A máxima de que “a logística dita a dinâmica das operações” segue como um dos pilares fundamentais do pensamento militar contemporâneo. No Exército Brasileiro, essa premissa se materializa na atuação do Comando Logístico (COLOG), responsável pela gestão do Sistema Logístico Militar Terrestre (SLMT) e pelo assessoramento direto ao Comandante do Exército no planejamento e execução do apoio estratégico à Força Terrestre.
Nesse contexto, foi realizada entre os dias 9 e 12 de março a 1ª Reunião de Coordenação Logística de Suprimento (RECOL), nas instalações do 11º Depósito de Suprimento, em Brasília. O encontro reuniu comandantes de Grupamentos Logísticos, chefes de escalões logísticos das Regiões Militares, responsáveis por Batalhões e Depósitos de Suprimento, além de organizações militares logísticas e o Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (DOMPSA), estrutura essencial para o suporte aeroterrestre da Força.
A reunião teve como eixo central a modernização da cadeia logística militar, com ênfase na incorporação de soluções digitais, no aprimoramento da gestão de suprimentos e na definição de metas estratégicas para 2026. O objetivo é consolidar um sistema logístico mais integrado, responsivo e capaz de sustentar a prontidão operacional da Força Terrestre em diferentes cenários de emprego.
A abertura do evento foi conduzida pelo General de Exército Maurílio Miranda Netto Ribeiro, Comandante Logístico, com a participação do General de Divisão Ivan Ferreira Neiva Filho e representantes de ministérios e instituições parceiras. O encontro reforçou a visão de que a logística deixou de ser apenas uma função de apoio e passou a ocupar posição central na capacidade operacional da Força.
Logística 4.0 redefine a sustentação operacional da Força Terrestre
Um dos principais destaques da RECOL foi a consolidação do conceito de Logística 4.0, apresentado como vetor de transformação da cadeia de suprimentos militar. Baseada na integração de tecnologias digitais, automação e sistemas conectados em tempo real, a nova abordagem busca elevar o nível de previsibilidade, eficiência e controle das operações logísticas.
A proposta acompanha a evolução da chamada Quarta Revolução Industrial, na qual sistemas físicos e digitais passam a operar de forma integrada, permitindo maior precisão no planejamento de rotas, na gestão de estoques e na distribuição de suprimentos em ambiente operacional complexo.
No contexto militar, a aplicação da Logística 4.0 representa um salto qualitativo na capacidade de sustentação da tropa, reduzindo gargalos históricos do transporte terrestre e ampliando a eficiência no emprego de recursos estratégicos. Trata-se de uma mudança estrutural que impacta diretamente a prontidão operacional e a capacidade de resposta da Força.
Logística também atua na dimensão humanitária e de proteção da sociedade
Além do papel estritamente militar, a estrutura logística do Exército Brasileiro desempenha função decisiva em missões de apoio à população em situações de crise, desastres naturais e operações de defesa civil. A capacidade de mobilização rápida de meios permite o transporte de alimentos, água, medicamentos e abrigo em larga escala.
Um dos exemplos mais expressivos dessa atuação ocorreu durante a Operação Taquari II, em 2024, no Rio Grande do Sul, quando o Centro de Operações Logísticas foi ativado para coordenar uma resposta emergencial às enchentes que atingiram o estado.
Na ocasião, foram organizados comboios rodoviários que percorreram quase 90 mil quilômetros, responsáveis pelo transporte de aproximadamente 3.700 toneladas de doações e materiais de apoio. Além disso, a operação incluiu lançamentos aéreos de cargas em áreas isoladas, evidenciando a flexibilidade e a capacidade multimodal da logística militar.
Logística como elemento estratégico de soberania e prontidão
A RECOL 2026 reforça a compreensão de que a logística não é apenas suporte, mas um elemento determinante da capacidade de combate, dissuasão e presença do Exército Brasileiro. Em um ambiente operacional cada vez mais dinâmico e exigente, a integração entre planejamento estratégico, inovação tecnológica e coordenação interorganizacional torna-se essencial.
Ao consolidar a Logística 4.0 e fortalecer sua atuação dual, militar e humanitária, o Exército avança na construção de um sistema mais moderno, eficiente e resiliente, capaz de sustentar operações complexas e responder com agilidade às demandas da sociedade e do campo de batalha contemporâneo.
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