sábado, 29 de novembro de 2025

Exército Brasileiro aprofunda conhecimento em mobilidade militar com workshop sobre pneus e sistema CTIS

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Em 25 de novembro de 2025, a Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro realizou, em parceria com a Michelin e com o apoio do Arsenal de Guerra do Rio, um workshop técnico voltado ao aprofundamento dos conhecimentos sobre pneus para uso militar e sobre o funcionamento do Sistema Central de Enchimento de Pneus, conhecido pela sigla em inglês CTIS (Central Tire Inflation System). A atividade integrou esforços de capacitação e atualização tecnológica voltados à melhoria da mobilidade, da prontidão e do desempenho das viaturas blindadas da Força em diferentes ambientes operacionais.

O CTIS é um sistema que permite ao operador ajustar, em tempo real, a pressão dos pneus de acordo com o tipo de terreno enfrentado, como asfalto, lama, areia ou trilhas irregulares. A capacidade de adaptar a pressão dos pneus às condições do solo amplia significativamente a tração, reduz o desgaste excessivo, melhora a estabilidade e aumenta a sobrevivência da viatura em cenários operacionais complexos. Trata-se de uma tecnologia empregada nas principais plataformas blindadas sobre rodas do Exército, como a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média sobre Rodas 6x6 Guarani e a Viatura Blindada Multitarefa Leve sobre Rodas 4x4 Guaicurus.

As instruções foram conduzidas por representantes da Michelin, empresa responsável pelo desenvolvimento e fornecimento de pneus para aplicações militares, e da Teleflow, companhia que fornece o CTIS que equipa as plataformas Guarani e Guaicurus. Ao longo do workshop, foram abordadas as características técnicas dos pneus militares, suas exigências específicas em termos de resistência, desempenho e durabilidade, bem como os aspectos operacionais, de manutenção e de diagnóstico do sistema de enchimento centralizado.

O evento reuniu militares de diversas organizações estratégicas do Exército Brasileiro, demonstrando o caráter integrado e multidisciplinar da iniciativa. Participaram profissionais da própria Diretoria de Fabricação, do Arsenal de Guerra do Rio, do Instituto Militar de Engenharia, do Centro Tecnológico do Exército, do Centro de Avaliações do Exército, da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, da Academia Militar das Agulhas Negras e do Batalhão Central de Manutenção e Suprimento, além de um representante da Iveco Defense Vehicles, fabricante das plataformas Guarani e Guaicurus.


Mais do que um treinamento técnico, o workshop se consolidou como um importante espaço de intercâmbio de experiências e conhecimentos entre militares, engenheiros, técnicos e parceiros da Base Industrial de Defesa. Foram discutidos desafios operacionais relacionados ao emprego do CTIS em diferentes tipos de missão, desde operações convencionais até contextos de apoio humanitário e atuação em áreas de difícil acesso, nas quais a mobilidade é fator decisivo para o sucesso da missão.

Ao aprofundar o conhecimento sobre sistemas essenciais às viaturas blindadas modernas, a atividade contribuiu diretamente para o fortalecimento da capacidade operacional do Exército Brasileiro, ampliando a autonomia técnica, a eficiência logística e a segurança das tropas em operação. A iniciativa também reforça a sinergia entre a Força Terrestre, o meio acadêmico e a indústria, elemento fundamental para a evolução contínua das capacidades militares nacionais.

O workshop realizado pela Diretoria de Fabricação se insere em um conjunto mais amplo de ações voltadas à modernização, ao domínio tecnológico e ao fortalecimento da soberania nacional. Ao investir na capacitação de seu efetivo e na integração com parceiros estratégicos, o Exército reafirma, na prática, o seu compromisso com o lema que orienta suas atividades: Produzir soberania.


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AEL Sistemas é reconhecida no Prêmio Top Ser Humano 2025 por estratégia de desenvolvimento de talentos

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A AEL Sistemas, uma das referências nacionais em tecnologia de Defesa, conquistou mais uma vez destaque no Prêmio Top Ser Humano 2025, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos – seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS). A empresa foi reconhecida na categoria Organização com o case “Start-Up AEL: estratégia no desenvolvimento de novos talentos”, iniciativa voltada à atração, formação e retenção de estagiários para áreas estratégicas de Pesquisa e Desenvolvimento.

O reconhecimento reforça a consistência da política de gestão de pessoas da companhia e evidencia a conexão direta entre cultura organizacional, inovação tecnológica e sustentabilidade de longo prazo. Criado em 2022, o Start-Up AEL é resultado da evolução de um modelo estruturado de formação, alinhado ao propósito da empresa, e já apresenta resultados concretos: redução média de 30% no tempo de recrutamento e seleção, taxa de retenção de 82% entre os profissionais formados no programa e participação de 38% desses talentos no time de Engenharia.

Para o presidente da AEL Sistemas, Gal Lazar, o prêmio confirma um caminho construído ao longo dos anos, no qual pessoas ocupam papel central na estratégia corporativa. Segundo ele, a excelência em tecnologia de Defesa depende diretamente da capacidade de atrair, formar e manter profissionais altamente qualificados, alinhados aos valores e à visão de futuro da companhia. O executivo destaca ainda que a integração entre cultura organizacional, estratégia de negócio e demandas do mercado é o que garante agilidade, inovação e competitividade em um setor altamente exigente.

A base desse modelo está na cultura corporativa conhecida internamente como “Ser AEL”. Essa identidade organizacional é orientada por valores como senso de propósito, coragem para desafiar limites, compromisso com clientes, busca constante por inovação e fortalecimento do trabalho em equipe. Essas diretrizes foram consolidadas a partir da Jornada da Excelência, projeto iniciado em 2019 e inspirado nos princípios do autor Jim Collins, que estruturou práticas voltadas à alta performance, engajamento e foco em resultados sustentáveis.

A diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional, Carolina Amodeo, afirma que a atração e o desenvolvimento de pessoas são pilares do DNA da AEL. De acordo com ela, o Start-Up AEL materializa a filosofia do “primeiro quem, depois o quê”, priorizando a seleção de profissionais que compartilham dos valores da empresa e, a partir disso, desenvolvendo suas competências técnicas e comportamentais ao longo do tempo. Esse alinhamento cultural é visto como a principal vantagem competitiva da organização.

Não é a primeira vez que a AEL Sistemas se destaca no Prêmio Top Ser Humano. A empresa já havia sido reconhecida em 2007, 2023 e 2024. No ano passado, o prêmio veio com o Programa de Desenvolvimento de Lideranças, que capacitou 80 gestores em uma jornada de 144 horas, baseada no conceito de Liderança Nível 5, que combina humildade pessoal e forte determinação profissional. Em 2023, o reconhecimento foi concedido à própria Jornada da Excelência, que envolveu 350 colaboradores e impulsionou indicadores relevantes, como o aumento da satisfação dos clientes, a elevação do NPS e o crescimento da receita por colaborador.

Além desse histórico, a AEL também figura de forma recorrente no ranking Great Place to Work (GPTW) como uma das melhores empresas para se trabalhar no Rio Grande do Sul, o que reforça a consistência de suas práticas de gestão de pessoas em um ambiente altamente técnico e competitivo.

