segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Debate: Forças Armadas X Estado do Rio de Janeiro, por nosso novo colunista Martins

Hoje estréia aqui conosco nosso amigo e novo colunista no GBN News, , e em seu primeiro contributo, Martins aborda a polêmica sobre a Intervenção Federal no Rio de Janeiro. Confira abaixo e participe desse importante espaço de debate que abrimos no GBN News.

A minha opinião e humilde contribuição ao debate Forças Armadas X Estado do Rio de Janeiro

O governo do Estado do Rio de Janeiro admitiu o reiterado fracasso que há muito tempo vitima a população carioca.

O cenário da polícia militar do Rio de Janeiro é assustador: corrupção sistematizada, baixíssimos salários, equipamentos obsoletos, treinamento, etc...

E o pior: o governo federal mobilizará o Exército Brasileiro para a segurança pública do Estado. E é bastante curioso perceber algumas coisas quando tratamos desse tipo de assunto...

1.       A sociedade brasileira, de maneira geral, não se importa com os assuntos afetos às Forças Armadas Nacionais. Não questionam, não fiscalizam, e sequer entendem qual a finalidade desta instituição em uma democracia. O que evidencia um grande paradoxo, já que muitos brasileiros apoiam um uso mais intenso dos militares na agenda do país.

2.       O assunto não é debatido ou questionado pelos representantes eleitos, além de existir uma evidente descontinuidade nos investimentos e repasses feitos ao Ministério da Defesa durante os últimos 10 anos. Os principais programas estratégicos das Forças Armadas estão abandonados, ou estão em fase muito morosa de implementação. Para se ter uma ideia, quase 70% do orçamento do Ministério da Defesa é gasto nos pagamentos de salários e pensões dos militares, sobrando um valor praticamente nulo para investimentos. O que faz, naturalmente, que os militares tenham que dividir uma parcela ínfima dos recursos.

3.       As Forças Armadas de um país são a última reserva de força do Estado. Utilizá-los para combater o crime é incongruente. Além de expor os militares ao risco de se corromperem aos traficantes do Estado do Rio de Janeiro, ressalto que seu treinamento está voltado para a GUERRA. Logo, abusos poderão ocorrer.

4.       Se ao menos conseguíssemos deslocar uma maior parte do efetivo das Forças Armadas às regiões de fronteira, e se implementássemos os programas de monitoramento via satélite dos nossos limites territoriais (SisFron, por exemplo), não teríamos traficantes tão bem armados.

5.       O uso localizado das Forças Armadas como forma de combate ao crime no Estado do Rio de Janeiro é uma ação custosa, inócua e agressiva. É custosa porque os recursos das operações e a manutenção dos efetivos sairão do Ministério da Defesa. Ainda mais esse ano que o Brasil passa por um déficit fiscal enorme. É inócua porque não resolve absolutamente nada. Quando os militares saírem, tudo volta. E agressiva, já que tropas federais voltadas à guerra utilizarão fuzis de calibre 7.62 mm e 5.56 mm em meio a população civil (crianças, mulheres, idosos).

Acredito que o mais grave de tudo é termos uma política míope conivente com os desmandos públicos. É triste. Pobre Brasil.

Se você acha, de fato, que o problema do Rio de Janeiro são apenas os traficantes... Eu só tenho a lamentar.


Por: Vitor Martins Gabriel - Colunista no GBN News, Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Leitor e interessado na temática Defesa Nacional, Poder Nacional, Forças armadas


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1 comentários:

  1. Também tenho opinião favorável que todo esse esforço será em vão. O certo seria gessar todas as formas de facilitar a entrada de armamentos e monitoramento eficaz nas fronteiras. Mas agora é torcer ué surta algum efeito positivo em todo esse investimento.

    Dino Lopes
    Administrador Sênior de Banco de Dados
    São Paulo-Sp

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