quinta-feira, 24 de maio de 2018

Série "Os Navios de Escolta" : Corvetas


Após enfrentar alguns obstáculos, finalmente conseguimos retomar nossa série “Os Navios de Escolta”, e antes de mais nada, pedimos desculpas aos nossos leitores e agradecemos aos vários e-mails recebidos e todo apoio que tem sido dado ao nosso trabalho no GBN News.

Continuando a nossa saga sobre os Navios de Escolta, neste capítulo vamos apresentar um pouco sobre um dos tipos mais básicos de escolta, trazendo um pouco sobre sua história e os dias atuais, este capítulo da série é dedicado as “Corvetas”, a menor das categorias de navios de escolta, mas que na atualidade tem apresentado capacidades e tecnologias que não deixam em nada a dever aos grandes navios de escolta moderno.

Corveta do Séc.XVII
As Corvetas possuem uma vasta história, tendo surgido no final do séc. XVII, quando a Marine Royale francesa começou a usar o termo "corveta" para designar seus pequenos navios de guerra similares, porém menores, ás fragatas. “Corveta” é derivada do latim "corbita", que significa pequeno corvo, no francês "corvette", tendo sido um navio de guerra e que nas mãos dos corsários serviu como navio Mercante-de-guerra, geralmente contando com três mastros equipados com velas redondas, deslocando 400 toneladas e armadas com uma bateria de 24 peças, geralmente dispostas no convés. No Brasil, o tipo surgiu no final do séc.XVIII, denominadas geralmente como Fragatim, em alusão a sua semelhança as Fragatas, porém em menor escala. Muitos países adotaram o termo “Corveta” para designar seus navios menores no fim do séc.XVIII e princípio do Séc. XIX.

A construção e desenvolvimento das Corvetas seguiram lado a lado com as fragatas durante o séc.XIX, onde chegaram a receber propulsão á vapor e algumas classes contaram com blindagem em seus cascos, que deixaram de ser construídos em madeira e passaram a ser feitos em ferro e aço. Mas ao final do séc.XIX as Corvetas passaram a ser descomissionadas, consideradas obsoletas e mesmo inadequadas ao emprego no teatro de operações que surgia no horizonte, sendo substituídas pelas fragatas, cruzadores e contratorpedeiros.

Classe Flower
Mas durante a Segunda Guerra mundial, ressurge a construção de navios designados como “Corvetas”, sendo em geral navios de patrulha armados para lidar com as ameaças daquele teatro de operações e navios de escolta menores, assim muitas classes de navios patrulha e outros tipos de escolta foram reclassificados como corvetas.

Os esforços de guerra compreendidos durante aquele conflito, levou muitos projetos a serem adaptados afim de conceber novos navios de guerra, onde projetos de navios de simples construção se tornaram corvetas, como foi o caso da Classe Flower, projeto concebido através da adaptação de um baleeiro pelo projetista naval britânico William Reed, sendo uma embarcação bem adaptada às tempestades do Atlântico sul , era um navio muito simples extremamente curto e atarracado. O castelo era muito curto, contando com uma antena de radar tipo 271, a nova corveta recebeu também um sonar . O sistema ASDIC consistia em um transdutor, contido em uma cúpula sob o navio, que enviava um sinal acústico que retornava à origem quando encontrava um objeto submerso, com alcance máximo de cerca de 2700 m. Sua velocidade era de cerca de 16 nós, muito baixa para um navio do tipo. O armamento contava com um canhão Mk 10 de 101mm disposto na proa, como em algumas corvetas modernas, e algumas metralhadoras Oerlikon de 20mm em ambos os bordos do navio e cargas de profundidade na popa. Não eram os melhores meios, mas com bravura serviram como valorosas escoltas, principalmente nas mãos de tripulações experientes se mostraram fundamentais naqueles dias sombrios.

Corveta soviética Nanuchka
Ainda durante a Segunda Guerra, as corvetas voltaram a perder espaço para navios maiores e mais capazes como as fragatas e contratorpedeiros, porém, ao fim do conflito, novamente houve uma reclassificação dos meios navais, e muitos escoltas e patrulhas foram designados como corvetas os navios que possuíam deslocamento entre 500 e 2mil toneladas, com armamento superior aos clássicos navios de patrulha oceânica e inferior aos encontrados nas fragatas e contratorpedeiros,  sendo consideradas por alguns especialistas como “fragatas de bolso”.

Classe Imperial Marinheiro
Um clássico exemplo na Marinha do Brasil, são as Corvetas Imperial Marinheiro, tendo sido projetadas inicialmente como patrulhas, rebocadores e navios varredores. Os mesmos navios foram denominados Corvetas e foram empregados na patrulha das águas jurisdicionais brasileiras, tendo inclusive participado do resgate dos destroços do voo AF-447 que caiu no litoral brasileiro quando seguia do Brasil rumo á França. São navios vetustos que devem em breve dar baixa, e estão muito longe do que normalmente se enquadra na moderna classificação de corvetas.

No  Brasil além das Imperiais Marinheiro, operamos a Classe Inhaúma, Classe Barroso e em breve se iniciará a construção das Classe Tamandaré.