Com a nova conquista em 2025, a AEL Sistemas reafirma que o investimento contínuo em talentos, cultura e liderança é parte integrante de sua estratégia de inovação e de sua contribuição para o fortalecimento da base industrial de defesa do Brasil. Ao aliar tecnologia de ponta a um modelo sólido de desenvolvimento humano, a empresa consolida sua posição como Centro de Excelência em Tecnologia de Defesa e protagonista em programas estratégicos das Forças Armadas.

Enquanto participa de importantes projetos nas áreas aérea, marítima e terrestre, incluindo sistemas de Comando e Controle como LinkBR2, STERNA, SIC2MB e RDS Defesa, a AEL deixa claro que seu principal diferencial não está apenas em sistemas complexos ou soluções avançadas, mas na capacidade de formar pessoas comprometidas com a excelência, a inovação e a soberania tecnológica do país.

Promovido pela ABRH-RS, o Prêmio Top Ser Humano reconhece organizações, projetos e profissionais que se destacam por suas práticas inovadoras em gestão de pessoas, desenvolvimento humano e responsabilidade social. Consolidado como uma das principais premiações do setor no sul do país, o Top Ser Humano tem como objetivo inspirar transformações positivas no ambiente corporativo e ressaltar o papel fundamental das pessoas no crescimento das organizações.

Com mais de 40 anos de atuação, a AEL Sistemas se dedica ao projeto, desenvolvimento, fabricação, manutenção e suporte logístico de sistemas eletrônicos militares e espaciais. A empresa integra programas estratégicos das Forças Armadas do Brasil e do Ministério da Defesa, sendo reconhecida como um Centro de Excelência em Tecnologia de Defesa e um dos pilares da indústria nacional no segmento de alta complexidade.


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Avaliação Operacional do H-125 confirma helicóptero como novo pilar da formação de pilotos da FAB

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A Força Aérea Brasileira concluiu, na Base Aérea de Natal, a Avaliação Operacional Contratual do helicóptero H-125, uma etapa essencial para validar requisitos técnicos e confirmar a adequação da aeronave ao processo de formação dos futuros pilotos de asas rotativas da FAB. Conduzida entre 27 de outubro e 14 de novembro, a avaliação marcou mais um avanço no Projeto TH-X, iniciativa que substituirá a atual frota de treinamento e elevará o padrão de instrução para níveis compatíveis com as unidades operacionais.

A atividade reuniu equipes do PAMA-SP, DCTA, COPAC, COMPREP, DIRMAB, do Esquadrão Gavião (1º/11º GAV) e da Helibras. Em solo e em voo, os especialistas verificaram desempenho, confiabilidade, suporte logístico e aderência aos requisitos contratuais. O trabalho incluiu observação direta em linha de manutenção, diálogo com mecânicos e inspetores e avaliações detalhadas sobre infraestrutura, disponibilidade de peças e resposta do fabricante.

A Tenente Engenheira Bruna Fernandes Vertemati, do PAMA-SP, destacou que a presença dos setores logísticos na avaliação é decisiva para garantir sustentabilidade operacional da frota. Segundo ela, acompanhar as equipes na linha de voo permite identificar necessidades reais, antecipar desafios e assegurar que a aeronave ingressará no serviço com capacidade plena para cumprir as missões de instrução da FAB.

O Major Aviador Guilherme José Ramos De Sanctis, gerente logístico do Projeto TH-X, reforçou que a implantação do H-125 busca modernizar completamente a frota de treinamento. A aeronave oferece desempenho superior, maior disponibilidade, aviônicos avançados e aderência às tecnologias já empregadas nos esquadrões operacionais, garantindo que o piloto formado esteja mais próximo da realidade das aeronaves de emprego militar.

O H-125 representa um salto tecnológico significativo para o Esquadrão Gavião. Entre seus principais avanços estão o motor Turbomeca Arriel 2D com FADEC de duplo canal, maior carga útil, margem de potência ampliada e compatibilidade com óculos de visão noturna. A cabine possui painel Garmin G500 TXi, integração digital de dados e piloto automático de três eixos GFC 600H, capazes de manter altitude, velocidade e atitude com precisão, reduzindo a carga de trabalho do piloto em instrução.

Para a formação básica, esses recursos aproximam o treinamento das condições encontradas em plataformas mais complexas, preparando melhor o aluno para atuar em cenários reais de busca e salvamento, ataque, transporte e operações especiais.

Ao encerrar a fase de avaliação, o Diretor do PAMA-SP, Coronel Aviador Wagner Takemi Motoyama, ressaltou que o H-125 demonstra grande potencial para elevar o padrão de formação da Força Aérea. Ele destacou o esforço coordenado de todas as equipes e afirmou que a nova aeronave permitirá capacitar pilotos com mais segurança, eficiência e prontidão para missões cada vez mais desafiadoras.

Com a avaliação concluída, o H-125 avança rumo à plena integração na estrutura de formação da FAB, consolidando uma modernização aguardada e alinhada às demandas operacionais de uma aviação militar que se projeta para o futuro.


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com FAB

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BAE Systems recebe contrato de US$ 390 milhões dos EUA para produção de novos Bradley A4

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O Exército dos Estados Unidos deu mais um passo decisivo na modernização de sua frota de veículos blindados ao firmar um novo contrato superior a 390 milhões de dólares com a BAE Systems. O investimento, parte do processo contínuo de revitalização das Brigadas de Combate Blindadas (ABCT), garante a produção de mais unidades do Bradley A4, a versão mais avançada do consagrado veículo de combate norte-americano.

A modernização dos Bradleys representa um dos pilares do esforço norte-americano para manter a superioridade terrestre em um cenário global no qual ameaças convencionais ressurgem e conflitos de alta intensidade voltam ao centro do planejamento militar. Para a BAE Systems, responsável pelo desenvolvimento e integração das melhorias, o A4 não é apenas uma atualização incremental, mas um salto operacional.

Letalidade ampliada, maior consciência situacional e arquitetura digital

Segundo Bill Sheehy, diretor da linha de produtos de Veículos Terrestres da BAE Systems, o Bradley A4 entrega o que há de mais avançado em letalidade, desempenho e capacidade para o campo de batalha contemporâneo. A plataforma recebeu sistemas eletrônicos totalmente digitalizados, melhorias substanciais no motor e na transmissão, sensores mais eficientes e maior integração em rede, elementos essenciais para a guerra centrada em informação.

Essas atualizações permitem que o veículo atue com mais segurança e eficácia em ambientes de múltiplas ameaças, mantendo conectividade contínua dentro da estrutura da ABCT. O reforço na blindagem, a ampliação da consciência situacional e a melhoria do gerenciamento térmico oferecem às tropas maior capacidade de sobrevivência em terrenos adversos e sob condições extremas.

Além disso, o Bradley A4 reduz a carga logística de manutenção graças ao pacote de motorização modernizado, algo vital para operações prolongadas em teatros de alta intensidade.

Produção em ritmo acelerado e impacto na base industrial americana

A fabricação dos novos blindados acontece por meio de uma parceria estratégica com o Red River Army Depot (RRAD), uma das principais instalações militares de manutenção dos EUA. A cadeia industrial envolvida no projeto se estende por diversos estados, passando por Aiken, Anniston, Minneapolis, San Jose, Sterling Heights e York, garantindo emprego, expertise técnica e continuidade produtiva.

Os trabalhos previstos no contrato já estão em andamento, e as primeiras entregas devem ocorrer até outubro de 2026. Para o Exército norte-americano, o cronograma é crítico: manter as linhas de produção ativas significa não apenas assegurar o fornecimento contínuo dos blindados, mas também preservar a capacidade nacional de produzir e modernizar veículos de combate em larga escala.

