quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aeronautas afirmam que redução do número de comissários a bordo afeta segurança de vôos



O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato, acusou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de apoiar política de redução do número de comissários de bordo nas aeronaves, a seu ver medida lesiva aos usuários e que expõe os vôos a maiores riscos. Em audiência pública nesta terça-feira (22), ele destacou especialmente a autorização dada à Gol para utilizar apenas três comissários, no lugar dos quatro habituais, em suas aeronaves com até 150 assentos.

- Se o Brasil está preocupado com a segurança dos vôos, a Anac está na contramão – criticou.

Mortes

De acordo com Gelson Fochesato, o número de comissários a bordo era anteriormente definido com base no número de portas das aeronaves, inclusive saídas de emergência. Porém, essa norma teria sido recentemente alterada pela Anac e depois a Gol foi autorizada a reduzir o número de comissários em aeronaves de quatro portas. Disse que uma das saídas ficará desguarnecida e um passageiro da linha de assentos próxima será convocado para atuar numa eventual evacuação.

- Muitos deles não sabem nem usar o banheiro da aeronave. Numa situação de emergência, temos certeza que haverá mortes – afirmou.

O presidente do sindicato observou ainda que o tema segurança está na ordem do dia, em razão da aproximação dos dois grandes eventos esportivos programados para o país, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Além dos riscos inerentes ao transporte aéreo, ele observou que nesses dois momentos o número de vôos será muito maior e que não se pode descartar inclusive a hipótese de terrorismo.

- São necessários quatro comissários para conter um passageiro inconveniente, e agora ficaremos à mercê da sorte, que não haja nenhum passageiro assim, que atrapalhe e ponha em risco a segurança dos vôos.

A audiência foi promovida pela Subcomissão Permanente em Defesa do Emprego e da Previdência Social (Casemp), vinculada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS). O tema do dia foi a situação dos trabalhadores do setor aéreo e, ainda, o Fundo de Pensão Aerus (ver matéria). O debate foi sugerido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que preside e subcomissão e coordenou os trabalhos.

Contenção de gastos

Para o diretor administrativo-financeiro do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA),
Arturo Spadale, a Anac é quem melhor poderia justificar a decisão. Ainda assim, fez o contraponto ao destacar que a maioria dos países permite o uso de apenas três comissários em aeronaves de até 150 assentos, inclusive os Estados Unidos, onde disse haver grande atenção com segurança.
- Esse critério me parece que seja o certo – defendeu.

Arturo Spadale disse ainda que o momento é de crise no setor aéreo, com as companhias pressionadas por aumentos nos custos de combustível e decorrente da valorização do dólar. Destacou que somente as duas maiores companhias – a Gol e a Tam – acumularam prejuízos acima de R$ 1 bilhão no ano passado. Por isso, estão sendo obrigadas a adotar medidas de contenção de gastos, na busca de melhores resultados.

No caso da Gol, a imprensa noticiou recentemente a iniciativa de um plano de afastamento voluntário, seguido de demissões complementares de 131 aeronautas, entre co-pilotos e comissários. Na audiência, Spadale citou ainda ajustes na malha de vôos, complementada com o pedido à Anac para a escala de apenas três comissários.

Guerra tarifária

Na avaliação de Graziella Baggio, que é diretora do sindicato dos aeronautas, a crise que as empresas estão enfrentando no momento foi sobretudo o resultado da guerra tarifária em que se envolveram. Além dos prejuízos para os trabalhadores, conforme disse, a disputa comercial também repercute sobre aspectos de segurança dos vôos, como na questão do número de comissários a bordo.

No entanto, a Gol não está sendo a primeira companhia a voar com menor número de comissários. Conforme a diretora a Azul já entrou no mercado com esse padrão, apoiada em decisão judicial. O mesmo padrão é seguido pela Webjet e a Trip. Ela observou que algumas empresas aéreas até cobram a mais pelos assentos da linha da saída de emergência, mais afastadas das demais.
- Em compensação você é obrigado a salvar a todo mundo – disse Graziella.

Treinamento

Sérgio Luiz de Almeida Dias, outro integrante do sindicato, disse que os comissários passam por um treinamento de 120 dias para realizarem operações de evacuação. Por isso, disse não acreditar que os passageiros possam dar conta da tarefa numa eventual necessidade. Ainda mais porque, conforme destacou, os brasileiros não são habituados a treinamentos para lidar com situações de emergência, como acontece em outros países ainda nas escolas.

De acordo com Selma Balbino, presidente do Sindicato dos Aeroviários, que representa os trabalhadores da aviação que atuam em terra, esse segmento da força de trabalho também vem enfrentando dificuldades em decorrência das medidas de contenção de custos. Além da não reposição de vagas abertas, já estaria começando a acontecer cortes.

O coronel aviado Frederico Alberto Marcondes Felipe, do Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), nãos e pronunciou sobre a mudança de regra sobre o número de comissários nos vôos. Segundo ele, o tema se relaciona às competências da Anac.

Passageiros

Durante a reunião, a pedido do sindicato, foram exibidos dois vídeos abordando a redução do número de comissários. Em sua maioria, os passageiros ouvidos se manifestaram contra a medida e se disseram despreparados para atuar no caso de uma evacuação de emergência.

Fonte: Senado Federal via Notimp
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