sexta-feira, 19 de outubro de 2018

As eleições e o Brasil

Nesta semana tenho acompanhado vários grupos onde se discute as questões políticas, em especial as eleições 2018, onde muitos tem levantado questões controversas em se tratando dos rumos que podem tomar a política nacional. Antes de qualquer coisa, quero deixar claro logo no início deste artigo que o GBN News não aborda políticas partidárias, tendo como foco políticas de estado e os meandros geopolíticos, e inusitadamente me vi obrigado a esclarecer algumas questões sobre as eleições que estão em andamento, onde deverá se definir nosso futuro presidente no dia 28 de outubro, quando ocorrerá o segundo turno de um processo atípico.

O primeiro ponto que quero abordar aqui, é relativo a uma tentativa de associar a imagem determinado candidato à presidência ao período em que o Brasil esteve sob o "Regime Militar". Alguns preferem usar o termo "ditadura", porém, proponho ao nosso público analisar um ponto muito interessante que justifica o porque de utilizarmos o termo "Regime" ao invés de "ditadura". Uma ditadura possui um protagonista que se apodera do controle do país e se perpetua no poder por anos ou até décadas, temos vários exemplos, como Fidel e Raul Castro em Cuba, Muamar Kadafi na Líbia, Hugo Chaves e Nicolás Maduro na Venezuela, o que é bastante diferente do que ocorreu aqui no Brasil nos idos de abril de 1964, quando no dia 2 de abril de 1964, o Congresso Nacional, e não os militares como insistem alguns revisionistas, cassou o mandato de João Goulart. Uma semana depois da cassação do mandato de João Goulart,em 9 de abril de 1964, o Congresso Nacional elegeu Castello Branco presidente do Brasil, inclusive com votos de Ulysses Guimarães, Juscelino Kubitschek, Franco Montoro, Chagas Freitas e Afonso Arinos. Poucos se abstiveram de votar. Assim os militares assumiram o governo a pedido do Congresso Nacional, logo não se caracterizando um "golpe" como tantas linhas ideológicas defendem ferrenhamente. Outro ponto que devemos considerar é que neste Regime Militar, havia sucessão presidencial, seguindo a eleição do presidente por voto indireto, conforme o processo político da época.

Ainda tratando da tentativa de ligar o período compreendido entre 1964 e 1985 aos dias atuais, cabe ressaltar que o momento político é completamente diferente do que se vivia nos idos de 1964, onde o mundo estava vivendo sob uma disputa bipolar, de um lado os norte americanos e seus aliados defendendo o Capitalismo e a liberdade, do outro os soviéticos que defendiam o comunismo e a tal "igualdade" nunca alcançada durante décadas do regime que se mostrou um fracasso em todos os países onde se tentou implementar essa via político-econômica. Nos dias de hoje vivemos um mundo multipolar, onde a globalização é uma realidade sem volta, levando a uma interdependência entre os diversos players e mercados ao redor do mundo. Não cabe uma comparação entre estes dois momentos, ninguém em sã consciência irá associar estes dois momentos de nossa história.

O segundo ponto que quero esclarecer, muitos vem defendendo que uma hipotética vitória de Jair Bolsonaro irá levar a um governo militar. Bom pessoal, vamos ressaltar que o candidato não faz mais parte do quadro militar, muito menos seu vice, uma vez que ambos são oficiais da reserva. Outra coisa, diferente de 1964, hoje realizamos eleições diretas, logo nossa democracia nos permite escolher nossos representantes, assim sendo, ocupará a presidência quem a grande maioria de nossa nação achar mais capacitado a dirigir o país pelos próximos quatro anos. Lembrando que, as Forças Armadas se mantiveram leais a Constituição Federal, mesmo quando houve forte pressão popular para que a mesma interferisse nos processos políticos do país em face de dezenas de escândalos ligando políticos a esquemas sórdidos de corrupção e desvios de recursos públicos. 

O momento é de discutirmos propostas de ambos candidatos, não de travar uma luta ideológica ou revisionismo da história nacional. Temos que deixar claro que o Brasil viveu um momento de exceções, e como todo embate, há excessos de ambos os lados. Todos cometeram crimes, se vamos falar de história, que ao menos tenhamos a decência de reconhecer que a luz da verdade ambos cometeram erros, não devendo se passar a mão na cabeça de nenhum dos lados. Onde a esquerda naquele período atacou a instituição do Estado, levando à uma resposta enérgica das autoridades. Naquele período só sofreu quem se envolveu em atividades ilegais, posso afirmar que dez em cada dez pessoas com as quais convivi e viveram o período, deixaram claro que jamais sofreram qualquer violência por parte do governo. Por outro lado, sabemos que houveram excessos e violações de alguns direitos, não é objetivo nosso neste artigo discutir esse período, pois o mesmo demanda uma análise mais aprofundada.