Importância estratégica em um cenário global de tensões crescentes

O avanço no programa Bradley A4 ocorre em um contexto marcado pela competição entre grandes potências, pelo aumento das capacidades mecanizadas de adversários e pela necessidade de forças blindadas mais resilientes. A modernização da frota não apenas amplia o poder de dissuasão dos EUA, mas também garante interoperabilidade com aliados da OTAN que operam versões do Bradley ou plataformas similares.

Enquanto muitos países modernizam seus veículos existentes ou buscam novos sistemas de combate, os Estados Unidos mantêm um ritmo contínuo de aperfeiçoamento tecnológico, assegurando que suas brigadas blindadas permaneçam entre as mais bem preparadas do mundo.

O Bradley A4, com sua combinação de robustez, potência de fogo e integração digital, reforça esse protagonismo e reafirma a capacidade americana de adaptar sua força terrestre às exigências de um campo de batalha cada vez mais complexo.


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Falha técnica obriga forças dos EUA a abaterem de forma controlada um MQ-9 Reaper na costa oeste da Coreia do Sul

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Um veículo aéreo não tripulado MQ-9 Reaper das forças norte-americanas foi abatido de forma controlada na costa oeste da Coreia do Sul após apresentar uma falha durante uma missão de rotina. O incidente ocorreu próximo à ilha de Maldo-ri, em um momento em que os Estados Unidos mantêm presença aérea constante na península diante do ambiente de segurança cada vez mais volátil na região.

Segundo oficiais envolvidos na operação, o drone perdeu comunicação com a estação de controle em solo e apresentou falhas persistentes nos sistemas de comando remoto. A tripulação tentou descartar combustível e seguir procedimentos de contingência para recuperar o controle, mas as tentativas não foram suficientes. Diante do risco de uma queda descontrolada, que poderia resultar em destroços em áreas sensíveis ou habitadas, as forças americanas decidiram realizar um pouso forçado em mar aberto, cumprindo rigorosamente os protocolos de segurança estabelecidos.

O MQ-9 pousou em uma área marítima designada, minimizando riscos para zonas civis e militares, afirmou um oficial americano no local. A operação transcorreu dentro dos procedimentos previstos para casos de perda de controle, preservando tanto a segurança quanto a integridade das operações dos Estados Unidos na Coreia do Sul.

As autoridades confirmaram que os voos do MQ-9 Reaper não foram suspensos. As operações continuam normalmente, com atenção redobrada e medidas adicionais de segurança enquanto a investigação técnica avança. Ainda não há informações sobre o estado dos destroços nem sobre a extensão dos esforços de recuperação no mar.

A presença permanente dos MQ-9 na península coreana faz parte da estratégia dos Estados Unidos no Indo-Pacífico, reforçada diante do ciclo contínuo de lançamentos de mísseis pela Coreia do Norte e da crescente imprevisibilidade regional. A perda controlada da aeronave evidenciou os riscos inerentes ao emprego de drones de alta complexidade em ambientes estrategicamente sensíveis, mostrando como falhas técnicas podem impactar operações que demandam altos níveis de confiabilidade.

Mesmo sendo um incidente isolado, o caso reforça a importância de protocolos rigorosos de emergência e da capacidade de resposta rápida em uma região onde cada movimento aéreo é observado de perto por adversários e aliados.


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Argentina inicia era F-16: primeiros caças partem da Dinamarca e marcam retomada supersônica após uma década de lacuna

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A Força Aérea Argentina (FAA) entrou oficialmente em uma nova etapa de reconstrução de seu poder aéreo. Em 28 de novembro de 2025, o primeiro lote de seis caças F-16 Fighting Falcon modernizados deixou a Base Aérea de Skrydstrup, na Dinamarca, iniciando o voo de translado para Córdoba. A movimentação inaugura a fase operacional do acordo Peace Condor, firmado em 2024, para a transferência de 24 aeronaves F-16AM/BM anteriormente operadas pela Força Aérea Real Dinamarquesa.

O pacote inicial reúne quatro F-16BM bipostos e dois F-16AM monopostos, todos submetidos à modernização de meia-vida (MLU) ainda sob gestão dinamarquesa. As inspeções, upgrades e certificações garantem que as aeronaves cheguem ao país em plenas condições de voo e com sistemas compatíveis com os padrões atuais de combate aéreo.

A chegada à Brigada Aérea IV, prevista até 5 de dezembro, abrirá o processo de recepção e avaliação técnica, seguido do envio à Área Material Río Cuarto (ARMACUAR) para integração à nova estrutura de manutenção. A expectativa é que a Base Aérea de Tandil volte a operar caças supersônicos após a conclusão das obras na pista e hangar.

Retorno ao supersônico após dez anos

Desde a aposentadoria dos Mirage em 2015, a Argentina permaneceu fora do grupo de países com capacidade supersônica. O voo transatlântico dos primeiros F-16 encerra essa lacuna e restabelece uma ferramenta essencial de dissuasão, tanto no controle do espaço aéreo quanto na projeção de soberania.

Além dos seis jatos iniciais, o Peace Condor inclui motores adicionais, simuladores, peças de reposição e suporte logístico plurianual. Uma aeronave de treinamento estáticamente alocada no país desde 2024 já vem sendo utilizada para adaptação de pilotos e técnicos, reduzindo o tempo para a entrada em serviço dos primeiros F-16 operacionais.

A travessia do Atlântico contará com apoio de um KC-135 da Força Aérea dos EUA, responsável pelo reabastecimento em voo, além de uma estrutura de acompanhamento liderada por um C-130 da FAA e um Boeing 737-700 T-99 transportando equipes e suprimentos, um esforço multinacional que revela a importância estratégica da transferência.

Impacto regional e considerações políticas

A incorporação dos F-16 altera o ambiente estratégico da América do Sul. Apesar de serem aeronaves de segunda mão, o pacote dinamarquês coloca a Argentina novamente no cenário de aviação de combate modernizada, alinhada a padrões da OTAN e compatível com doutrinas ocidentais.

Para os Estados Unidos, o Peace Condor reforça laços de interoperabilidade hemisférica e assegura a permanência de tecnologias norte-americanas como referência na região. Para a Argentina, representa um reposicionamento político e operacional após anos de limitações orçamentárias e perda de capacidades críticas.

Desafios de implementação

A integração da frota exigirá mais que a chegada dos jatos. A FAA terá de consolidar um novo ecossistema de manutenção, capacitação e doutrina operacional. O recebimento será escalonado até 2028, permitindo que a estrutura amadureça progressivamente. A recomposição do poder aéreo argentino, portanto, será um processo contínuo, dependente de investimentos consistentes e da modernização de infraestrutura, um desafio tão grande quanto a operação em si.

Comparativo estratégico: F-16 argentinos x F-39E Gripen brasileiros

A introdução dos F-16 renovados coloca a Argentina em um novo patamar, mas não muda a liderança regional do Brasil. O F-39E Gripen, fruto da parceria Brasil–Suécia, integra sistemas, sensores e armamentos de última geração, situando-se tecnicamente uma geração à frente dos caças adquiridos por Buenos Aires.


