segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Conhecendo o HU-1 "Águia" e a aquisição do H-135 pela Marinha do Brasil

Há poucas semanas fora anunciada a aquisição de três aeronaves H-135 pela Marinha do Brasil, tendo sido uma compra de oportunidade. O GBN News buscando manter nosso leitor informado, entrou em contato com a nossa Marinha do Brasil, afim de dirimir algumas questões com relação a esta nova aquisição.

Antes de entrar nas questões inerentes a futura operação destas aeronaves na Marinha do Brasil, onde irão dotar o Esquadrão HU-1 "Águia", vamos falar um pouco sobre este esquadrão, a primeira Unidade Aérea Operativa da Marinha do Brasil, tendo sido criada em 05 de junho de 1961 e desde a sua ativação vem participando ativamente de quase todas as operações aeronavais que se desenvolve, realizando um variado leque de missões, onde durante a "Operação Formosa" nos encontramos com nosso amigo, Ten. Vinicius que voa no Esquadrão HU-1, ocasião em que estava de prontidão para uma hipotética necessidade de realizar missão EVAM (Evacuação Aeromédica), algo vital, tendo em vista a grande distância do local de exercícios do centro médico mais próximo, sendo este um dos pontos de importante atenção no planejamento logístico da operação.

Foto: Guilherme Wiltgen
Dentre as missões nas quais são incumbidos, podemos elencar: Busca e Salvamento (SAR), Esclarecimento Visual, Transporte de Tropa, Evacuação Aeromédica (EVAM), Ligação e Observação, Apoio Logístico, Apoio às Operações Especiais, Reconhecimento Armado e Ataque Aéreo, Operam no PROANTAR, onde apoiam à Base Comandante Ferraz no continente Antártico, entre outras fainas.

O Esquadrão HU-1 operou ao longo de sua existência diversos tipos de aeronaves de asas rotativas, tendo iniciado suas operações com três aeronaves Westland UH-5 Whirlwind, os quais eram parte do Destacamento Aéreo Embarcado (DAE) do saudoso NAeL Minas Gerais, posteriormente esse número chegou a cinco aeronaves com a compra de mais dois exemplares, o HU-1 no inicio de suas operações também contou com duas aeronaves Westland WS-51 Widgeon, variante britânica do Sikorsky S-51 "Dragonfly". Ao longo de sua história também operou com aeronaves UH-2 Wasp, Fairchild Hiller FH-1100, Bell 206B Jet Ranger e atualmente opera com o Helibras UH-12 Esquilo (monomotor) e o Eurocopter UH-13 Fennec (bimotor), aeronave que deverá ser substituída pelo H-135. Em outra matéria, iremos abordar um pouco mais sobre os "Esquilos" na Marinha do Brasil.

UH-5 Whirlwind operando com HU-1
O Esquadrão HU-1 "Águia", possui uma rica história, a qual pretendemos contar em breve através de uma matéria especial, onde o leitor irá entender o porque do seu lema ser "IN OMNIA PARATUS", que no latim significa "Preparado Para Tudo".

A aquisição das novas aeronaves H-135 pela Marinha do Brasil vai adicionar novas capacidades ao Esquadrão HU-1, onde esta previsto junto a compra das aeronaves a aquisição de equipamentos para remoção aeromédica, além de suporte logístico, treinamento de tripulações e equipe técnica de manutenção.

As novas aeronaves H-135, ainda não teve definição de sua designação operacional, tendo a previsão de ser incorporadas ao esquadrão em junho deste ano, porém, a definição final da data vai depender do andamento das negociações do contrato.

O H-135 irá substituir os UH-13 Esquilo
Algumas pessoas questionaram a compra pelo fato de há pouco mais de um ano e meio o Esquadrão HU-1 ter avaliado o Airbus H-145, porém, realizou a aquisição do H-135, versão menor da aeronave avaliada, tal fato se deu por se tratar de uma vantajosa aquisição por oportunidade, exibindo um excelente custo/benefício.

Hoje o HU-1 opera com aeronaves UH-12 (mono turbina) e UH-13 (bi turbina) da família "Esquilo", mas a composição do esquadrão com a chegada dos três H-135 será mantida até 2020, quando há previsão de baixa das aeronaves UH-13 do Esquadrão. Até o momento não há informações sobre a possibilidade da Marinha do Brasil adquirir um lote posterior de aeronaves H-135 para padronizar o esquadrão, ou mesmo a aquisição de outro tipo de aeronaves para compor seu inventário no curto-médio prazo.