Classe Barroso
Durante a Guerra-Fria surgiram muitas classes de corvetas, onde foram incorporados também muitos sistemas e capacidades que as aproximaram das fragatas. Tendo incorporado novos armamentos que deram a corveta a capacidade de enfrentar ameaças maiores, além de atuar na guerra ASW.

A classificação das corvetas é algo um tanto quanto complicada, uma vez que há muita divergência entre as marinhas ao redor do mundo quanto a classificação deste tipo de navio em suas esquadras, por exemplo, nos EUA os LCS estão dentro do que seria uma corveta, enquanto em Portugal as Corvetas se enquadrariam no padrão internacional como fragatas.

Russa Buyan-M ataca com mísseis Kalibr
Hoje acompanhamos o processo de obtenção pela Marinha do Brasil das futuras Corvetas Classe Tamandaré, as quais exibem uma grande capacidade e deslocamento que as aproximam muito das fragatas, com poucas diferenças entre ambos os tipos. Valendo ressaltar que as acomodações das corvetas são muito mais simples que as encontradas nas Fragatas, o que torna a vida a bordo mais cansativa que dentro das fragatas quando comparadas na execução das mesmas atribuições, além de certa limitação nas capacidades de combate em relação as fragatas, apesar de hoje algumas classes de corvetas apresentarem a capacidade de operar uma aeronave orgânica e lançar mísseis de cruzeiro, como é o caso das Buyan-M russas.

O fato é que a tendência que se apresenta hoje, é que as corvetas estejam cada vez mais próximas em suas capacidades e desempenhos ás fragatas, e apesar de apresentarem um custo mais alto que as classes antecessoras, ainda serão uma opção de custo mais baixo que as modernas fragatas.

Com relação as futuras capacidades deste tipo importante de escolta, eles já apresentam capacidade de defender de certa forma tão bem quanto várias fragatas que ainda estão em operação hoje, porém, limitada quando comparada aos meios mais modernos, mas a esquadra na qual estejam operando contam com uma boa capacidade de defesa, estando hoje os projetos muito voltados a capacidade de desempenhar múltiplas funções e dispondo de um arsenal significativamente flexível e capaz de contrapor um vasto leque de ameaças. 

Dentre as mais modernas e expressivas classes de corvetas, podemos citar algumas:

A francesa Classe Gowind desenvolvida pela Naval (ex-DCNS), capaz de realizar diversos tipos de missões, como guerra anti-submarina e guerra anti-aérea, além de controle oceânico próximo ao litoral. armada com canhão de 76 mm, drone de asas rotativas S-100 (Schiebel) está integrado aos sistemas do navio, podendo ser armado com um canhão automático estabilizado de 20mm e mais duas metralhadoras pesadas de 12,7mm em cada lado do passadiço, misseis VL Mica e Exocet.

Podemos citar também a Classe Sigma holandesa, desenvolvida pela empresa Royal Schelde e que operam hoje com a Marinha do Marrocos e a Marinha da Indonésia, apresenta uma formidável capacidade, equipadas com um canhão Oto Melara de 76mm, dois canhões Denel LS GI-2 de 20mm, para defesa aérea contam com dois lançadores quádruplos de Mistral TETRAL, quatro lançadores de mísseis Exocet para defesa de superfície e dois lançadores triplos de torpedos.

A corveta sueca da Classe Visby é uma classe que opera atualmente na Marinha da Suécia. A primeira corveta desta classe, construídas pela SAAB-Kockums, A Classe Visby esta vocacionada para combate naval de superfície, guerra anti-submarina, escolta e remoção de minas. Contam com um canhão Bofors de 57 mm, oito mísseis RBS-15 Mk 2 anti-navio, quatro lançadores de torpedos,Minas e cargas de profundidade, além de poder receber sistema de mísseis anti-aéreos.


A Alemanha substituiu suas corvetas da Classe Gepard pela moderna Classe Braunschweig, as quais começaram a ser incorporadas em 2008, contando com um canhão Otobreda de 76 mm, dois canhões Mauser BK-27 de  27mm , quatro lançadores de mísseis RBS-15, dois lança mísseis RIM-116 Rolling Airframe Missile.

As corvetas russas da Classe Buyan-M, sem sombra de dúvidas são as que melhor apresentaram seu poder ao lançar ataques com mísseis de cruzeiro Kalibr contra alvos na Síria, estando a mais de 2mil quilômetros de distancia dos alvos que foram cirurgicamente atingidos. A corveta russa esta equipada com um canhão A-190 de 100 mm A-190, dois canhões AK-630 de 30 mm, um lançador de foguetes A-215 "Grad-M" contando com 40 foguetes, duas Células VLS UKSK quadruplas com sistema Kalibr-NK ou P-800 Onix, quatro 3M47 Gibka, metralhadora coaxiais 7,62mm.

Em nosso próximo capítulo da série "Os Navios de Escolta", traremos as fragatas, onde vamos apresentar um pouco sobre sua história e o panorama atual.


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.



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