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UMA FORÇA TAREFA BLINDADA COMO VANGUARDA DA MARCHA PARA O COMBATE DA BRIGADA BLINDADA: REFLEÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO PUNHOS DE AÇO 2025

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A 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld), com o seu quartel-general localizado em Santa Maria – RS, é uma das Grandes Unidades de maior poder de combate na Força Terrestre. Em razão dos meios que possui e do nível de adestramento adquirido, coloca à disposição do escalão superior capacidades únicas. Seus recursos humanos são instruídos e treinados para atuar com iniciativa, coragem, flexibilidade e adaptabilidade, conforme a intenção do comandante e o propósito das tarefas, focados no estado final desejado para cada missão. Sempre pronta, está vocacionada para as ações decisivas, constituindo-se em um meio bastante nobre. Quando acionada, age com rapidez, precisão, violência e ação de choque.

Como parte fundamental do ciclo anual de adestramento da 6ª Bda Inf Bld, foi realizada, no mês de outubro do corrente ano, a tradicional Operação Punhos de Aço. Nela, todas as doze Organizações Militares (OM) da Brigada Niederauer foram adestradas e os seus comandantes de unidades e subunidades tiveram a oportunidade de liderar no terreno, com ganhos evidentes para a prontidão operacional e a aquisição de novas experiências, fortalecendo igualmente o espírito de corpo, o conhecimento e a confiança mútuas entre superiores, pares e subordinados.

Nesse contexto tático, coube ao 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário a missão de ser a vanguarda da 6º Bda Inf Bld em uma marcha para o combate descoberta. A unidade se organizou constituindo uma força-tarefa (FT 4º RCC) composta por peças de manobra em quantidades equilibradas de carros de combate e fuzileiros blindados, apoiadas por um pelotão de engenharia de combate blindado, além de uma seção de artilharia antiaérea e uma bateria de artilharia de campanha, ambas autopropulsadas.

Constituíram o grosso da coluna de macha e a sua reserva as outras três peças de manobra valor unidade da Brigada, todas organizadas em forças-tarefas equilibradas, quanto à presença de carros de combate e de fuzileiros blindados. Devido a existência de um flanco exposto, com a real possibilidade de interferência do inimigo através dele e potencial para comprometer a progressão da tropa, foi atribuída a missão de segurança daquele mesmo flanco ao 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado da Brigada.

O planejamento da FT 4º RCC para a Operação seguiu os princípios preconizados no manual do Processo de Planejamento e Condução de Operações Terrestres (PPCOT) e seus processos complementares, tais como o Processo de Integração do Terreno, Inimigo, Condições Meteorológicas e Assuntos Civis (PITCIC) e o Processo de Gerenciamento de Risco Operacional (GRO). No PPCOT, o estado-maior da FT realizou o estudo da missão, em suas seis fases (Imagem-1). Durante cada uma dessas fases, foi possível aprimorar a destreza e o conhecimento dos quadros envolvidos na atividade, com destaque à dinâmica completa do processo e a sua finalidade, objetivando a celeridade e a efetividade nos trabalhos empreendidos. Como resultado, foi emitida uma bem elaborada Ordem de Operações por parte da FT 4º RCC (Imagens-2).


Ainda como parte da preparação, a FT 4º RCC empreendeu, por iniciativa, uma simulação de combate do tipo construtiva 1 , conhecida como Jogo de Guerra (JG), que foi realizada no formato tradicional, utilizando a carta, sem contar, portanto, com programas (software) e equipamentos de informática. Para essa atividade, foram considerados todos os meios disponíveis, exatamente como contavam na Ordem de Operações da 6ª Bda Inf Bld 2 , resultando em um enorme ganho técnico-profissional para os oficiais, subtenentes e sargentos envolvidos (Imagem-3). No JG, busca-se analisar o máximo de variáveis possíveis em uma determinada situação de combate, explorando-se diferentes possibilidades de resultados, característica inerente à própria dinâmica e natureza da guerra, marcada pela permanente disputa entre oponentes, que tentam impor um ao outro a sua vontade. Como consequência, chega-se a um planejamento bastante completo, que visa, em alguma medida, “dissipar a névoa do combate”, tentando eliminar as principais variantes que levariam ao fracasso da missão.

Já na área de operações, antes do início da Marcha para o Combate, foi de grande valia o ensaio da denominada Matriz de Sincronização (imagem-4), com base no planejamento e no JG previamente realizados. Isso facilitou a ampla compreensão das tarefas a realizar, seu propósito e as alternativas viáveis para o cumprimento da missão. Tal atividade permitiu, pois, aos comandantes em todos os níveis visualizarem as ações a serem cumpridas e como elas deveriam estar sincronizadas no tempo, no espaço e quanto à finalidade a ser atingida, gerando flexibilidade e acelerando o ciclo decisório. Foram analisadas as possibilidades e alternativas de emprego para as mais variadas situações, tendo por base a matriz doutrinária do inimigo e sua maneira de se comportar em circunstâncias semelhantes.

Durante a Operação Punhos de Aço propriamente dita, todo o esforço da FT 4º RCC foi dispendido para o reestabelecimento do contato com o inimigo o mais rápido possível. Para tal, foram utilizadas técnicas, táticas e procedimentos (TTP) de reconhecimento de eixo e zona, o que permitiu ao comando enquadrante manter uma certa consciência situacional, suficiente para conquistar e reter a iniciativa das ações e impulsionar o avanço da 6ª Bda Inf Bld com a devida segurança. Vale destacar a intensa coordenação ocorrida entre a FT 4º RCC e o 6º Esqd C Mec, esse último na segurança de flanco, seja pelo contato pessoal nos pontos de ligação planejados, seja através de uma comunicação permanente via rádio, assegurando sincronia nas ações de Segurança, Reconhecimento e Vigilância em prol da Brigada Niederauer.

Inicialmente, foi lançado como ponta da FT 4º RCC o Pelotão de Exploradores (Pel Expl), tropa altamente móvel, adestrada e apta para executar as TTP para esse tipo de missão. Visando melhor cumprir sua tarefa, conforme o contexto atual dos combates, a FT 4ª RCC, assim como outras organizações militares da Brigada, usou experimentalmente o drone, que auxiliou sobremaneira a detecção antecipada do inimigo e dos obstáculos que poderiam comprometer a fluidez do movimento. A presença dessa tecnologia, inclusive durante as ações de contato (Desdobrar, Esclarecer a Situação, Selecionar uma linha de ação e Informar a linha de ação selecionada – acrônimo DESI), foi fundamental para acelerar a tomada de decisão com correção.

Uma vez estabelecido o contato com o inimigo e aumentada a possibilidade de um ataque de oportunidade, aliados ao desgaste e perdas sofridas pelo Pel Expl por ação simulada do oponente, foi decidido, na fase final do itinerário de marcha, colocar uma força-tarefa subunidade blindada à testa da formação. A partir deste momento, a FT 4º RCC ganhou em proteção blindada e velocidade de deslocamento, ao passo que houve certo decréscimo nas TTP de reconhecimento. Foi permitido, também, ao Comandante da FT, nessa nova configuração, acompanhar de forma mais cerrada o deslocamento da tropa, com claros benefícios para a emissão de ordens fragmentárias e coordenação das ações de conduta.