Acredito que o brasileiro esta amadurecendo sua percepção política, um sinal disso pode ser observado na eleição para compor o congresso, senado e as assembleias legislativas Brasil afora, com uma clara objeção do povo em votar nos políticos envolvidos em casos de corrupção. Já é um importante passo para levar o país à uma nova realidade, pois só a conscientização da importância de cada um no processo político brasileiro irá levar esse país a um novo patamar de desenvolvimento social, político e econômico. Precisamos mudar nossa postura como cidadãos, tudo começa por nós mesmo, nossa política é reflexo direto do povo que somos. Cabe a cada um de nós fazermos nossa parte, se há corrupção é porque existe a figura do corruptor, não importa a escala, se aceitamos a velha prática do "jeitinho brasileiro", nos tornamos tão corruptos quanto os políticos corruptos, se nossos jovens estão se perdendo, é por falta de exemplos, por falta de orientação e pulso firme em casa. A grande causa do aumento da criminalidade é a impunidade e o velho discurso que trata o criminoso como sendo uma "vítima" da sociedade, a lei é para todos e deve se fazer valer em todas as esferas.

Pessoal para finalizar, vejo que essas eleições estão extremamente polarizadas, e me preocupa a forma como muitos tem levado a questão, política não é religião ou time de futebol, é saudável discutirmos os rumos de nossa política, mas sempre respeitando nosso próximo, lembrem-se, somos todos brasileiros, independente de raça, classe ou regionalidade. Tenho ouvido relatos absurdos de violência cometida por ambos os lados, pessoal não é assim que se constrói um país, devemos manter o diálogo e o equilíbrio, pois só assim construiremos uma verdadeira democracia.

Temos que cobrar atitudes de nossos representantes e viver aquilo que esperamos de nossa sociedade, a mudança começa por nós, pense nisso, fé no Brasil !!!


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança

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11 comentários:

  1. "Uma ditadura possui um protagonista que se apodera do controle do país e se perpetua no poder por anos ou até décadas, temos vários exemplos, como Fidel e Raul Castro em Cuba, Muamar Kadafi na Líbia, Hugo Chaves e Nicolás Maduro na Venezuela"

    Nunca li tanta bobagem junto. Segundo vc então não houve ditadura na Argentina e na União Soviética, onde por anos elas foram lideradas por homens diferentes, até por juntas, e na China Mao Zedong morreu há mais de 40 anos e o comunismo e a ditadura continuam presentes. Tente ser um desafeto lá. Não são pessoas que representam uma ditadura apenas, mais um regime. Um toque, fale sobre Defesa, de politica vc está precisando de muito mais leitura.

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    1. Bom dia, como deve ter lido e acredito eu interpretado, só pincelei sobre a questão, não sendo este o foco do artigo, portanto? gostaria que atentasse para o ponto fical ao invés de desviar a atenção do ponto central, o Brasil e a conduta do brasileiro como chave do progresso de nossa nação. Para discutir a história desse período e traçar uma análise profunda sobre regimes e ditaduras, peço que aguarde o artigo que irá abordar essa temática, então se atente ao foco

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  2. Acho engraçado o sujeito deixar uma crítica negativa escondido no anonimato. Que covardia é essa? Do que tem medo?

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    1. infelizmente muitos preferem ser omissos ou falar sem se comprometer.

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  3. Bom ele pode ter se escondido, eu não. e assino em baixo em tudo que foi escrito, e acrescento que se o Sr ANGELO tentou ser APARTIDÁRIO OU IMPARCIAL não teve sucesso em nenhuma delas. Neste post o Sr ANGELO demonstra que é sim parcial e politico, TEM LADO E O DEFENDE COMO UM ESFOMEADO DEFENDERIA UM PRATO DE COMIDA.

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    1. Bom dia, tenho sim um lado, a democracia e o Brasil como nação soberana e livre dos antolhos pseudo ideológicos e extremismos, sejam eles de esquerda ou direita. A intenção é a reflexão e abrir o debate acerca dessas eleições e o que temos presenciado de fato.

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    2. E quem é que não tem um lado? Quem não defende suas posições? Você não tem um lado? O GBN News se posiciona pelo país e pela democracia.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Peço desculpas, meu comentário acima acabou indo como anônimo.
    Meu nome é Vitor Vidal, tenho acompanhado o trabalho do blog com bastante entusiasmo.

    Saudações

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  6. Me atrapalhei com os comentários. O que havia postado foi:

    O texto possui algumas imprecisões históricas. Primeiro: A eleição indireta de Castelo branco foi determinado pelo AI- - Ato institucional número , decretado(e não votado) pelo Supremo Comando Revolucionário, formado pelo General Costa e Silva, o Vice-Almirante Augusto Rademaker e o Tenente-Brigadeiro Correia de Melo. Segundo: Castelo Branco era candidato único. Terceiro: O mesmo ato institucional que determinou a eleição indireta, permitiu a cassação de mandatos legislativos, a suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão e a punição dos integrantes da administração pública.

    A Historiografia moderna não tem dúvidas que o Regime Militar foi uma ditadura. O próprio Congresso Nacional tem um bom resumo com os fatos históricos da época: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/discursos/escrevendohistoria/golpe-de-1964

    Me pareceu estranho falar de "revisionismo", sendo que o consenso oficial dos historiadores modernos brasileiros é exatamente o que o autor chamou de revisionista.

    No mais, concordo que esse apego ao passado e comparações com épocas que já acabaram em nada nos ajuda. Concordo com o espírito do texto, de que estamos atravessando uma importante etapa de amadurecimento político e democrático, e que a polarização e extremismos, de esquerda e direita, não nos ajuda a promover o progresso.

    Sds,

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  7. Errata:
    AI-1 - Ato Institucional número 1

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