintas. O ESM fornece a localização do emissor, o ECM atua sobre o radar e o SAR acrescenta uma capacidade independente de reconhecimento da superfície. A integração desses sistemas permite que uma única plataforma participe de diferentes fases de uma operação contra uma rede de defesa aérea.

O ponto central da demonstração, portanto, não está apenas nos equipamentos instalados no TB2, mas na forma como seus dados são utilizados em sequência. A capacidade de transformar uma emissão eletromagnética em informação de localização, interferência e posteriormente em dados para reconhecimento representa uma evolução do UAV de vigilância para um elemento de apoio à guerra eletrônica e à supressão das defesas aéreas.

A demonstração de Konya não significa, por si só, que todas essas funções já estejam disponíveis em uma configuração operacional única e plenamente qualificada. Ela mostra, entretanto, a direção tecnológica adotada pela ASELSAN: transformar o TB2 em uma plataforma capaz de participar da cadeia de inteligência e guerra eletrônica necessária para operar diante de defesas aéreas organizadas.


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