A brigada blindada, meio nobre que decide o combate, uma vez acionada, passa a ser alvo prioritário do inimigo. A velocidade, a destreza, a segurança e o perfeito entendimento da manobra e das possíveis evoluções do combate, envoltos em um ambiente de consciência situacional ampliada, são fatores cruciais para mitigar as ameaças e lidar com as incertezas da guerra. Desta feita, o planejamento detalhado, o uso da Intenção do Comandante e da Finalidade da Missão, a prática do Jogo de Guerra e os ensaios da Matriz de Sincronização, juntamente à utilização do drone e a execução agressiva e decidida da tropa da FT 4º RCC, mostraram-se bastante produtivos durante a Operação Punhos de Aço 2025.


AUTORES

GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS - Formado em 1996, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é oriundo da Arma Infantaria. Atualmente, comanda a 6° Brigada de Infantaria Blindada, com sede em Santa Maria-RS. Nessa mesma Brigada, foi o Comandante da Companhia de Comando, em 2010-11, e do 29º Batalhão de Infantaria Blindado, no biênio 2019-20. Além do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, realizou o Curso de Estado-Maior das Forças Armadas da Espanha e o de Altos Estudos Nacionais da Bolívia. Possui os Mestrados Acadêmicos em Operações Militares e em Ciências Militares, ambos no Brasil, em Política de Defesa e Segurança Internacional, na Espanha, e em Segurança, Defesa e Desenvolvimento, na Bolívia. É membro da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).


TENENTE-CORONEL JÚLIO CÉSAR MONTEIRO DE VASCONCELOS JÚNIOR - O Tenente-Coronel Monteiro Jr concluiu, no ano de 2003, o Curso de Formação de Oficiais da Arma de Cavalaria e o de Bacharel em Ciências Militares na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e o de Comando e Estado-Maior na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME). Foi instrutor na AMAN e na ECEME. Possui os Estágios Técnicos das Viaturas Blindadas de Combate M60A3TTS e Leopard 1 A1, além dos Estágios Táticos de Comandante de Pelotão de Carros de Combate e de Comandante de Pelotão de Exploradores, todos no Centro de Instrução de Blindados. Atualmente, é o Comandante do 4º Regimento de Carros de Combate – Regimento Passo do Rosário, sediado na cidade de Rosário do Sul-RS.


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Brasil consolida protagonismo na segurança química internacional e sediará exercício da OPAQ em 2026

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O Brasil reafirmou seu papel de destaque na segurança química internacional ao participar da 30ª Conferência dos Estados-Partes da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), realizada de 24 a 28 de novembro, no Centro de Convenções World Forum, em Haia nos Países Baixos. O encontro anual, que reuniu representantes dos 193 países signatários da Convenção sobre Armas Químicas (CWC), tratou de temas essenciais como o uso de substâncias químicas em conflitos armados, ameaças terroristas, verificações industriais e o fortalecimento das capacidades globais de resposta a emergências químicas.

A delegação brasileira foi composta por diplomatas, cientistas e militares, entre eles representantes da Marinha do Brasil, por meio do Comando de Proteção e Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (NBQR). A diversidade técnica da comitiva reflete a abordagem interinstitucional que o País adota no tema, entendendo que a defesa química envolve capacidades científicas, operacionais e diplomáticas integradas.

Durante a sessão plenária, o Embaixador Fernando Simas Magalhães, representante permanente do Brasil junto à OPAQ, destacou o compromisso brasileiro com a preservação da independência e da governança da Organização. Ele defendeu a busca pelo consenso nas votações, ressaltando a importância desse mecanismo para garantir a legitimidade e a efetividade da Convenção, o primeiro tratado multilateral de desarmamento a prever a eliminação completa de uma categoria de armas de destruição em massa dentro de prazos definidos.

O embaixador também reforçou a expressiva participação brasileira em iniciativas de cooperação voltadas ao fortalecimento das capacidades técnicas dos Estados-Partes, especialmente no Sul Global. Entre os destaques, mencionou a atuação do Laboratório de Análises Químicas do Centro Tecnológico do Exército (CTEx-LAQ), um dos poucos laboratórios do Hemisfério Sul designados pela OPAQ para a análise de amostras ambientais fora do local de coleta. A designação demonstra a maturidade técnico-científica brasileira em áreas sensíveis e amplia a confiança internacional na capacidade do País de contribuir com o regime global de verificação.

O Ministério da Defesa também ressaltou o valor estratégico da participação brasileira na Conferência. Segundo a Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod), o engajamento do País assegura que o Brasil seja reconhecido como ator responsável na prevenção da proliferação de tecnologias sensíveis, ao mesmo tempo em que protege o desenvolvimento interno relacionado às áreas de defesa química e NBQR.

Para o Coordenador-Geral de Operações de Defesa da Pátria da Chefia de Operações Conjuntas do MD, CMG Carlos Weizel de Fontoura Barreto Junior, os debates da CSP-30 ganham relevância diante do avanço de tecnologias emergentes associadas ao emprego de substâncias químicas. Ele explicou que o planejamento militar deve considerar tanto os riscos relacionados ao uso direto, expressamente proibido pela Convenção, quanto aqueles oriundos da chamada zona cinzenta, na qual substâncias permitidas podem ser empregadas em conjunto com sistemas de armas, criando dilemas regulatórios e operacionais.

Entre as pautas centrais tratadas este ano, destacou-se a continuidade dos programas de capacitação técnica promovidos pela OPAQ. Nesse contexto, foi confirmada a realização, em 2026, do Exercício Internacional de Assistência e Proteção em Resposta a Emergências Químicas para Estados-Partes de Expressão Oficial Portuguesa (ExBRALP), uma atividade voltada aos países lusófonos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O exercício, interrompido desde 2022, será retomado no Brasil em coordenação entre o Ministério da Defesa, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Itamaraty e a própria OPAQ.

O anúncio foi consolidado após encontro bilateral entre representantes da Organização e o Contra-Almirante (FN) Roberto Lemos, comandante de Proteção e Defesa NBQR da Marinha do Brasil. O oficial destacou a longa tradição de cooperação entre a Marinha e a OPAQ, iniciada em 1999 com a participação do Corpo de Fuzileiros Navais em cursos internacionais. A partir de 2014, o Brasil passou também a sediar exercícios e treinamentos, ampliando sua contribuição para o desenvolvimento de capacidades no âmbito da Convenção.

Segundo o Contra-Almirante Roberto Lemos, a retomada do ExBRALP em território brasileiro reforça não apenas o relacionamento institucional entre o País e a OPAQ, mas também a capacidade do Brasil de liderar iniciativas multilaterais voltadas ao preparo, prevenção e resposta a incidentes envolvendo agentes químicos. A atividade permitirá aprimorar a interoperabilidade entre as nações lusófonas, fortalecer procedimentos conjuntos e elevar o grau de prontidão regional para enfrentar emergências químicas de origem acidental ou deliberada.

Com a confirmação do exercício para 2026, o Brasil consolida sua posição como referência no campo da assistência e proteção previstas pela Convenção sobre Armas Químicas. A ampliação da cooperação técnica, o reconhecimento internacional de laboratórios nacionais, o fortalecimento da atuação diplomática e a presença ativa das Forças Armadas reforçam a relevância do País no regime global de segurança química.

Esses avanços também contribuem diretamente para o aprimoramento do Sistema de Defesa NBQR da Marinha (SisDefNBQR-MB), que integra pessoal especializado, capacidades operacionais, pesquisa científica e inovação tecnológica. A evolução desse sistema fortalece a capacidade nacional de enfrentar ameaças de natureza química, biológica, radiológica e nuclear, além de aumentar a projeção internacional do Brasil como um parceiro confiável, tecnicamente preparado e comprometido com a estabilidade global.


