quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ministro da Defesa Celso Amorim fala sobre questões de defesa



Em sua primeira audiência no Senado após assumir o ministério da Defesa, Celso Amorim criticou nesta quinta-feira o baixo investimento federal nas Forças Armadas.

Falando na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Amorim disse que o montante gasto pelo país com o Exército, a Marinha e a Aeronáutica é o menor dentre todos os países do BRIC (sigla do grupo de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia e China).

De acordo com o ministro, os R$ 60 bilhões anuais do setor representam cerca de 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, quando nos outros países do grupo esse percentual é de, no mínimo, 2,2% (China).

No início do ano, a compra de equipamentos militares sofreu um revés, devido ao contingenciamento geral de R$ 50 bilhões ordenado pelo governo. Só a Defesa perdeu cerca de R$ 4,3 bilhões.

Com isso, por exemplo, a negociação para a compra de 36 caças para a FAB (Força Aérea Brasileira), cujo custo pode chegar a R$ 10 bilhões, foi paralisada.

"É necessária, mas a crise econômica dificulta uma decisão imediata sobre esse programa", disse Amorim.

A compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) é considerada fundamental e urgente pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, mas ainda não foi discutida “em profundidade” com a presidenta Dilma Rousseff.

Amorim destacou a relevância do assunto devido ao estado dos caças Mirage que país detém e do tempo que as empresas que produzem os aviões levam para entregá-los.

“Até o final de 2013, nenhum dos 12 Mirages que estão em Anápolis estará em condição de atuar plenamente. É algo realmente muito urgente, muito importante. A necessidade de defesa da Amazônia, das fronteiras, impõe que nós tenhamos uma aviação de caças adequada”, afirmou Amorim.

Apesar disso, o ministro disse que falou apenas superficialmente sobre o assunto com a presidenta. Amorim ressaltou ainda que os aviões não serão escolhidos apenas pelo preço, por considerar que “em defesa, o barato sai caro”. A transferência de tecnologia, já colocada como requisito na escolha dos caças, será fator determinante.

“Há atenção prioritária à transferência de tecnologia. Não apenas a promessas de transferências de tecnologia, mas a questões contratuais e à presença de empresas brasileiras no processo de transferência”, explicou o ministro.

Mesmo adotando um tom duro sobre a falta de dinheiro, ele poupou a presidente Dilma Rousseff, dizendo que ela tem "enorme compreensão" da necessidade de reaparelhar as Forças.

Para o ministro, o investimento militar tem como um dos principais objetivos a proteção dos recursos naturais do país. "É preciso dizer: não vem que não tem."

Brasil vai começar a retirar tropas do Haiti em março.

O Brasil deve começar a retirada parcial de suas tropas no Haiti em março de 2012, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Defesa, Celso Amorim. Segundo Amorim, 257 dos 2,2 mil militares brasileiros que estão na Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) deixarão a ilha caribenha nessa data, de acordo com a Agência Brasil.

Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o ministro disse que "tudo depende do plano (de retirada) da ONU", mas que o Brasil é o país que menos reduzirá seu efetivo no Haiti. Além dos brasileiros, outros 1,6 mil oficiais de outras nacionalidades devem deixar a missão da ONU no início do ano que vem.

Saída gradual

Para o ministro, a retirada das forças de paz deve ocorrer gradualmente, para entregar o controle do Haiti a seu próprio governo de maneira coordenada, já que, segundo ele, a segurança social no país já havia sido consolidada. "Não devemos e não queremos nos eternizar no Haiti, mas também não vamos sair de maneira irresponsável", afirmou.

Amorim disse que o objetivo inicial é reduzir as tropas para o número de soldados brasileiros que estavam no país antes do terremoto de janeiro de 2010. Após o tremor, cerca de 900 militares brasileiros extras foram enviados ao país.

Entre o efetivo brasileiro que deixará o Haiti, não estarão membros do batalhão de Engenharia, que têm atuado na reconstrução de pontes, poços artesianos e produção de energia, entre outras obras emergenciais.

Unasul

No início desse mês, durante visita a Buenos Aires, Amorim já havia defendido a redução gradual das tropas, a partir da definição de um cronograma conjunto dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) com a ONU, antes da retirada total. "Não podemos ter uma saída desorganizada que gere uma situação de caos", disse o ministro na época.

Embora Amorim não tenha feito referência ao assunto, há rumores de que as tropas da Minustah estejam enfrentando uma resistência cada vez maior por parte dos haitianos. A situação foi agravada após acusações de que militares uruguaios teriam abusado sexualmente de um jovem haitiano.

Em sua visita à Argentina, o ministro afirmou que tal episódio não poderia contaminar toda a missão, mas admitiu problemas com a permanência estendida dos militares no país. "Qualquer tropa em qualquer lugar do mundo sofre desgaste", afirmou.

O mandato brasileiro como chefe da missão também passará por votação para ser renovado.

Líbano

O Congresso aprovou nessa quarta-feira o envio de forças brasileiras para compor a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o governo prepara o envio de um navio da Marinha, equipado com um avião e até 300 tripulantes.

Criada por meio de resolução do Conselho de Segurança da ONU em 1978, a Unifil tinha como objetivo original supervisionar a retirada das tropas israelenses do território do Líbano. Após a crise entre os dois países ocorrida em 2006, o Conselho de Segurança reforçou a missão e adicionou à sua missão o monitoramento do fim das hostilidades e a contribuição para o acesso de ajuda humanitária a civis.

O Brasil iniciou sua participação na Unifil em fevereiro desse ano, com um destacamento de oito militares. A missão conta atualmente com 11.746 militares, 351 funcionários civis internacionais e 656 nacionais.

Fonte: GeoPolítica Brasil com agências de notícias
Share this article :

0 comentários:

Postar um comentário

 

GBN Defense - A informação começa aqui Copyright © 2012 Template Designed by BTDesigner · Powered by Blogger