O H-135 apresenta uma moderna aviônica digital
Alguns pseudos "especialistas", criticaram a aquisição de uma aeronave dotada de "esquis" ao invés de "trem de pouso", então resolvemos esclarecer a questão. A decisão da Marinha do Brasil se deu por dois fatores, o primeiro é a vasta experiência que o esquadrão possui em operar com esse tipo de configuração, o segundo trata-se da necessidade de prestar apoio ao PROANTAR, onde as características encontradas naquele teatro de operações a configuração da aeronave com "esqui" representa grande vantagem em relação ao sistema de "trem de pouso" naquele ambiente, ou seja, há um porque desta escolha, portanto, como insistimos em orientar nosso leitor, é preciso buscar conhecer todas as nuances envolvidas na operação e missões a que se destina empregar cada meio, no campo de defesa nada é simplista e espartano, tudo é oriundo de estudos e experiência acumulada, não há espaço para amadorismo e especulações.

Agora vamos falar um pouco do H-135 e suas capacidades, sendo uma aeronave de conceito moderno e que exibe grande versatilidade de emprego. Desenvolvido pela Eurocopter, empresa que fazia parte do extinto EADS Group, agora denominada Airbus Helicopters, tendo sido absorvida pela gigante europeia, o H-135 faz parte da antiga família EC-135, a qual foi renomeada H-135 após a Airbus Helicopters incorporar a Eurocopter. O H135 é líder no segmento de helicópteros leves, sendo uma aeronave bimotor de múltiplos propósitos. As missões tradicionais para esta classe de helicópteros incluem evacuação aeromédica (EVAM),Observação, transporte de passageiros, apoio logístico e treinamento militar, dentre várias possibilidades de emprego. 

O H135 é referência em custos de manutenção, graças a seus espaçados intervalos de inspeção, inspeção intermediária a cada 500 horas de vôo e inspeções periódicas a cada 1.000 horas ou três anos, apresentando os mais baixos custos de operação da categoria, sendo um dos helicópteros de menor custo a operar.

Apontado como referência em operações aeromédicas de emergência, o H-135 apresenta uma ampla gama de configurações de seu interior afim de cumprir com este tipo de missão, onde no caso dos exemplares da Marinha do Brasil, os mesmos irão dispor de um kit para missões EVAM, onde oferece amplo espaço para transporte de um ou dois pacientes.



Para realização de missões de Busca e Salvamento, a aeronave  possui excelente capacidade de pouso inclinada e pode desempenhar intervenções rápidas em situações de alto risco, clima adverso, desastres e catástrofes, bem como em emergências como inundações, terremotos, deslizamentos e fortes nevascas, sendo essa última uma das características que se destacam no cenário inóspito do PROANTAR.

A flexibilidade operacional apresentada pelo H-135 permite o emprego em uma ampla gama de missões, onde suas característica de baixo ruído externo, manutenção reduzida e baixos custos operacionais, além do alto grau de disponibilidade fazem dele uma plataforma perfeita para operações diárias. Sendo capaz de aterrissar em áreas confinadas com pouco distúrbio graças ao seu tamanho compacto e rotor de cauda embutido. Outro ponto que favorece o emprego tático da aeronave é sua largura e a cabine desobstruída, o que permite grande visibilidade tanto para missões de observação diurnas, como noturnas. 

A plataforma pode receber diversas melhorias, afim de garantir o cumprimento de um vasto leque de missões de âmbito militar, sendo uma interessante opção de baixo custo que pode agregar novas possibilidades de emprego, conferindo maior flexibilidade e disponibilidade ao Esquadrão HU-1.

Ficha técnica – H135

• Capacidade: 1 tripulante + 6/7 passageiros
• Comprimento: 12,26 m
• Altura: 3,51 m
• Peso Máximo de Decolagem: 2.980 kg
• Motorização: 2 turbinas Turbomeca Arrius 2B2 plus (660 shp / 492 kW) ou 2 turbinas Pratt & Whitney PW206B3 (708 shp / 528 kW)
• Teto máximo: 20.000 pés / 6.096 m
• Carga útil: 1.418 kg
• Velocidade máxima: 259 km/h
• Velocidade de cruzeiro: 252 km/h
• Alcance: 830 km


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