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com Marinha do Brasil e Ministério da Defesa


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Negociações fracassam e Reino Unido fica de fora da primeira rodada do fundo de defesa da União Europeia

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O governo britânico confirmou nesta sexta-feira que as negociações para ingressar no SAFE, o fundo de 150 bilhões de euros criado pela União Europeia para acelerar o rearme do continente, foram interrompidas. A decisão representa um revés imediato para a política externa do primeiro-ministro Keir Starmer, que havia prometido restaurar e aprofundar as relações com Bruxelas após anos de atritos pós-Brexit.

O SAFE foi concebido para impulsionar a produção de equipamentos militares, reforçar a capacidade industrial europeia e reduzir dependências externas em áreas estratégicas. Desde maio, quando Londres e UE anunciaram uma “nova era” na cooperação, a entrada britânica no programa era tratada como peça-chave na reconstrução de confiança política e operacional.

Dois dias antes do prazo final, porém, o governo britânico informou que não havia condições para fechar um acordo. Segundo Nick Thomas-Symonds, ministro para as Relações com a União Europeia, as negociações avançaram de forma construtiva, mas Londres não abrira mão de sua linha vermelha: só aderiria a um arranjo que oferecesse “boa relação custo-benefício” e fosse “do interesse nacional”.

A principal divergência envolveu contribuições financeiras e regras de participação industrial. O SAFE estabelece que contratos não podem ter mais de 35% de componentes vindos de fora da UE ou de países parceiros, limite considerado excessivamente baixo pela indústria britânica, que via no fundo uma oportunidade estratégica para ampliar presença em supply chains críticas. A ADS, associação do setor aeroespacial e de defesa, classificou o desfecho como “um revés frustrante” para empresas britânicas em um momento de forte demanda por capacidades militares na Europa.

Apesar do impasse, Londres continua apta a participar do SAFE como país terceiro, nos limites de 35% previstos pelo regulamento. A Comissão Europeia, que evitou comentar a decisão política britânica, lembrou que o programa é “aberto” e que portas permanecem disponíveis para futuras negociações. Internamente, negociadores discutiam uma participação limitada a 50%, mas o Reino Unido resistiu às exigências de contribuir com bilhões de euros para ter acesso pleno ao fundo.

Para Starmer, o episódio chega em momento sensível. O premier buscava se diferenciar das relações tumultuadas que marcaram o período conservador, ao mesmo tempo em que assumia papel ativo na coordenação do apoio europeu à Ucrânia. A interrupção das negociações não rompe essa aproximação, mas evidencia que a reconciliação pós-Brexit ainda passa por disputas estruturais sobre soberania industrial, investimentos e prioridades estratégicas.

Enquanto isso, o setor financeiro reagiu com calma: ações de gigantes como BAE Systems, Rolls-Royce e Babcock não registraram volatilidade significativa. O desfecho, porém, reforça a percepção de que a reconstrução do eixo Londres-Bruxelas na área de defesa seguirá um caminho gradual — e mais complexo do que o governo britânico esperava ao anunciar sua “nova era” europeia seis meses atrás.


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com Reuters

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Arábia Saudita amplia ambições estratégicas e lidera gastos militares no mundo árabe em 2025

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A Arábia Saudita consolidou, em 2025, sua posição como a maior potência militar do mundo árabe e a quinta maior do planeta em volume de gastos. Com um orçamento estimado em 78 bilhões de dólares para este ano, o Reino reafirma sua estratégia de modernização acelerada das forças armadas e de fortalecimento do setor industrial de defesa, pilares da ambiciosa Visão Saudita 2030.

O investimento militar saudita permanece entre os mais altos do mundo. Apenas em 2024, Riad destinou 74,7 bilhões de dólares ao setor, sustentando uma média anual superior a 74 bilhões ao longo dos últimos três anos. Esses números não expressam apenas prioridades de segurança nacional: refletem uma postura de dissuasão regional, a busca por superioridade tecnológica e um esforço claro para reduzir dependências externas.

O foco saudita recai sobre três eixos: expansão e modernização da Força Aérea, fortalecimento dos sistemas de defesa aérea e mísseis de longo alcance e desenvolvimento de uma indústria bélica própria. Nos últimos anos, o país firmou acordos estratégicos envolvendo aeronaves F-15SA, sistemas Patriot PAC-3 e THAAD, além de contratos de nacionalização da produção de munições e mísseis táticos. Ao mesmo tempo, o governo tem impulsionado a Saudi Arabian Military Industries (SAMI) para colocá-la entre as 25 maiores empresas de defesa do mundo até 2030.

A Força Aérea Real Saudita permanece como um dos braços mais avançados dessa transformação. A aviação de combate do Reino integra F-15S Strike Eagle, Tornado IDS e Eurofighter Typhoon, apoiados por aeronaves de reabastecimento e plataformas de vigilância. A possível aquisição de caças furtivos F-35, cuja negociação está próxima de ser concluída, pode redefinir o equilíbrio de poder aéreo no Oriente Médio ao introduzir capacidades de quinta geração na região. Complementam essa estrutura as baterias Patriot, que formam um escudo essencial contra ameaças de mísseis.

No componente terrestre, a Arábia Saudita desenvolve uma força robusta, composta por brigadas blindadas, infantaria mecanizada, unidades de reação rápida e artilharia moderna. A recente aquisição de lotes adicionais do tanque M1A2 Abrams reforça o poder de fogo do Exército, que também opera sistemas de defesa aérea próprios e plataformas de comando e controle avançadas. O país investe fortemente em treinamento e interoperabilidade com parceiros internacionais, garantindo prontidão e capacidade de resposta em cenários de crise.

A Marinha Real Saudita, por sua vez, mantém uma frota que combina volume com diversidade de capacidades. Com cerca de 11 fragatas, 9 corvetas e 9 lanchas de patrulha, além de navios de contramedidas de minas, a RSNF opera meios equipados com mísseis antinavio como Exocet e Harpoon, sistemas superfície-ar como Aster 15 e Crotale, torpedos e canhões navais modernos. Navios como as fragatas Riyadh, Mecca e Dammam e corvetas da classe Avante ampliam a projeção marítima do Reino e garantem proteção às rotas estratégicas no Golfo.

O volume e a natureza dos investimentos sauditas mostram um país que busca não apenas reforçar sua segurança, mas também ocupar um papel mais assertivo no cenário regional e internacional. Ao apostar em tecnologia, capacidade industrial e interoperabilidade, a Arábia Saudita se posiciona para competir em um ambiente geopolítico cada vez mais complexo e para sustentar sua influência em um dos espaços mais sensíveis do mundo.


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Índia e França avançam em autonomia estratégica com joint venture para produzir munições guiadas HAMMER

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A Índia deu mais um passo decisivo rumo à autossuficiência em defesa ao formalizar, em Nova Delhi, a criação de uma joint venture entre a estatal Bharat Electronics Limited (BEL) e a francesa Safran Electronics & Defence. O acordo, resultado de uma carta de intenções assinada em fevereiro durante a Aero India, estabelece uma empresa de participação igualitária dedicada à produção, desenvolvimento e suporte das munições guiadas de precisão HAMMER lançadas do ar.

