segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O VF-1 vai a caça de óleo

Numa manhã de sol intenso, dois pilotos de AF-1M (A-4KU) "Skyhawk" da Marinha do Brasil, caminham pelo pátio da ALA 10, base da Força Aérea Brasileira situada em Natal, seguem firmes e concentrados para seus caças, observam ao longe as equipes de terra nos preparos finais para sua decolagem. Rapidamente sobem as escadas e ocupam seus postos de trabalho.

Em pouco minutos já estão taxiando pela pista, logo estão decolando para uma das muitas missões realizadas durante a operação "Amazônia Azul – Mar Limpo é Vida". Tendo como ponto de apoio a ALA 10 em Natal, em alguns momentos da operação as aeronaves foram descolocadas para a ALA 9 em Belém do Pará, assim o esquadrão cobriu uma extensa faixa litorânea, tendo como grande vantagem sua velocidade, autonomia e o moderno radar.

AF-1 se prepara para mais uma decolagem na ALA 10
Mas afinal qual era o papel do "Esquadrão VF-1 Falcão" nesta grande e incomum operação da Marinha do Brasil?

O esquadrão desempenhou uma atividade vital para a esquadra, que eram missões de patrulha e reconhecimento, rastreando eletronicamente e interceptando navios de bandeira estrangeira navegando pela costa nordestina. Estas grandes embarcações eram os alvos primários, as informações coletadas das missões de patrulha eram então enviadas para o Comandante de Operações Navais (ComOpNav), o Alte Esq Leonardo Puntel, estas informações eram analisadas detalhadamente, ajudando a direcionar os navios mais próximos para os alvos escolhidos, caso isto se fizesse necessário.

Muitos desconhecem o potencial dos modernizados AF-1M (A-4KU Skyhawk), estes ganharam mais capacidade ofensiva, e uma missão pouco conhecida, justamente a busca de alvos de superfície no mar.

Os AF-1M (A-4 Skyhawk) foram modernizados com o padrão glass cockpit, no seu painel foram mantidos alguns poucos instrumentos analógicos, os quais são redundantes aos digitais, além de vários outros equipamentos, como o moderno radar israelense EL/M 2032 da ELTA, que possui vários modos de operação. O novo radar é capaz de realizar buscas ar-ar, ar-mar e ar-solo, além da navegação, tem como principal tarefa detectar e rastrear alvos aéreos e de superfície, fornecendo medida de distância ar-solo para o subsistema de pontaria de armas.

ELTA EL/M 2032
O radar, no sub-modo TWS (Tracking While Scan), possui capacidade de localizar e rastrear simultaneamente 64 alvos, marítimos ou terrestres. No modo SAR (Synthetic-Aperture Radar), é possível fazer o mapeamento terrestre em operações de esclarecimento (reconhecimento).

O ELM-2032 é um avançado radar FCR (Fire Control Radar) multimodal, projetado para caças multi-missão, orientado para missões ar-ar, ar-mar e ataque. O radar compreende três módulos principais (transmissor, processador receptor e antena) que podem ser personalizados e configurados para caber em todos os tipos de cones do nariz das aeronaves de combate (como FA-50, F-5, Mirage, MIG 21 dentre outros).

Detalhes do radar ELM-2032

TIPO: Radar Pulse Doppler multimodo avançado
PESO: 100kg

MODOS DE BUSCA:

Ar-Ar (alcance de detecção e rastreamento de até 120 NM):

Modo de conscientização da situação (SAM)
Trilha de duplo alvo (TDT)
Avaliação de Raides (RA)
Modos de Combate Aéreo (ACM):

Ar-Terra (Imagem e detecção de alvo na superfície até 120 NM):

Mapeamento de alta resolução – modo SAR com pixels de imagem de 3000x3000
Prevenção de terrenos

Ar-Mar (detecção, rastreamento e classificação até 200 NM):

Pesquisa no Mar (SS)
Metas marítimas TWS
Trilha Contínua de Alvo Marítimo (STCT)
Classificação do alvo marítimo de SAR Inversa (ISAR)
Classificação do alvo no mar (RS) Range Signature

PERFORMANCE:

Suporta todas as interfaces aviônicas
Controle total do software
De tamanho pequeno e muito leve, requer recursos de energia e refrigeração muito baixos

O esquadrão VF-1 com suas as aeronaves fizeram uma firme ação de presença nos limites da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do mar territorial brasileiro, além de deixar bem claro que após a modernização as aeronaves estão plenamente aptas a cumprir uma ampla gama de missões.

Depois de um logo período fora de sua casa, as equipes de terra, pilotos e as aeronaves do esquadrão retornaram no dia 28 de novembro de 2019 a sua casa, a Base Aérea Naval de São Pedro D’Aldeia (BAeNSPA) sem incidentes.


Por: Valter Andrade - Jornalista e fotografo especializado em geopolítica, segurança e defesa, com passagem em várias mídias e revistas especializadas, hoje membro da equipe GBN Defense.


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3 comentários:

  1. Muito bom, desconhecia á importância que está aeronave tem para a segurança e economia do Brasil, excelente!!!.

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  2. Esse avião é um verdadeiro galinho de briga!Só engana no tamanho, até porque a capacidade de combate e ataque que possui é bastante elevada. Sem falar que é um avião mais que testado em todo tipo de combate: Vietnam, Malvinas, Israel... seja lá missões de ataque a alvos fixos, móveis, sob terra ou mar, ou até mesmo combate aéreo. Embora sejamos praticamente os únicos a operar esse tipo de avião no mundo, ainda assim é motivo de orgulho termos na nossa Marinha esse vetor da forma como está: modernizado e pronto para o combate! Que venham mais artigos sobre esse avião e sua operação hoje no Brasil.

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  3. O esquadrão VF1, com certeza, possui uma importância estratégica para o Brasil, dada sua capacidade operacional. Parabéns a todos as pessoas que operam e pilotam essa máquina de guerra !

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