segunda-feira, 11 de março de 2019

Análise do confronto aéreo entre Índia e Paquistão


No último dia 27 de fevereiro, acompanhamos um embate entre duas nações tal qual não víamos desde 1971, onde Índia e Paquistão se confrontaram próximo a “Linha de Controle” nas cercanias da disputada região da Caxemira. Segundo informações oficiais, foram perdidas duas aeronaves, um MIG-21 pelos indianos e um F-16 pelos paquistaneses. Mas o confronto poderia ter tido outro desfecho se as regras de engajamento fossem outras pelo lado indiano.

Segundo informações publicadas pelo “Economic Times”, os indianos foram “limitados” por suas regras de engajamento, o que significou uma vantagem aos paquistaneses. Diante dessa informação, o GBN News resolveu fazer uma breve análise do caso, o que nos mostra que não basta apenas possuir equipamentos de primeira linha e pilotos treinados ao extremo se não houver regras claras de engajamento que confiram aos mesmos tirar o máximo de suas capacidades em combate.

No caso ocorrido no recente confronto indo-paquistanês, os indianos se viram limitados por suas regras de engajamento, as quais preconizavam que não é permitido aos indianos violar a “Linha de Controle” e muito menos engajar e disparar contra o inimigo antes que este dispare ou viole o espaço aéreo indiano. Tais regras se mostraram um problema aos pilotos indianos, tendo e vista que a força atacante, composta por um mix de 24 aeronaves, contando com caças JF-17, F-16 e MIrage III. Tal pacote foi detectado pelos radares indianos que alertaram que os paquistaneses se aproximavam da linha de controle.

A resposta indiana se deu rapidamente com o envio para área de dois pares de Su-30MKI e Mirage 2000 que estavam na região, além dos Su-30MKI e Mirage 2000, a Índia colocou no ar dois pares de MIG-21 Bison, estes partindo de Srinagar, dos quais um foi protagonista do abate do F-16 paquistanês e posteriormente caiu em território do Paquistão.

Os jatos Su30MKI e Mirage 2000 foram travados pelos F16, o que os forçou a tomar medidas evasivas, quando pelo menos quatro AIM-120 Amraam paquistaneses foram disparados contra a força indiana, apesar da fama dos misseis BVR, estes não conseguiram êxito, tendo sido lançados a cerca de 50km de distância, foram evitados pelas manobras evasivas, sem que houvesse qualquer perda entre os Su30MKI, Mirage 2000 ou MiG21 envolvidos no confronto.

Neste frenesi, Varthaman consegue com seu MIG-21 se aproximar de três F16 que tinham violado o espaço aéreo indiano sobre Nowshera, iniciando uma intensa perseguição, um dogfight onde Varthaman consegue travar um dos F-16 com seu míssil R73 de curto alcance, o F-16 tenta escapar realizando várias manobras evasivas, com uma subida íngreme. Mas Varthaman recebe o alerta dos controladores de solo que estava muito próximo a “Linha de Controle”, sendo orientado a abandonar a perseguição e retornar. MasVarthaman confirma ao controle de solo que ele tem o alvo travado em sua mira com seu míssel R73 pronto para realizar o abate, então as transmissões cessam, o R73 é disparado dentro do alcance visual, e Varthaman testemunha míssil atingindo o F-16 paquistanes, o que força a ejeção de sua tripulação. Ao que tudo indica, o MIG-21 indiano teria sido atingido por destroços do F-16, o que leva seu piloto a ejetar sobre território paquistanês.

Muitos se surpreenderam pelo fato de uma aeronave F-16 ter sido abatida por um vetusto MIG-21, quebrando a máxima adotada por muitos de que vence quem possui o equipamento mais moderno, algo muito comum hoje nas mídias e redes sociais, as quais muitas vezes ignoram os fatores mais importantes de um confronto, se atendo apenas a dados técnicos, o que é extremamente irrelevante quando o “pau quebra” e conta a melhor estratégia, doutrina de emprego, treinamento e principalmente a “sorte”.

Cabe a nós ressaltarmos que o resultado poderia ter sido ainda pior para o lado paquistanês caso as regras de engajamento indianas fossem mais permissivas, pois a posição defensiva adotada pelos indianos impedia que os mesmos dessem combate dentro das melhores condições de engajamento, pois os radares do SU-30MKI e Mirage 2000, possibilitam aos mesmos engajar alvos a grandes distâncias, mas tal capacidade foi anulada pelas regras de engajamento vigentes, o que deu de certa forma grande vantagem aos paquistaneses que puderam lançar primeiro o ataque, forçando os indianos a realizar manobras evasivas, com isso perdendo boa parte da vantagem conferida pelos meios por eles operados.

O embate também serviu para provar que ainda há espaço na arena moderna para o dogfight, principalmente quando os misseis BVR não cumprem seu papel adequadamente, tendo em vista que toda arma possui seus pontos fortes e fraquezas, nada é 100% efetivo, onde o uso de contra-medidas em suas mais variadas formas é determinante no confronto moderno.

Este é um ponto no qual buscamos manter o foco, defesa se faz com uma ampla gama de fatores e meios, não basta possuir meios modernos, é preciso possuir doutrina de emprego adequada, capacitação técnica e regras de engajamento apropriadas ao cenário de operações. Analisar um cenário hipotético de confrontação é algo muito mais complexo do que se imagina, e este caso indo-paquistanês demonstra claramente o que tentamos apresentar em nossas análises aqui no GBN News e em nosso parceiro Canal Arte da Guerra, há uma série de fatores que devem ser estudados em conjunto, não se pode fazer uma análise sem que haja total conhecimento de todos os fatores que envolvam o emprego de determinadas forças, diferente disso não passa de “super trunfo” e análises vazias sem qualquer viés real e competente.

Nosso parceiro Albert Caballé lançou o infográfico que ilustra bem o caso indo-paquistanês e você confere clicando no link a seguir: Reconstruçãodo dogfight sobre Nowshera”





Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança

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