A nova companhia atenderá diretamente às necessidades da Força Aérea Indiana (IAF) e da Marinha Indiana, que já operam ou estão prestes a operar aeronaves Rafale. O caça leve Tejas, peça central do programa indígena de aviação de combate, também será adaptado para empregar o armamento da Safran. Segundo as empresas, o conteúdo local deve alcançar 60%, com a BEL responsável pela montagem final, testes e controle de qualidade, enquanto a Safran fornecerá componentes críticos como eletrônicos, sistemas de navegação e unidades de guia.

O movimento se encaixa na estratégia indiana de reduzir dependências externas e consolidar um ecossistema doméstico de alta tecnologia. Para isso, a joint venture irá além da fabricação. As empresas planejam estabelecer um centro de excelência dedicado a produção, projeto, manutenção, reparo e revisão de sistemas de armas, optoeletrônica e equipamentos de navegação. Esse hub deverá fomentar uma rede nacional de fornecedores, com foco em pequenas e médias empresas, ampliando competências locais com apoio da expertise francesa.

O kit HAMMER transforma bombas convencionais em munições de precisão por meio de módulos de direção, sistemas de orientação a laser, infravermelho ou GPS/INS e um motor-foguete que estende significativamente o alcance da arma. Capaz de manter precisão da ordem de um metro mesmo sob interferência de guerra eletrônica, o sistema já demonstrou desempenho em combate, inclusive em cenários do conflito entre Rússia e Ucrânia. Sua integração ao Tejas e ao Rafale reforça a capacidade da Índia de conduzir operações de ataque de alta precisão em diferentes teatros.

Para a Índia, a parceria consolida sua ambição de tornar-se um centro regional na fabricação de armamentos avançados, alinhada às diretrizes do programa Make in India. Para a França, representa uma expansão industrial estratégica em um dos mercados mais dinâmicos do mundo, onde grandes contratos exigem cada vez mais transferência de tecnologia real, e não apenas fornecimento de produtos acabados.

O acordo BEL–Safran simboliza mais que um avanço industrial. Ele materializa a convergência entre dois países que apostam na autonomia estratégica como eixo central de sua política de defesa, e reforça a tendência global de cooperação tecnológica profunda como caminho para enfrentar um ambiente geopolítico cada vez mais contestado.


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Polônia fecha maior contrato internacional da história do Apache e redefine equilíbrio militar no Leste Europeu

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A Boeing anunciou na quarta-feira um dos movimentos mais significativos da aviação de combate das últimas décadas: a produção de novos helicópteros de ataque AH-64E Apache destinados a clientes internacionais, com destaque absoluto para a Polônia, que encomendou 96 unidades sob um contrato de vendas militares estrangeiras avaliado em quase 4,7 bilhões de dólares. As entregas começam em 2028, marcando não apenas o maior pedido internacional da história do programa, mas também um redesenho claro das prioridades de defesa no flanco leste da OTAN.

A decisão polonesa não ocorre isoladamente. Inserida em um ambiente de crescente instabilidade no Leste Europeu, Varsóvia tem acelerado sua transformação militar com investimentos robustos em meios blindados, defesa antiaérea, artilharia e agora aviação de ataque. O Ministério da Defesa Nacional da Polônia já opera oito helicópteros Apache alugados do Exército dos EUA, o que permite ao país treinar pilotos, mecânicos e equipes de apoio antes da chegada definitiva das aeronaves adquiridas.

O AH-64E representa o padrão ouro dos helicópteros de ataque modernos. Equipado com sensores avançados, enlace de dados aprimorado e capacidade plena de integração com drones, o Apache permanece como uma peça central em operações de apoio aéreo aproximado e missões antiblindados. No momento em que adversários estatais investem em negação de área e sistemas de guerra eletrônica mais complexos, plataformas como o Apache continuam a desempenhar papel decisivo em cenários de combate multidomínio.

Segundo a Boeing, mais de 1.300 helicópteros Apache estão em operação no mundo. A contínua demanda internacional reforça o valor de uma plataforma madura, porém em constante evolução tecnológica. Nos últimos meses, novas unidades foram entregues ao Exército Australiano, ao Exército Indiano e à Força Aérea Real Marroquina, evidenciando um interesse global renovado pela aeronave.

O anúncio veio na esteira de outras conquistas importantes da empresa. Um dia antes, o Pentágono havia confirmado que a Boeing recebera dois contratos que ultrapassam 7 bilhões de dólares: o acordo relacionado aos Apaches e outro de 2,4 bilhões de dólares para o Lote 12 de aeronaves de produção da Força Aérea, identificado como G081, além de assinaturas e licenças associadas.

O fortalecimento da frota polonesa de helicópteros de ataque deve reorganizar os equilíbrios militares na região, ampliando a capacidade de resposta rápida e dissuasão de Varsóvia diante de ameaças convencionais. Para a indústria norte-americana, o pacote consolida o Apache como vetor dominante no mercado internacional, mesmo diante de novos competidores e programas emergentes.

Mais do que um simples contrato, o acordo reflete uma tendência clara no cenário de segurança internacional: Estados que observam o retorno da competição estratégica estão buscando plataformas comprovadas, interoperáveis com aliados e capazes de operar em ambientes saturados e contestados. Nesse contexto, o Apache continua sendo uma escolha que combina maturidade operacional com relevância futura.


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Brasil em Transição Estratégica: Oportunidades e Riscos da Nova PND e END em um Mundo Multipolar

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A nova Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END) e o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN), aprovados pelo Decreto nº 12.725/2025, representam o esforço mais recente do Estado brasileiro para reposicionar o país diante de uma transição geopolítica complexa: o fim definitivo da unipolaridade e a consolidação de um ambiente multipolar competitivo, volátil e marcado por assimetrias estratégicas.

O documento reconhece que o mundo pós-Guerra Fria não é mais definido pelo predomínio absoluto dos EUA, mas pela emergência de novos polos de poder econômicos, tecnológicos e militares que disputam influência global. Esse diagnóstico, ainda que tardio, é fundamental para um país que aspira autonomia estratégica e pretende reduzir a dependência externa em setores sensíveis.

Uma das principais mudanças do texto é o reposicionamento explícito do Brasil entre as potências emergentes. A política de defesa coloca os BRICS como plataforma prioritária para diversificação de parcerias e fortalecimento da capacidade nacional em áreas estratégicas. O bloco, ampliado desde 2023 com membros como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã, é apontado como ferramenta relevante para uma governança internacional descentralizada e ampliar o acesso a mercados, tecnologias e cadeias produtivas, especialmente no setor de defesa.

Ao mesmo tempo, o LBDN aponta com clareza que a multipolaridade não implica necessariamente estabilidade. Pelo contrário: a competição entre grandes potências e a ausência de mecanismos eficientes de governança global criam riscos adicionais para países de médio porte, como o Brasil. Permanecer “relativamente afastado das principais áreas de tensão” não significa estar imune a seus efeitos, sobretudo no campo econômico, cyber, espacial e energético.

O documento reforça a necessidade de uma capacidade mínima de dissuasão e de preparo constante para proteção da soberania, seja no Atlântico Sul, na Amazônia ou nos espaços cibernético e aeroespacial. Entretanto, a grande questão que permanece sem resposta é se o país terá, de fato, densidade orçamentária e continuidade política para transformar essa intenção em capacidade real.

Outro ponto relevante é o reposicionamento do Brasil como ator ativo em operações de paz e cooperação militar internacional. A narrativa de protagonismo, reforçada pelo histórico brasileiro nas missões da ONU, é positiva, mas deve ser acompanhada de investimentos concretos em interoperabilidade, modernização e capacidade expedicionária, elementos indispensáveis para quem deseja ter voz em fóruns de segurança global.

A nova PND e END acertam ao enfatizar a necessidade de diversificação de parceiros, autonomia industrial e desenvolvimento tecnológico, pilares indispensáveis para qualquer país que pretenda reduzir vulnerabilidades estratégicas. No entanto, para além do discurso, será preciso enfrentar desafios internos que há décadas limitam o avanço brasileiro: ciclos orçamentários instáveis, descontinuidade de programas, dependência de importações sensíveis e falta de visão de longo prazo na indústria de defesa.

Mais do que apontar caminhos, os documentos expõem uma escolha estratégica: ou o Brasil assume papel ativo no novo equilíbrio multipolar, fortalecendo suas capacidades e investindo de maneira contínua, ou permanecerá vulnerável às decisões alheias, sempre reagindo, nunca influenciando.

O desafio está posto. O país terá maturidade para enfrentá-lo?


por Angelo Nicolaci


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Brasil avança em diplomacia de defesa ao doar helicópteros Bell ao Paraguai e ao Uruguai

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A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que autoriza o Brasil a doar helicópteros antigos de sua frota ao Paraguai e ao Uruguai, reforçando a cooperação regional em segurança e ampliando a política de boa vizinhança no Cone Sul. A proposta, originalmente enviada pelo Executivo em 2020 e assinada à época pelo então ministro da Justiça Sérgio Moro, agora segue para apreciação no Senado.

O tema envolve duas iniciativas legislativas: o Projeto de Lei 331/20, aprovado pela Câmara em 2020, e o PL 2216/25, que tratava da doação de outras aeronaves ao Uruguai. Ambos foram apensados, resultando na aprovação conjunta ocorrida nos últimos dias.

A medida permitirá que os dois países vizinhos recebam aeronaves da família Bell, que apesar da idade, permanecem relevantes para missões de segurança pública, vigilância de fronteiras, treinamento e apoio a operações policiais.

Paraguai

O Paraguai deverá receber dois helicópteros Bell 412, atualmente operados pela Polícia Federal. Essas aeronaves foram amplamente utilizadas em operações de patrulhamento, transporte de equipes e ações especiais. Com a chegada de modelos mais modernos, como o AW109, a PF iniciou o processo de substituição gradual de sua frota de 412, abrindo caminho para a transferência dos equipamentos.

Uruguai

No caso uruguaio, o modelo previsto para doação é o Bell 206 (IH-6A), aeronave que está sendo desativada pela Marinha do Brasil após décadas de serviço. Os IH-6A foram fundamentais na formação de pilotos navais e em missões de esclarecimento, ligação e instrução. A Marinha está substituindo esse vetor pelo Airbus H125M (IH-18), que oferece maior capacidade, modernidade e padronização logística para o futuro.

Modernização brasileira

A política de doações ocorre em paralelo ao esforço brasileiro de atualizar suas frotas aéreas de segurança e defesa. A chegada do H125M (IH-18) na Marinha e dos AW109 na Polícia Federal representa não apenas um salto tecnológico, mas também a oportunidade de estreitar laços com países parceiros ao repassar aeronaves ainda plenamente operacionais para suas necessidades.

Mais do que uma simples transferência de meios, a iniciativa fortalece a interoperabilidade regional, amplia a capacidade conjunta no combate ao crime transnacional e reforça o papel do Brasil como ator central na segurança do Cone Sul.


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Prisão de Policiais da Megaoperação nos complexos da Penha e Alemão Expõe Risco de Paralisação no Combate ao Narcotráfico no Rio

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A prisão de cinco policiais militares que participaram da "Operação Contenção", realizada em 28 de outubro nos Complexos da Penha e do Alemão, reacendeu um debate que vai muito além do episódio específico. O que está em jogo é a capacidade do Estado de atuar em áreas dominadas por facções criminosas, a segurança jurídica de agentes que enfrentam esses grupos e principalmente, o impacto que decisões precipitadas podem gerar no futuro do combate ao narcotráfico no Rio de Janeiro.

O Rio vive uma realidade em que a presença de organizações criminosas se enraíza cada vez mais, expandindo suas fronteiras, recrutando jovens e desafiando diariamente o Estado. Nessas regiões, operações de alto risco não são exceção, são uma rotina. É nesse contexto que se insere a ação do dia 28 de outubro: um confronto direto entre policiais e traficantes em uma das áreas mais sensíveis da capital fluminense.

A decisão judicial de prender preventivamente os cinco agentes, antes mesmo da conclusão da perícia das imagens que motivaram a investigação, provocou críticas de especialistas e acendeu um alerta entre quem conhece a dinâmica da segurança pública no Rio. Entre eles, o advogado criminalista e especialista em segurança pública Marcos Espínola, que representa os policiais detidos.

Para o advogado, a medida desconsidera pilares básicos do Estado Democrático de Direito e as garantias constitucionais que todo cidadão, inclusive policiais, possuem. Ele destaca que os agentes são primários, têm residência fixa, bons antecedentes e estavam no exercício da função pública, atuando em defesa da sociedade. Espínola questiona a necessidade da prisão preventiva, descrevendo-a como desproporcional e sem respaldo técnico enquanto a perícia não for concluída.

Sua análise toca num ponto essencial: o risco de criminalizar a ação policial em cenários de confronto. Há uma diferença profunda entre investigar condutas, o que é dever, e punir antecipadamente agentes que estavam sob fogo inimigo, tomando decisões em frações de segundo. Conforme ressalta Espínola, a tensão desses momentos não pode ser ignorada, e a reconstrução dos fatos exige rigor técnico, não pressões externas ou conclusões apressadas de quem fica atrás de uma mesa no ar-condicionado.

Essa postura pode gerar efeitos perigosos e irreversíveis. Enquanto facções se fortalecem, expandem territórios e ampliam o arsenal, decisões que inibem a ação policial, ou que transmitam a mensagem de que o agente será o primeiro a ser punido, podem resultar na retração operacional. E isso seria um presente para o crime organizado. Policiais que atuam nas áreas mais conflagradas do Rio já trabalham sob estresse extremo, com baixa estrutura, salários defasados e risco permanente de morte. Acrescentar a isso o medo de serem presos ao exercer a sua função tende a corroer o moral da tropa e favorecer ainda mais o avanço das facções.

O caminho correto, como defendido pelo advogado, é claro: perícia técnica, contraditório, escuta dos envolvidos e só então qualquer medida mais gravosa. Investigar é necessário. Punir antecipadamente, não. A segurança pública, já frágil, não pode ser conduzida com decisões que desestimulam quem está na linha de frente, especialmente quando o Estado falha em ocupar territórios que hoje estão, na prática, sob domínio de grupos criminosos.

A Operação Contenção de 28 de outubro deve ser analisada com justiça, técnica e responsabilidade. A prisão dos cinco policiais, antes da conclusão das apurações, não atende a nenhum desses critérios. E mais grave, pode colocar em risco o futuro das operações policiais em áreas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro, no momento em que o crime organizado demonstra capacidade inédita de expansão e resistência.

Se o Estado recua, as facções avançam. E as consequências são sentidas, primeiro por quem vive nas comunidades, e depois por toda a sociedade.


por Angelo Nicolaci


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